22/02/2026
Quando a água sobe
(a solidariedade tem de subir mais)
jornal Público 21/02/2025
Integrar a saúde na arquitetura da proteção civil é uma exigência necessária. Em contexto de calamidade, as desigualdades ampliam-se.
As sucessivas intempéries que têm atingido Portugal deixaram de ser excecionais. Cheias, tempestades, ondas de calor e incêndios são hoje uma realidade recorrente. Não são apenas fenómenos meteorológicos. São acontecimentos com impacto direto na vida das pessoas e na organização dos cuidados de saúde.
Cada evento não se mede apenas em milímetros de precipitação, em intensidade do vento, áreas ardidas ou em infraestruturas danif**adas. Mede-se em famílias desalojadas, em idosos isolados, em doentes crónicos descompensados, em tratamentos interrompidos e em comunidades fragilizadas. Mede-se também na ansiedade coletiva, na incerteza e na perda de segurança quotidiana. A calamidade pode terminar no boletim meteorológico, mas prolonga-se na vida concreta das pessoas.
Em muitos territórios é necessário reforçar equipas de saúde, reorganizar serviços e garantir resposta clínica adequada. O empenho dos médicos e das equipas, em articulação com a proteção civil e as autarquias, tem sido determinante para assegurar cuidados com qualidade e segurança.
Mas seria um erro limitar a análise ao momento imediato. A experiência clínica demonstra que os efeitos são frequentemente diferidos e silenciosos. (…) continua aqui: https://www.publico.pt/2026/02/21/opiniao/opiniao/agua-sobe-2165514