Eva Nogueira - Psicologia

Eva Nogueira - Psicologia | Psicóloga Clínica
| Especializada em Terapia Familiar e de Casal
| Agendamento de teleconsulta e

Controlar tornou-se, para muitos de nós, uma forma de sobreviver.Se eu organizar tudo, se eu antecipar tudo, se eu garan...
21/05/2026

Controlar tornou-se, para muitos de nós, uma forma de sobreviver.
Se eu organizar tudo, se eu antecipar tudo, se eu garantir que nada sai do sítio… então posso estar seguro. Então posso estar bem.

Mas há um paradoxo nisto:

quanto mais energia colocamos em gerir o que está fora de nós, menos espaço sobra para sentir o que se passa dentro. E vamos ficando cada vez mais longe de nós próprios - mais rígidos, mais cansados, mais sozinhos.

O controlo não nasce da força. Nasce, quase sempre, do medo. Do medo de que, se largarmos, tudo se desmorone. De que, se confiarmos, possamos ser desiludidos.
Aprender a largar - aos poucos, com segurança - é um dos caminhos mais profundos que conheço de regresso a ti mesmo.
💛 Guarda este post para quando sentires que estás a tentar segurar demasiado.

18/05/2026

A ansiedade tem um mecanismo curioso: não consegue viver com o não-saber.
Quando há silêncio - uma mensagem sem resposta, uma conversa que ficou no ar, uma decisão que ainda não chegou - a mente ansiosa não espera. Preenche. Com suposições, com interpretações, com os piores cenários possíveis.
Não é fraqueza. É o sistema nervoso a tentar proteger-te do inesperado, preparando-te para o pior, para que não sejas apanhad@ de surpresa.
O problema é que muitas vezes sofremos antecipadamente por coisas que nunca chegam realmente a acontecer.
A pergunta que pode fazer diferença não é "o que é que vai correr mal?" É "o que é que eu sei, de facto, neste momento?"
Às vezes, a resposta mais honesta é: muito pouco. E aprender a ficar com isso, sem preencher, é um dos trabalhos mais difíceis e mais libertadores que existe.
💛 Se isto te diz algo, guarda. Pode ser útil da próxima vez que a mente começar a inventar histórias.

Há uma pergunta que faço muitas vezes em consulta - e que quase sempre provoca um silêncio longo:Quando foi a última vez...
14/05/2026

Há uma pergunta que faço muitas vezes em consulta - e que quase sempre provoca um silêncio longo:

Quando foi a última vez que disseste "não quero" sem inventar uma razão para isso?

Para muitas pessoas, dizer não quero parece impossível. Não por falta de vontade, mas porque, algures no caminho, aprenderam que os seus desejos eram perigosos. Que recusar era dececionar. Que dizer não era arriscar o amor, a aprovação, o lugar que ocupavam na vida dos outros.

E então desenvolveram estratégias. Desculpas criativas. Formas de escapar sem ter de se expôr. Porque mentir parecia mais seguro do que ser honesto sobre o que sentiam.

Isto não é fraqueza. É uma adaptação inteligente a um ambiente onde as suas necessidades, em algum momento, não foram bem recebidas.
Mas o custo é alto. Cada vez que dizemos sim quando queremos dizer não, afastamo-nos um pouco mais de nós próprios. E aproximamo-nos um pouco mais do esgotamento, do ressentimento e da sensação de que vivemos uma vida que não é bem a nossa.

Aprender a dizer não quero - simples, direto, sem justificação - é um dos gestos mais radicais de autorespeito que existe. E é também um dos trabalhos mais profundos que fazemos em terapia. 🤍

A medicina moderna salvou milhões de vidas. Isso é inegável e merece ser celebrado.Mas Gabor Maté, em Quando o Corpo Diz...
11/05/2026

A medicina moderna salvou milhões de vidas. Isso é inegável e merece ser celebrado.

Mas Gabor Maté, em Quando o Corpo Diz Não, coloca-nos perante uma perda que raramente é discutida: ao confiar quase exclusivamente em métodos objetivos, tecnologia de diagnóstico e curas científicas, a medicina foi abandonando aquilo que durante séculos foi o seu instrumento mais poderoso - a relação.
A escuta. A presença. A intuição de quem conhece não apenas a doença, mas a pessoa que a carrega.
O chamado efeito placebo não é uma fraqueza do método científico. É uma janela para algo profundo: o corpo humano responde ao cuidado. Responde a sentir-se visto. Responde à confiança de quem o acompanha.

Num sistema de saúde cada vez mais acelerado, fragmentado e protocolizado, vale a pena perguntar: o que estamos a tratar, afinal? A doença ou a pessoa? 🤍

Vivemos a correr.Há qualquer coisa de estranho nisto tudo. Acelerámos os vídeos, as mensagens, as refeições, os percurso...
07/05/2026

Vivemos a correr.
Há qualquer coisa de estranho nisto tudo. Acelerámos os vídeos, as mensagens, as refeições, os percursos. Atravessamos a rua antes do sinal abrir. Respondemos antes de terminar de ler.
E no final do dia, com tudo feito, tudo visto, tudo respondido, a sensação continua a mesma: não foi suficiente. Faltou tempo.

Mas e se o problema não for o tempo?
E se formos nós que já não conseguimos habitar o presente com calma suficiente para sentir que estamos, de facto, a viver?

Esta aceleração não aconteceu de um dia para o outro. Foi gradual. E é tão coletiva que deixou de parecer um problema - parece apenas a vida a acontecer.

Mas o corpo sabe. A ansiedade, o cansaço sem causa, a dificuldade em parar… Estes são sinais de um organismo que foi treinado para correr e já não sabe como descansar.

Desacelerar é, hoje, um ato de resistência. E também, talvez, o caminho de volta a ti.
💛 Guarda este post para releres quando precisares de parar.

Há uma ideia na física que a ciência médica ainda não absorveu por completo: o observador não é neutro. A posição de que...
02/05/2026

Há uma ideia na física que a ciência médica ainda não absorveu por completo: o observador não é neutro. A posição de quem olha influencia o que é observado. E, inevitavelmente, o resultado daquilo que se encontra.
Isto não é apenas uma questão científica. É uma questão profundamente humana.
Quando um clínico olha para alguém e vê apenas uma lista de sintomas, é isso que vai encontrar. Quando olha para uma pessoa com curiosidade genuína, com presença e sem julgamento encontra uma história. Um contexto. Um ser humano complexo que não cabe em nenhum diagnóstico.

A forma como os profissionais de saúde olham para os seus pacientes tem consequências reais, tanto no diagnóstico, como na relação e na própria capacidade de cura.
Mas este princípio não se aplica apenas à medicina. Aplica-se à forma como cada um de nós se olha a si próprio.

O olhar interno que carregamos - muitas vezes herdado de quem nos olhou primeiro na infância - determina aquilo que conseguimos ver em nós. O que aceitamos. O que escondemos. O que acreditamos merecer.

Yalom lembrava-nos que a relação terapêutica é transformadora não pela técnica, mas pelo encontro. E talvez o encontro mais difícil e mais necessário seja sempre o mesmo: o encontro connosco próprios, com um olhar que finalmente não condena. 🤍

Guarda este post. Partilha com quem precisa de um olhar mais gentil -começando pelo seu próprio.

Há uma linguagem que o corpo nunca abandona, mesmo quando aprendemos a ignorá-la.Gabor Maté dedicou décadas a estudar a ...
27/04/2026

Há uma linguagem que o corpo nunca abandona, mesmo quando aprendemos a ignorá-la.

Gabor Maté dedicou décadas a estudar a ligação entre o que não é dito e o que o corpo adoece. E o que encontrou foi perturbador na sua consistência: quando as emoções não têm lugar para ir - quando o medo, a dor e a ansiedade não podem ser expressos, recebidos ou reconhecidos - encontram outro caminho. Instalam-se no corpo. Falam através dele.

Não é punição. Não é fraqueza. É o organismo a fazer aquilo para o qual foi desenhado: sobreviver. Adaptar-se. Encontrar uma saída para o que não tem saída.

Bessel van der Kolk mostrou-nos que o trauma vive nos tecidos, na respiração, na postura, na tensão crónica de quem aprendeu que não era seguro sentir. O corpo guarda o registo de tudo aquilo que a mente aprendeu a arquivar.

E às vezes, o sintoma que mais nos assusta é, afinal, o mensageiro mais honesto que temos.

A terapia começa muitas vezes por aqui - por aprender a ouvir o que o corpo já sabe, com a gentileza que ele nunca recebeu. 🤍

O que é que o teu corpo tem tentado dizer-te que ainda não encontrou palavras?

Guarda este post. Partilha com quem também sente que o corpo fala mais alto do que consegue explicar.

Há crianças que aprendem muito cedo o que nenhuma criança devia ter de aprender: que a sua dor é demasiado para quem as ...
23/04/2026

Há crianças que aprendem muito cedo o que nenhuma criança devia ter de aprender: que a sua dor é demasiado para quem as ama. ✨

Não porque alguém lhes tenha dito isso diretamente. Mas porque pediram colo e encontraram distância. Choraram e foram mandadas calar. Tiveram medo e perceberam que esse medo assustava quem devia protegê-las.

E então fizeram o que as crianças fazem quando não têm alternativa: adaptaram-se. Aprenderam a guardar. A sorrir quando doía. A ser fortes quando precisavam de ser amparadas. A não incomodar. 🛑

Carl Whitaker falava da lealdade invisível que existe nas famílias - a forma como os filhos protegem os pais do seu próprio sofrimento, muitas vezes sem sequer saberem que o fazem.

Esta criança cresce. Torna-se adulta. E continua a guardar - agora nas relações, no trabalho, no corpo tudo aquilo que um dia percebeu que não tinha onde pousar.

A terapia não é apenas um espaço para falar. É o primeiro lugar, para muitas pessoas, onde a dor pode finalmente sair sem pedir desculpa por existir. 🤍

Guarda este post se guardas coisas que nunca soubeste a quem dar. Partilha com quem também aprendeu a ser pequeno/a para caber.

Há uma diferença entre saber que algo nos dói e conseguir dizê-lo.✨Durante anos, muitas pessoas carregam dentro de si ex...
16/04/2026

Há uma diferença entre saber que algo nos dói e conseguir dizê-lo.✨

Durante anos, muitas pessoas carregam dentro de si experiências, emoções e histórias que nunca encontraram um lugar seguro para ser ditas. Não por falta de palavras, mas por falta de espaço. De tempo. De alguém que realmente escute sem julgar, sem apressar, sem resolver antes de compreender.

Bessel van der Kolk mostrou-nos que o trauma vive no corpo. Mas também é pelo corpo - pela voz, pela respiração, pelo tremor de quem finalmente fala - que começa a libertação.

A terapia não é um lugar onde se encontram respostas prontas. É um lugar onde se pode falar até que o nó se desfaça. Devagar. Sem pressa. Com a segurança de que o que sair não vai ser demasiado para quem está do outro lado.

E muitas vezes, é precisamente isso que cura - não a interpretação, não a técnica, mas o simples e profundo ato de ser ouvido de verdade. 🤍

Obrigada, terapia, por criares um espaço onde posso ser inteira, sem máscaras, sem pressa e sem julgamentos. 🌿✨Obrigada ...
13/04/2026

Obrigada, terapia, por criares um espaço onde posso ser inteira, sem máscaras, sem pressa e sem julgamentos. 🌿✨

Obrigada por me mostrares que o silêncio pode ser tão valioso quanto uma palavra, que não ser perfeita é humano, e que entender as minhas emoções começa quando aprendo a nomeá-las e a senti-las. 🧠🤍

A terapia ensina-me pequenas verdades todos os dias:
🔹 Que sentir não é fraqueza 💧
🔹 Que pedir ajuda não é errado 👋
🔹 Que crescer é um processo, não um resultado imediato 🌱

E tu, pelo que gostarias de agradecer à tua terapia? 👇💭

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