22/05/2026
A demência não é poesia esquecida nem um regresso doce à infância. Não é feita de “momentos ternos” ou distrações inocentes.
A demência é perda. É confusão. É medo. É uma despedida lenta que acontece todos os dias, para quem vive o diagnóstico e para quem ama.
Romantizar a demência é apagar a dor silenciosa das famílias que acordam sem saber como será o dia. É ignorar o cansaço de quem cuida, a culpa, a exaustão e o luto vivido em vida.
Acompanhar famílias no domicílio exige mais do que conhecimento técnico.Exige compaixão verdadeira. É preciso ser porto seguro quando tudo parece desmoronar. Ser abrigo no meio da angústia. Ser orientação quando o caminho se torna confuso.
Porque, muitas vezes, o maior cuidado não está em acompanhar de x a y, mas em permanecer. Numa mensagem ou numa chamada.
Em lembrar aquela família que ela não está sozinha.
Esse é o caminho da Cem Anos: permanecer.