12/01/2026
Há pessoas que continuam, sem saber porquê, que se levantam diariamente mesmo sem sentir nada, que aguentam mais um dia mesmo sem esperança.
Carregam dor e cansaço. E também vergonha. Vergonha de não conseguirem ser e sentir diferente. Sentem-se fracas.
Parece que só é válido continuar quando existe motivação ou esperança. Como se a força tivesse sempre de vir acompanhada de entusiasmo ou sentido. Mas na prática clínica, vemos algo muito diferente: a falta de esperança não signif**a ausência de força.
Continuar quando não se sente esperança não é estar bem. É estar vivo(a). É fazer algo que, embora possa não melhorar nada, ajude a não tornar a vivência pior.
A depressão, o burnout e a exaustão emocional não retiram apenas a energia, retiram a capacidade de imaginar um futuro diferente. E quando o futuro parece não apresentar nada de novo, continuar é um ato profundamente corajoso.
Às vezes, a força não se manifesta nas grandes decisões, mudanças ou conquistas. Manifesta-se em gestos simples, pequenos e quase invisíveis:
- levantar-se da cama
- tomar a medicação
- vir à uma consulta
- responder a uma mensagem
- ir à caixa de correio
- comer uma sopa
- tomar um banho
Não desistir de si, mesmo sem saber como cuidar de si não é fracasso. É resistência silenciosa.
A “força” não volta quando voltamos a sentir esperança. Muitas vezes, a esperança só nasce de pequenos passos e porque a pessoa continuou, mesmo sem vontade.
Se hoje não sentes esperança, mas continuas, queremos que saibas isto:
O teu corpo está a fazer um trabalho imenso para te manter. A tua mente não está fraca. Está cansada. E a tua continuidade tem valor, mesmo que te sintas vazio(a).
E não vai ser sempre assim. Estás a viver um capítulo da tua história em que sobreviver se tornou na tua maior força.
E isso também merece ser visto💚