01/05/2026
Neste Dia Mundial do Trabalhador, há uma questão que se impõe: por que razão trabalhamos?
Segundo Jacques Lacan, que reinterpreta Sigmund Freud, o trabalho não é apenas uma resposta às nossas necessidades.
Evidentemente, trabalhamos para viver, ou seja, para garantir o sustento, a estabilidade e a segurança. A necessidade, por si só, não é uma justificação completa.
Existe outro fator igualmente importante: o desejo.
Queremos reconhecimento, identidade, um lugar no mundo.
Procuramos ser vistos e valorizados pelo que fazemos. O trabalho torna-se, assim, um espaço simbólico onde tentamos dar sentido às nossas vidas.
Segundo Lacan, todos temos uma falta estrutural ou, por outras palavras, existe algo em nós que nunca se completa, totalmente, e é isso que nos impulsiona.
O problema é que o trabalho, por mais conquistas e reconhecimento que proporcione, nunca consegue colmatar esse vazio de forma definitiva. Esse vazio leva à repetição: mais esforço, mais ambição, mais procura... mas nada é suficiente.
Quando o trabalho deixa de ser apenas necessário e passa a ser a principal forma de dar sentido à vida, pode também transformar-se numa fonte constante de insatisfação.
A pergunta mantém-se: trabalhamos por necessidade, por desejo ou por falta?
Talvez a resposta seja: por todos eles, em simultâneo.
O verdadeiro desafio é aprender a trabalhar sem esperar que o trabalho nos complete.
Cuide de Si!