11/09/2025
" Tu nem sabes o que é ter infância."
Foi esta a frase que a minha filha ouviu há uns tempos de um colega da sua idade.
Porque não tem telemóvel, nem consolas de jogos, nem tablet.
Porque os seus ecrãs têm tempo e supervisão, assim como os conteúdos a que têm acesso.
Ela ouviu, sentiu-se triste e pensou:
Será que não sei mesmo o que é ter infância?
Nesse dia falou-me desse episódio e então sentámo-nos para conversar.
Falei-lhe do valor das conversas que temos, dos muitos livros que lê, da música que passa na rádio da escola, das peças do clube de teatro em que participa, das aventuras nos escoteiros, da natação e do Aikido que pratica, da alegria que sente na cozinha, da liberdade com que ainda br**ca,...
E recordei-lhe: Infância não é ter um mundo na palma da mão. É ter o mundo aos pés para explorar.
Hoje, confundimos infância com acesso a tudo. Mas acesso sem acompanhamento, sem tempo de qualidade, sem presença, não é liberdade — é abandono digital.
A infância precisa de chão, não de wi-fi.
Precisa de olhos nos olhos, de mãos e roupas sujas, de tempo que não se mede em notificações e likes.
Educar assim, de forma consciente, dá trabalho.
Dá mais trabalho do que calar uma birra com um tablet.
Dá mais trabalho do que entreter com YouTube ou TikTok.
Mas também dá frutos...
Frutos de presença, criatividade, vínculo, segurança.
Frutos de uma infância vivida, não consumida.
Para todos os pais e mães que nadam contra a maré:
Não é fácil.
Mas é possível.
E eu acredito que vale cada segundo.