10/01/2026
Muitas pessoas estão encarnadas sem que o foco desta vida seja o desenvolvimento espiritual. Vieram para viver a matéria, experimentar o corpo, o trabalho, o esforço, as relações, os prazeres, os desafios e as conquistas do mundo físico. E isso não é um erro nem um atraso evolutivo. A matéria também é escola.
A Terra é um plano denso onde se aprende através da experiência concreta: construir, perder, desejar, frustrar-se, realizar, cair e levantar. Para algumas almas, o crescimento acontece precisamente aí, no contacto direto com a vida material, e não através da espiritualidade consciente.
A ideia de que todos deveriam despertar espiritualmente nesta vida é uma visão recente e, muitas vezes, idealizada. Cada encarnação tem um propósito diferente, e nem todas as almas vieram meditar, curar ou buscar consciência expandida.
Algumas vieram fortalecer o ego, desenvolver identidade, aprender limites, usufruir do prazer, lidar com poder, dinheiro e responsabilidade. Isso também é evolução, mesmo que não tenha uma linguagem espiritual.
A espiritualidade não é uma obrigação, nem um caminho que possa ser imposto. Forçar despertar em quem não veio para isso gera resistência, conflito e sofrimento.
Cada alma tem o seu ritmo, o seu contrato e o seu tempo. Algumas despertam apenas no fim da vida, outras através da dor, outras noutras encarnações, e algumas simplesmente não despertam neste ciclo. E está tudo certo.
A verdadeira maturidade espiritual não está em convencer, ensinar ou salvar ninguém, mas em respeitar o livre-arbítrio, não julgar e viver a própria verdade com coerência.
Curiosamente, isso é espiritualidade no seu estado mais puro. Quem percebe isto costuma sentir-se deslocado num mundo muito material, mas a sua missão não é acordar todos, e sim viver alinhado consigo mesmo. Quem tiver de ressoar, aproxima-se.