11/05/2016
Sobre o trauma e a intersubjectividade.
Podemos pensar em dois campos de compreensão do traumatismo; com interpretações diferentes do trauma repousando sobre concepção diferente de ligação e da noção de falha. Um campo que privilegia os efeitos subjectivos do traumatismo, sublinhado os sentimentos de culpabilidade, no sujeito que imagina ter participado no levantamento da situação traumática, e mesmo ser responsável. Uma vitima sexual pode pensar que seduziu o seu agressor. Sublinha-se um determinismo masoquista, activo no inconsciente. Orientação inflectida pelo sentimento inconsciente de culpabilidade pré-existente aos factos. Assim, reconhecer tudo isso contribuiria para o afastamento do fantasma de repetição, ajudaria a superar o trauma que provoca necessariamente um trabalho de luto, levando a uma recuperação do conhecimento de si e o desenvolvimento da subjectividade. O outro campo sublinha o carácter desconcertante do traumatismo, sobre a injustiça sofrida. A culpabilidade não é percebida como necessária para a integração do trauma. É considerada como paralisante e dissuadindo o sujeito da sua compreensão.As defesas não são consideradas como negativas, são necessárias. Servirão de linhas de recuperação, pois ainda que inicialmente possam levar a que o sujeito perceba erradamente a sua experiencia, ele já está a pensar. Superado o choque o sujeito encontrará a sua unidade e ai recordará a experiencia, poderá reconstruí- la, transformá-la. (Pedro Manuel, pensando Eiguer)