
10/10/2024
IT IS TIME TO PRIORITIZE MENTAL HEALTH IN THE WORKPLACE
Dia Mundial da Saúde Mental enfatiza ação no local de trabalho, seguindo o lema destacado pela Organização Mundial de Saúde (O.M.S.) para este ano.
A O.M.S. inclui, desde 2019, o Burnout na sua lista de doenças. O anglicismo “burnout” funciona bem, porque “ficar queimado” descreve melhor o fenómeno de exaustão física e mental provocado por stressores profissionais do que simplesmente estar esgostado.
O discurso médico sobre o burnout não deve servir como um processo de legitimar a doença, fugindo ao estigma da doença mental. A definição da doença tem a óbvia vantagem de considerar a responsabilidade do ambiente profissional, mas as condições de trabalho e as hipotéticas vulnerabilidades individuais não esgotam o fenómeno.
Não raras vezes, assistimos a uma situação paradoxal em que o explorador e o explorado coincidem na mesma pessoa, num processo de autocombustão que merece análise existencial. O trabalho é um factor de sobrevivência, mas, se for só isso, em vez de benéfico pode prejudicar a biologia do indivíduo.
O reconhecimento pela O.M.S. de que as condições de trabalho podem contribuir para comprometer a saúde mental implica uma reflexão sobre os valores filosóficos da maximização do desempenho (a todo o custo) e da própria organização política da sociedade.
As feridas abertas reclamam cicatrização. O burnout poderá, afinal, ser uma saudável comichão.