Consultório de Psicologia Catarina Jardim Carvalho

Consultório de Psicologia Catarina Jardim Carvalho Avaliação psicológica; Planeamento, monitorização e avaliação da intervenção

No Sorriso Louco das Mães“No sorriso louco das mães batem as levesgotas de chuva. Nas amadascaras loucas batem e batemos...
26/01/2026

No Sorriso Louco das Mães
“No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e órgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo. São
silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos, porque
os filhos estão como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudeza de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível
amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do amor.”

Herberto Helder, in ‘Excerto do poema «Fonte», publicado em A Colher na Boca, 1961’

17/01/2026

Porque é que “todos” os adolescentes de 15 anos têm dificuldades de concentração?

Porque são adolescentes e têm 15 anos. Porque têm a cabeça a funcionar a uma velocidade estonteante e as hormonais aos saltos. Porque têm a tentação de ser um bocadinho multifunções, e estudam enquanto ouvem música, trocam mensagens, dão uma olhadela ao telefone e às redes sociais, e vão até à cozinha para espreitarem uma série qualquer e, quando dão conta, viram três episódios. Porque procrastinam como ninguém enquanto cultivam a ideia que funcionam melhor sob pressão. Porque não acham graça nenhuma a algumas disciplinas e, ao darem por isso, bloqueiam num teste qualquer, sem perceberem muito bem como é que isso aconteceu. Porque ninguém os ensina a estudar e eles se “matam” a puxar pela cabeça duma forma repetitiva e mecânica. Porque vivem a escola numa espécie de atmosfera do género “quero muito mas tenho medo”, o que faz que estejam tensos nas aulas, tensos nas avaliações e, às vezes, tensos nos recreios. Porque mascaram uma auto-estima um bocadinho frágil com uma infinidade de “eu sou capaz!”. Porque vivem agarrados a ecrãs, redes sociais e videojogos e isso lhes dá, mais do que parece, cabo da cabeça. Porque dormem de fugida e gastam uma parte grande na noite a dar apoio a uma amiga ou a trocar mensagens mais ou menos tolas uns com os outros.

É claro que tudo isso é normal e saudável aos 15! Por mais que lhes traga dores de cabeça e algumas trapalhices com a mãe e com o pai. Daí que eles elejam os défices de atenção e as dificuldades de concentração como um diagnóstico por medida. Como se fosse um “defeito de fabrico” e nele se afunilassem todos os motivos das suas dificuldades, como se não houvesse outros motivos para elas, fazendo com isso um bocadinho de vítimas.

Que os adolescentes, aos 15, façam isso não é preocupante. Que os pais e os educadores não reparem no mau uso que eles fazem das suas inacreditáveis capacidades e na sua bondade dêem cobertura a alguisso, sim, é preocupante.

José Luís Peixoto“O que f**a é o que se sente.”
09/01/2026

José Luís Peixoto

“O que f**a é o que se sente.”

Ode à paz“Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza, Pelas aves que voam no olhar de uma criança, Pela limpeza do v...
12/12/2025

Ode à paz
“Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,

Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História, deixa passar a Vida!”
- Natália Correia, em “Poesia completa - Natália Correia”. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1999.

Ode à paz“Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza, Pelas aves que voam no olhar de uma criança, Pela limpeza do v...
12/12/2025

Ode à paz
“Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,

Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
deixa passar a Vida!”
- Natália Correia, em “Poesia completa - Natália Correia”. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1999.

Mário Quintana – “Natal sem Luzes”“As luzes que brilham nas ruasnão são as que importam, afinal.O brilho maior é o do ol...
11/12/2025

Mário Quintana – “Natal sem Luzes”

“As luzes que brilham nas ruas
não são as que importam, afinal.
O brilho maior é o do olhar
de quem acredita no bem real.”

(…) “…saber que estou seguro contigo e contar-te o pior que há em mim e tentar dar-te o meu melhor porque não mereces me...
06/10/2025

(…) “…saber que estou seguro contigo e contar-te o pior que há em mim e tentar dar-te o meu melhor porque não mereces menos…”
(…)
“…e esquecer-me de quem sou e tentar chegar mais perto de ti porque é maravilhoso aprender a conhecer-te e vale bem o esforço e falar mau alemão contigo e pior ainda em hebreu e fazer amor contigo às três da manhã e de alguma maneira de alguma maneira de alguma maneira transmitir algum do esmagador, imortal, irresistível, incondicional, abrangente, preenchedor, desafiante, contínuo e infindável amor que tenho por ti...” Falta - sarah kane

04/10/2025

Há 6 anos soube que tinha um cancro na mama.
A vida mudou.
Pertenço aos 85% de casos para quem a doença não foi uma sentença.

Outubro é o mês da mama. Pesquisem o trabalho que está a ser feito pela equipa da Maria Manuel Mota na GIMM
("Um bom par de mamas requer muita ciência" é um grande slogan!, e precisamos de rir).

Queria dizer duas coisas:
- vigilância e rastreio, detecção precoce faz diferença;
- confiem na ciência; não há medicina em excesso. Eu fujo a 7 pés dos naturalismos e de pessoas que leram duas tretas e acham que os químicos fazem mal à saúde: essas, a mim, fazem-me mesmo muito mal à saúde, tiram-me energia; se há coisa que aprendi é que é preciso escolher onde pomos a atenção e o tempo.

Muita saúde - é o que vos desejo!
As maminhas da imagem são da Georgia O'Keeffe.

(…)All in all there’s something to giveAll in all there’s something to doAll in all there’s something to liveWith you”(…...
18/08/2025

(…)
All in all there’s something to give
All in all there’s something to do
All in all there’s something to live
With you”
(…)

12/08/2025

Aumentam as queixas por discriminação em razão da deficiência e do risco agravado de saúde

No Relatório Anual – 2024 sobre a Prática de Atos Discriminatórios em Razão da deficiência e do Risco Agravado da Saúde, do INR, foi apurado um total de 257 (duzentas e cinquenta e sete) queixas por discriminação em razão da deficiência e risco agravado de saúde (em 2023 foram apresentadas 201 queixas). Este número inclui quer as queixas apresentadas junto do INR, I.P., que perfizeram um total de 77 (setenta e sete), quer as queixas apresentadas diretamente junto das entidades com competências inspetivas, reguladoras ou sancionatórias no âmbito da Lei n.º 46/2006, num total de 180 (cento e oitenta).

Ler artigo completo: https://www.apd.org.pt/aumentam-as-queixas-por-discriminacao-em-razao-da-deficiencia-e-do-risco-agravado-de-saude/

Cláudia R. Sampaioninguém conhece o infinito“A culpa é tua se dizes sempreo mesmo nomese tens sempre a mesma idadee a me...
18/07/2025

Cláudia R. Sampaio

ninguém conhece o infinito

“A culpa é tua se dizes sempre
o mesmo nome
se tens sempre a mesma idade
e a mesma casa, se quando
revelas a tua identidade
é impossível que o céu te exploda
e que te acudas de incertezas
e de novos buracos.
A culpa é tua se ainda não
morreste, se nunca te
atrincheiraste à espera
de uma bomba que te mude os olhos
se nasces sempre no mesmo dia.
Não te aflijas.
Estás sempre a tempo de não
dormires na mesma posição
(com a mão aberta em esmola)

Também me custa
sobreviver a estes dias
mas o que ainda não chegou
é infinito.“

20/06/2025

Endereço

Rua Arquiteto Borges Vinagre, 10, Edifício Pinheiro Manso, 1º Andar, Sala 11
Barcelos
4750-111

Telefone

+351934804058

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