02/02/2026
👧Fiz noutro dia, estas sondagens nos stories, para ver que ideias podem algumas pessoas ter, sobre o que é a terapia com crianças (agradeço imenso a quem respondeu 🫵) e agora venho falar-vos um pouco sobre isso
👧 Nos meus tempos de estágio, fui varias vezes apanhada a catar brinquedos do chão, com plasticina nas unhas, tinta na cara e outros que tais. Ficava às vezes constrangida, a pensar, o que estariam os meus colegas e superiores (não psis) a achar sobre tudo aquilo. "O teu trabalho é jogar ao Uno?", ouvi eu várias vezes. E ainda oiço, mas hoje já me estou a 💩
👧 O br**car é a ferramenta mais poderosa e ef**az no trabalho psicoterapêutico com a criança, e é uma linguagem em si, que nem sempre carece de palavras ou tradução. Através da maneira como br**ca, a criança mostra-nos como pensa, como sente, o que habita o seu mundo interno, em que direções está a sua personalidade a constituir-se, e o que pode o terapeuta fazer para ajudar
👧 O jogo simbólico não é sempre uma tradução literal da realidade da criança, e nem sempre as ações das personagens traduzem exatamente as ações dos adultos signif**ativos que compõem o ambiente da criança. Muitas vezes, durante o jogo simbólico, estão em campo conflitos internos e partes da incipiente personalidade da criança, em interação umas com as outras e com o terapeuta. Não muito diferente da terapia com o adulto, por exemplo
👧 Nada contra a estrutura e ordem, que é por vezes necessárias e benvinda. Mas aquilo que observo é que o excesso de estrutura nas sessões com crianças.... as fichas, os livros e a cartas sobre sentimentos que no fundo vêm tentar conduzir a linguagem das sessões para o plano verbal... servem muitas mais para tranquilizar o terapeuta e garantir-lhe que está a "trabalhar de verdade", do que para benefício das terapias propriamente ditas. É preciso saber manejar a linguagem do br**car, e nem todas as pessoas sabem ou querem fazê-lo
👧 O método da livre associação de ideias e a técnica do br**car, deixam o terapeuta por vezes em lugares inesperados, desconhecidos e imprevistos, onde a compreensão nem sempre é imediata. E isto tem tanto de inquietante como de fascinante 💫