08/05/2026
A RELAÇÃO MAIS TÓXICA – Parte I
A minha cliente passou por uma relação difícil e, como consequência, ficou em estado depressivo.
Decidiu procurar ajuda, achou que seria positivo colocar-se nas mãos de um profissional.
Procurou por um consultório de psicologia, o problema é que foi bater à porta um homem extremamente tóxico!
Um homem traumatizado e cheio de carências afetivas. Por incrível que seja, um homem com essas características dedica-se a ajudar os outros, quando não se ajuda a ele próprio!
No decorrer das várias sessões ele dedicou-se a seduzir a minha cliente. Ela, nas suas carências, rapidamente esqueceu a história de amor que dilacerou o seu coração e apaixonou-se pelo profissional.
Desde de então, envolveu-se numa relação turbulenta com ele.
As carências afetivas de ambos fadaram o destino da relação! Ela acreditou que poderia desenvolver uma relação saudável com aquele homem, mas não foi assim! Ele tem atitudes frias e distantes (o que provoca bastante angustia nela) mas, de vez em quando, encontra-se fisicamente e envolvem-se sexualmente.
O problema é que ela ficou dependente emocional desse homem e não consegue cortar vínculos.
Ela tem consciência que ele é tóxico, mas isso não serve para tomar uma atitude. “Quando surgir alguém especial termino com esta situação, conforta-se a ela própria! Afinal, essa forma de agir já se tornou um hábito na vida dessa mulher. Ela também usou esse homem para esquecer o amor anterior.
Ela diz que pretende continuar na “relação” pois considera que ele, no fundo, necessita da sua presença. Ou seja, ela observa-se nesta história como uma espécie de amante/amiga mas também como uma “mãe de caridade”.
O que dizem as malditas cartas (parafraseando Camelia Elias) em relação a esta questão?
Poderá a minha cliente afastar-se desse homem?
A RELAÇÃO MAIS TÓXICA – Parte II
SITUAÇÃO: Rainha de Ouros
A cliente surge aqui numa posição muito típica da Rainha de Ouros: Alguém cuidadora, leal e profundamente ligada ao plano concreto da relação.
Tendo em conta o naipe de ouros, indica que esta rainha não vive paixões “aéreas”. Fundamentalmente, ela cria raízes. Alimenta. Sustenta. Dá corpo ao vínculo.
O baralho é exemplar e o facto de (aleatoriamente) ter escolhida essa rainha, revela um detalhe muito importante: a Rainha de Ouros, quando fragilizada, pode cair no papel de “cuidadora sacrificial”. Ou seja: tolera mais do que devia;
racionaliza comportamentos abusivos; acredita que, com amor, estabilidade e compreensão, conseguirá “curar” o outro; confunde intensidade emocional com profundidade afetiva.
Numa pergunta sobre dependência emocional e manipulação, esta carta deixa transparecer sobretudo a vulnerabilidade da cliente nessa vertente.
Mas também se torna compreensível, afinal ela está “presa” ao vínculo através da necessidade de segurança (emocional).
MOVIMENTO: Cavaleiro de Copas
Aqui o baralho enfatiza o motor da relação!
O Cavaleiro de Copas é sedução emocional em movimento.
Encanto. Idealização. Promessas subtis. Ambiguidade afetiva.
É uma carta extremamente compatível com alguém que sabe dizer exatamente o que o outro precisa ouvir; cria atmosfera emocional; alimenta fantasias românticas; aproxima-se e afasta-se de forma envolvente.
Num contexto terapêutico, isto ganha um peso ainda mais delicado, porque o psicólogo ocupa simbolicamente uma posição de autoridade emocional!
A transferência afetiva já é, por si só, um fenómeno conhecido em psicoterapia. Quando alguém alimenta essa vertente de forma conscientemente para benefício próprio, a dinâmica pode tornar-se profundamente destrutiva!
O Cavaleiro de Copas raramente fala de estabilidade.
Fala, sobretudo, de circulação emocional.
Ou seja: a relação entre os dois tem continuidade, mas através de ciclos emocionais intensos, ambíguos e altamente dependentes da validação afetiva.
No fundo, parece que os dois tornaram-se dependentes emocionais um do outro. Mesmo que exista alternância entre proximidade e distância; romantização da dor; dependência emocional crescente… A tendência será eles continuarem juntos.
RESULTADO: Rei de Espadas
Esta carta muda completamente o tom da leitura.
O Rei de Espadas é frio, racional, controlador e emocionalmente distante.
É alguém que privilegia a mente (a racionalidade) sobre o coração.
Existe aqui duas formas de interpretação em relação ao destino final da relação:
1. O homem revela finalmente a sua verdadeira natureza e a cliente afasta-se com o coração partido.
Assim, o percurso seria: ela investe de forma constante na relação (Rainha de Ouros); Ele mantém a dinâmica sedutora e emocionalmente viciante (Cavaleiro de Copas); No fim, prevalece a frieza estratégica e o controlo gélido da parte daquele homem (Rei de Espadas).
Ou seja: a relação deixa de parecer romântica e revela-se estruturalmente desigual.
O Rei de Espadas pode representar distanciamento emocional; manipulação intelectual; corte frio; racionalização cruel; superioridade psicológica…
2. A cliente acaba, finalmente, por recuperar lucidez em relação a esta situação (Rei de Espadas)!
Esta seria a leitura mais positiva, mas, provavelmente, aquela que menos hipóteses tem de se manifestar.
O Rei de Espadas também pode simbolizar clareza mental; corte racional; perceção objetiva da situação; libertação através da consciência.
Mas, para isso acontecer, normalmente teria de existir uma quebra da idealização representada pelo Cavaleiro de Copas.
Esse tipo de situação não está presente nesta Mesa (Spread) e a cliente foge a esse tipo de discernimento.
Mas também é compreensível! Afinal, ela está emocionalmente enraizada e vulnerável.
A tendência será a relação continuar através da sedução emocional e dependência afetiva (de ambos).
O desfecho tende para a frieza (última carta), controlo e desequilíbrio de poder.
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