15/02/2026
Seguimos partidos, sem que pensemos segunda vez nas opções e escolhas feitas.
Seguimos assim, talvez devido a um erro de percepção ou simplesmente pela circunstância de vida que nos faz sentir que já não há tempo para voltar atrás.
Mas a verdade é que quase nunca estamos realmente partidos. Estamos dispersos.
Pois para estarmos realmente partidos seria quando não houvesse possibilidade de reconstrução.
E quando ainda existem pedaços passíveis de reconstrução, seja da memória, intenção e consciência suficientes para reorganizar o que desagregou.
Isto porque o problema não é a quebra.
É a narrativa que criamos depois dela.
Quando um erro acontece, raramente é o erro que nos paralisa.
O que tantas vezes paralisa,
É a interpretação.
É o significado que lhe damos.
É a sentença que decretamos sobre nós próprios.
Confundimos falha com identidade.
Confundimos um momento com um destino.
E é aí que nos mantemos fragmentados.
Há decisões que foram tomadas com os recursos emocionais que tínhamos naquele momento.
Com a maturidade que existia.
Com o medo que estava ativo.
Com a necessidade de sobrevivência que falava mais alto do que a lucidez.
Julgar o passado com a consciência de hoje é intelectualmente confortável, mas emocionalmente injusto.
Talvez não estejamos partidos.
Talvez estejamos apenas a precisar de integrar.
Integrar o erro como aprendizagem.
Integrar a perda como ajuste.
Integrar a dor como informação.
Porque a vida não nos quebra para nos destruir.
Quebra-nos para nos mostrar onde está a tensão acumulada.
E sempre que existe consciência, existe reorganização possível.
O que se partiu pode não voltar ao formato anterior.
Mas pode tornar-se mais verdadeiro.
Mais alinhado.
Mais inteiro por dentro, mesmo que diferente por fora.
A questão não é se estamos partidos.
A questão é se estamos disponíveis para recolher os nossos próprios pedaços sem vergonha e sem dramatização.
Recolher.
Observar.
Aprender.
Reorganizar.
E seguir.
Não como quem ignora o que aconteceu.
Mas como quem transforma a fragmentação em maturidade.