22/01/2026
Há mulheres cuja missão não passa pelo ventre,
mas atravessa a alma.
Elas não geram filhos nos braços,
geram consciência, presença, cuidado silencioso.
Escolhem não ser mães de carne,
e isso não diminui em nada o chamado que carregam.
O carma dessa mulher não é ausência.
É direção.
Ela veio para cuidar do que não se vê.
Enquanto algumas gestam corpos,
ela gesta sentidos.
Enquanto outras embalam berços,
ela sustenta processos internos, próprios e alheios.
Seu maternar acontece no acolhimento,
na escuta que não julga,
no olhar que permanece quando todos se vão.
Ela cuida de feridas que não sangram,
mas doem há gerações.
Há nela uma maternidade espiritual,
antiga, profunda, exigente.
Ela aprende a nutrir ideias, projetos, pessoas cansadas,
partes de si que pedem colo e não palavras.
O carma que carrega não é castigo.
É responsabilidade de alma.
Ela rompe ciclos sem precisar reproduzi-los.
Escolhe conscientemente onde sua energia floresce.
Muitas vezes é incompreendida.
Questionada.
Pressionada a caber em papéis que não lhe pertencem.
Mas sua missão não precisa de explicação,
apenas de fidelidade a si mesma.
Ela ensina que maternar não é apenas gerar,
é sustentar.
É proteger o que é frágil.
É amar sem posse.
A mulher que escolheu não ser mãe
aprende a ser casa.
Para si, para o mundo, para o invisível.
E isso também é sagrado.
In Diário Espírita