16/08/2025
Há uma fotografia do João Francisco que tem corrido Portugal. Com uma pulseira de hotel no pulso, a montanha e o mar em cenário, o jovem turista tem um semblante entristecido, olhar alheado. Podia ser uma banal foto de férias, algures no Mediterrâneo, mas não há como ver esta chapa sem pensar no fim-do-mundo para este ainda menino. Sem a interpretar como um epitáfio. Está de costas para o espetáculo crepuscular da Mãe-Natureza, de costas para o horizonte, de costas para o futuro, sem nos fitar, sem fixar a câmara, sem procurar o outro, olhos no vazio. No oco. Esse nada que engole vidas, esse vórtex-voraz suga-almas, essa dor sem nome, causa ou cor, monstra, de bocarra escancarada, que hipnotizou o João Francisco e que, depois, nunca mais o largou.
O amanhã podia ter sido esplêndido, a vida é bela, este gaiense era aluno de mão cheia, já jurista, tinha família e amigos, interesses, mas foi encontrado a boiar numa praia que não essa da memória de viagem, dias depois de ter desaparecido à procura de afogar o seu sofrimento, de o calar para sempre. E calou. Esperemos é que a sua lamentável morte tenha dado voz à necessidade imperiosa de cuidar da saúde mental. A depressão é uma grande assassina. Deixa-nos completamente sós no mundo, mesmo que estejamos no meio de gente querida ou até da multidão. E a solidão mata. Mata sempre. A morte de João Francisco Colaço, 22 anos, não pode ser apenas mais um número. Precisa de ser mudança e o ressuscitar desse amanhã perdido.
Um abraço terno a todos os que o amavam 🖤.