24/07/2025
Sábado, 26 de Julho, contamos contigo 🌷
Sábado volto ao relvado. Um regresso simbólico, ridículo até: cinco, dez minutos, o que for, de correria descoordenada, músculos a protestar, orgulho a tentar manter-se de pé. Não é por desporto; é pela Maria Flor. Uma menina de Esposende com um nome que parece inventado por alguém que ainda acredita em beleza.
Sábado estarei lá. Primeiro a assinar livros, às 14h30. Vou sorrir, escrever dedicatórias, fingir que a vaidade não me sabe bem. Vai haver livros à venda, claro. Cada exemplar é um gesto, um centímetro de esperança: uma forma de transformar papel em tratamento. Depois, calço as chuteiras. Vou juntar-me ao Torneio Solidário. Vou correr, vou cair, vou falhar passes, vou parecer patético. Tudo isso terá valor. No meio do riso e da trapalhice, estaremos a cuidar, em vez de olhar para o lado.
Não me venham dizer que não podem, que estão cansados, que está muito calor, que não dá jeito. A Maria Flor não pediu para ser mártir. Pediu para viver. Viver devia ser o ponto de partida — não uma meta longínqua. Venham. Venham ver-me tropeçar, suar, ser ridículo. Venham rir-se de mim, se quiserem. Mas venham. Naquele relvado, naquele dia, a gargalhada será uma pequena vingança contra o absurdo de cada doença que afecta uma criança. Cada passo, mesmo desastrado, será um passo mais perto de um futuro possível para ela. Ela merece.