05/01/2026
Para início de ano, quero começar com este tema.
No outro dia falava com uma cliente de longa data que, aplicando todas as estratégias ensinadas e encontrando outras pelo caminho, pela dedicação que teve no seu processo de melhoria e recuperação de um quadro de ansiedade generalizada e agorafobia, que acabava por agravar e precipitar crises de intestino irritável e, posteriormente, um síndrome vertiginoso - está agora num processo de follow up e prevenção de recaídas.
É incrível ver os resultados quando a pessoa se empenha mesmo no processo e aplica as recomendações fora da terapia, pelo tempo necessário até a mudança poder acontecer - e esse tempo podem mesmo ser anos, principalmente quando o problema tem uma vida. Só assim pode funcionar o trabalho que fazemos. Mas isto para dizer que ensinamos muito técnicas e estratégias para regular o campo emocional, reduzir stress e ansiedade e criar um estado de segurança interna. Após esta aprendizagem e conquista, como em tudo, há que manter.
Então a mensagem que gostaria de deixar hoje é esta: se não estão em modo de segurança a maior parte do tempo, signif**a que estão em modo de luta ou de fuga, ou então colapso. São os três modos do nosso sistema nervoso. E eu bem sei que 90% do tempo e da população estará maioritariamente no modo de luta ou fuga, entrando ou estando em risco de entrar no modo colapso (burnout). Neste caso, e sei que fomos programados consistentemente para estar no modo luta ou fuga - estado de alerta constante, medo de falhar, ansiedade antecipatória, etc. - a grande conquista nos tempos que correm com o conhecimento que temos hoje, é mesmo sairmos desse "default mode" e irmos para um que é criado conscientemente: o modo de segurança interna.
Não é algo que aconteça naturalmente - só quando os astros se alinham e temos a vida mais ou menos organizada e tranquila - mas mal de nós dependermos só das circunstâncias externas para estar bem, pois nem sempre temos a vida em ordem. A ideia é a segurança vir, primordialmente, de dentro.
Sei que não o conseguimos fazer sem treino, e é isso que vos proponho: se esse estado vos foge e não sabem como criá-lo, pois muitos nunca nem lá estiveram, que aprendam a criá-lo e, depois a mantê-lo. Isso é, em essência, aquilo que mais precisamos de fazer pela nossa saúde mental e o que nós, psicólogos ou psicoterapeutas, temos como objetivo: não só ensino de estratégias de regulação emocional e trabalhar nas causas dos padrões disfuncionais, mas também ajudar a criar e a manter este estado.