
13/08/2025
O meu filho pediu-me para trocar de escola.
Sem reclamar. Sem chorar. Sem drama.
Apenas se sentou na minha frente e disse, quase num sussurro:
— Posso estudar noutro lugar?
Perguntei se tinha acontecido alguma coisa.
Disse que não.
Perguntei se não se sentia confortável.
Disse que não sabia.
Perguntei se alguém o fazia sentir mal.
E ele ficou em silêncio.
Não dormi naquela noite.
No dia seguinte, sem o avisar, fui à escola.
Disse que tinha documentos para entregar.
Mas fiquei.
Esperei no recreio.
E vi.
Lá estava ele, sentado sozinho, num canto do pátio.
Cabeça baixa. Joelhos juntos. Olhar no chão.
Algumas crianças passaram.
Uma deu-lhe um empurrão “de brincadeira” — mas eu sabia que não era.
Outra arrancou-lhe o boné e atirou-o contra a parede.
Um grupo de meninas apontou para o uniforme e riu.
Ele não reagiu.
Ficou parado, como se já soubesse que ninguém iria fazer nada.
Mas o pior não foi isso.
O pior foi ver uma professora assistindo a tudo…
e não dizer uma palavra.
Nem uma.
Apenas cruzou os braços, desviou o olhar e seguiu o caminho.
Escrevi para a escola.
Expliquei que meu filho havia dito que alguns colegas o provocavam.
Que escondiam as suas coisas na sala.
Que o imitavam nos corredores.
Que lhe davam apelidos.
“Nós tratamos disso”, responderam.
Mas não trataram.
Deixaram-no sozinho.
Naquela tarde, quando chegou em casa, perguntou se eu já tinha pensado na mudança.
Respondi que sim.
E que já estava feita.
Ele não pediu explicações.
Apenas tirou a mochila das costas com um suspiro…
como quem deixa cair uma pedra que carregou por muito tempo no peito.
Hoje, estuda noutro lugar.
Não mais bonito. Não mais caro.
Apenas mais humano.
Onde o veem.
Onde o ouvem.
Onde não precisa fingir que está tudo bem… para ser deixado em paz.
Porque uma criança não pede para trocar de escola por capricho.
Pede quando já não aguenta mais.
E o mais triste… não é o que os colegas fazem.
É o que os adultos — que deveriam protegê-la — deixam de fazer.
Autor desconhecido
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