13/03/2026
O excesso de peso e a obesidade são hoje um dos maiores desafios de saúde pública.
Os estudos sobre a complexidade multifatorial é, cada vez mais, um abrir de olhos para todos.
Em Portugal, mais de metade dos adultos tem excesso de peso e quase um terço das crianças apresenta esta condição. Quem trabalha diariamente com crianças sabe que estes números são reais e que temos de agarrar cada pequeno gesto como uma oportunidade. Porque contam. Porque podem fazer a diferença.
Para mim, ter sido voluntária da Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil na semana passada (numa altura em que várias atividades tiveram lugar, documentos foram publicados e outros eventos trouxeram para discussão esta problemática) foi especialmente significativo. Na verdade, este é um tema que continua (e deve continuar) no centro da atenção de muitos, todos os dias.
📚 Por isso, ler o livro “Mamã, o que é a obesidade?” no contexto das celebrações do Dia Mundial da Obesidade tem um significado especial. Sei o que é sentir o estigma desde a infância, sei o impacto que isso pode ter e, por isso, a Mão na Nutrição procura sempre trazer a componente lúdica para a (re)educação alimentar.
Já li este livro fora destas datas comemorativas a outros grupos desde que foi publicado (e vou continuar a fazê-lo) e, de facto, gera sempre reflexões importantes. Paramos no tempo em cada palavra e em cada grupo que olhamos enquanto o lemos. A quem ainda não o conhece, convido a lê-lo (e a relê-lo as vezes que forem precisas) com famílias, educadores e crianças. Porque as mensagens que transporta podem ser um dos pequenos grandes passos que ajudam muitos numa luta que é, inevitavelmente, multidisciplinar e familiar.
Promover saúde não é apenas prevenir e tratar a doença. É também reconhecer o nosso papel no estigma que existe à volta desta doença crónica. Ignorar isso, sejamos nutricionistas na área pediátrica e escolar, em outras áreas da nutrição ou outros profissionais de saúde, é dar um passo atrás na sensibilidade e no respeito que a evidência científica hoje já nos ensina que é urgente ter, defender e divulgar.
🤍 O meu desejo é que este livro, e outras ações como esta, ajudem quem tanto quer ajudar e, ainda mais, quem precisa daquele empurrāozinho e quer ser ajudado, mas ainda não teve coragem. Porque só quem luta todos dias contra esta doença sabe o desafio que ela representa (e o peso invisível que carrega).
Trabalhar, de mãos dadas, com iniciativas e entidades que fazem a diferença será sempre um pilar da Mão na Nutrição.
E para terminar só deixo este excerto de José Saramago "E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos?"