24/01/2026
Na idade média, a Igreja liderou uma grande investida contra mulheres que de alguma forma haviam ferido as expectativas sociais, políticas e religiosas.
Essas mulheres de mãos sábias, olhar antigo, que conheciam a linguagem das plantas, o ritmo da lua, o silêncio necessário para escutar a terra, que curavam não só o corpo, mas a alma, com ervas, rezas, gestos e presença. Não aprendiam em livros, aprendiam com a vida. A sua ciência era passada de boca em boca, de avó para neta, de mestra para aprendiz, como um fio invisível de conhecimento ancestral. Mas essa sabedoria assustava. E o medo transformou-se em ódio.
A Igreja criou então o Tribunal do Santo Ofício (Inquisição) para impedir que essas mulheres que supostamente estavam desviadas dos ensinamentos cristãos deixassem a instituição, utilizando-se para isso de variados mecanismos de perseguição e punição.
A igreja, o rei, o poder instituído olharam para essas mulheres livres e viram ameaça. Chamaram bruxaria aquilo que era cura, heresia ao que era amor pela vida e pela natureza. E veio a necessidade de controlar o que não se compreendia, de silenciar o que não se podia dominar.
As mulheres seriam o grupo mais acusado. Eram curandeiras que preservavam a natureza como quem protege um filho. Que conheciam as ervas pelo nome e pelo espírito. Que curavam aldeias inteiras. Que caminhavam descalças para sentir a terra e falavam com o vento como quem fala com um velho amigo, eram perseguidas, acusadas de feitiçaria, de desobediência.
Normalmente mais pobres e vulneráveis, ou viúvas, que tentavam sobreviver produzindo remédios de ervas, ou então muito belas, que despertavam desejos não correspondidos em homens poderosos, eram denunciadas por praticar bruxaria ou ter um pacto com o demónio.
Calcula-se que cerca de 100.000 mulheres podem ter sido executadas, queimadas na fogueira ou, estranguladas.
Progressivamente, esses julgamentos diminuíram até que, no séc. XVIII, eles cessaram. Pelo menos é o que dizem. Mas sabemos que cada vez que alguém honra a natureza, as ervas, o corpo, a intuição, ele respira outra vez, e nos dias de hoje o termo “BRUXA” ainda é olhado de forma preconceituosa.
Com Magia
Bruxa das Matas