21/01/2026
Algures numa banda desenhada de 𝑃𝑒𝑎𝑛𝑢𝑡𝑠, surge a seguinte questão: "E se não houver o amanhã, você foi feliz hoje?".
Comentamos muito a rapidez do tempo, mas, muitas vezes, pouco fazemos para mudar a forma como o vivemos. Alimentamo-nos de vidas alheias, do próximo cochicho, do próximo escândalo, do próximo diz-que-disse, numa aflição desenfreada que nos alimente o ego, o sentirmo-nos superiores, sentirmo-nos melhores, sentirmo-nos mais bons cidadãos, mais preocupados, mais boas pessoas, mais, mais, mais... É fácil ver de fora e apontar o dedo, é fácil falar-se e opinar-se sobre vidas alheias e desconhecidas, como se as conhecêssemos como a palma das mãos... quando, muitas vezes, nem a nossa conhecemos. É fácil passar tanto tempo a comentar o que não nos pertence, que nos esquecemos do que de facto nos pertence. Como também é fácil o oposto... duvidar, questionar, deixar de viver e fazer, porque pode sempre haver alguém a ver. E, lamentavelmente, como seres imperfeitos e falaciosos que somos, sabemos que podemos errar, sabemos que nem sempre vamos agir da forma que achamos correta, sabemos que podemos meter um pé em falso. E temos medo, temos receio, não só de falhar, mas de que os outros vejam a nossa queda. Que julguem, que falem, que pensem. E, por isso, ficamos... ficamos no mesmo sítio... não arriscamos, não erramos, não fazemos asneiras, não vivemos. É fácil olhar para fora, é difícil olhar para dentro. É fácil falar das quedas, é difícil esticar uma mão para ajudar a levantar.
Num mundo de comparações, de egos, e de aparências, que nos perguntemos mais vezes o que estamos a fazer dos nossos dias. Ainda que, com medo, tentemos ser autênticos, ser nós. Vai doer, vai magoar, vai parecer que não vale a pena, mas depois vai vir a leveza, a felicidade e a descoberta.
"E se não houver o amanhã, você foi feliz hoje?" ❤️