24/01/2026
💪❤️
ela tentou.
fod@-se, ela tentou.
pendurou as asas no cabide,
vestiu o avental emocional,
aprendeu a cozinhar silêncios
a engolir vontades com vinho barato.
ele dizia:
“senta.”
e ela sentava.
“não faças barulho.”
e ela tornava-se sussurro.
“não sejas tanto.”
e ela amputava pedaços do peito
como quem corta unhas.
queria ser amada
mas o amor que nos pede menos
é uma forma bonita de morrer devagar.
era borboleta, car@lho.
quis ser canário de sala.
ficar ali,
presa,
no poleiro emocional de um id**ta
que não sabia a diferença
entre cuidar e possuir.
tentou sorrir com os olhos secos,
tentou fazer da gaiola um lar,
tentou fazer da prisão uma escolha.
um dia,
ao limpar o chão dos restos do que já não era,
sentiu cócegas nas costas:
as asas ainda estavam lá.
fumou um cigarro,
bebeu um gole,
pensou:
que se fod@.
abriu a janela,
voou sem destino,
nunca mais pediu licença para ser.
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