18/03/2026
A fibromialgia pode afetar diversas partes do corpo além dos músculos e articulações, incluindo os olhos. Embora esse aspecto seja pouco discutido, alterações oculares e sintomas visuais são relatados com frequência por pessoas que convivem com a condição.
Entre as queixas mais comuns estão sensação de olhos secos, ardência, coceira, vermelhidão e desconforto ao piscar. A síndrome do olho seco pode estar associada à disfunção do sistema nervoso autônomo, que participa da regulação da produção lacrimal. Como a fibromialgia envolve alterações na modulação neurológica, essa desregulação pode contribuir para redução ou instabilidade da lágrima, gerando irritação persistente.
A fotossensibilidade também é frequente. A luz intensa pode causar dor, desconforto e até desencadear piora da cefaleia. Esse fenômeno está relacionado à hipersensibilidade do sistema nervoso central, característica da sensibilização central observada na fibromialgia. O cérebro passa a interpretar estímulos luminosos como excessivos ou ameaçadores, mesmo quando são toleráveis para outras pessoas.
Algumas pessoas relatam visão turva intermitente, dificuldade para manter o foco por longos períodos e sensação de pressão ao redor dos olhos. A fadiga ocular pode se manifestar com mais intensidade após leitura, uso prolongado de telas ou esforço visual contínuo. Além disso, a dor facial e na região do maxilar — comum na fibromialgia — pode irradiar para a área ao redor dos olhos, aumentando a sensação de desconforto.
Alterações no sono e fadiga crônica também influenciam a saúde ocular. Noites mal dormidas reduzem a lubrificação natural dos olhos e intensificam a sensação de peso e irritação. A tensão muscular na região cervical e craniana pode contribuir para cefaleias tensionais que afetam a área orbital.
Embora exames oftalmológicos muitas vezes não revelem alterações estruturais significativas, os sintomas são reais e impactam a qualidade de vida. O acompanhamento médico adequado é importante para descartar outras condições e orientar medidas como lubrificantes oculares, controle da exposição à luz intensa e ajustes ergonômicos no uso de telas.
Portanto, os olhos também podem ser afetados pela fibromialgia, refletindo a natureza sistêmica e neurossensorial da condição, que vai além da dor musculoesquelética e envolve múltiplos sistemas do organismo.