Paula Chocalhinho

Paula Chocalhinho Informações para nos contactar, mapa e direções, formulário para nos contactar, horário de funcionamento, serviços, classificações, fotos, vídeos e anúncios de Paula Chocalhinho, Psicólogo/a, Largo do Campo da Feira nº 22, Faro.

🎓 Psicologia Clínica
⏳️Hipnoterapia
👨‍👩‍👧‍👦Constelações Familiares
🧠Psicossomática
❤️‍🩹 Regulação Emocional
👧Trabalho com a Criança Interior
🥰 Autoaceitação e Autocompaixão
📑 Cursos, aulas e workshops

A propósito desta época carnavalesca e das máscaras que usamos no dia-a-dia, observemos os vários tipos de máscaras exis...
23/02/2026

A propósito desta época carnavalesca e das máscaras que usamos no dia-a-dia, observemos os vários tipos de máscaras existem: as que usamos no dia-a-dia, normalmente, não são mais do que soluções de sobrevivência, de regulação emocional e estratégias de vinculação.

Podemos usar diferentes máscaras em diferentes contextos ou tipos de relações. E o problema não é existirem máscaras, é quando se tornam identidade e mecanismo defensivo constante.

As máscaras não são defesas contra os outros, são defesas contra estados internos intoleráveis. Retirá-las pode ser um trabalho terapêutico com o intuito de aumentar a capacidade de sentir sem desorganizar. A terapia não destrói, ou não deve de destruir, máscaras. Torna-as opcionais ou, pelo menos, conscientes.

Há umas que são mais típicas nas mulheres, como a boazinha ou a vítima, por exemplo, enquanto que há outras que podem aparecer mais nos homens, como o invulnerável, o engraçadinho ou o arrogante. Mas todas podem aparecer em qualquer dos sexos, consoante cada um se apresenta, quais as suas feridas e necessidades.

Há contudo uma tendência nas mulheres a assumirem máscaras tipicamente mais masculinas - as mulheres super autónomas e funcionais, invulneráveis ou hiperindependentes como forma de evitamento do sentimento de fraqueza ou vulnerabilidade.

Quais destas usas? Conheces pessoas que se enquadrariam nalgumas destas máscaras?

O chamado efeito Dunning-Kruger mostra um mecanismo cognitivo específico: a capacidade para avaliar o próprio desempenho...
19/02/2026

O chamado efeito Dunning-Kruger mostra um mecanismo cognitivo específico: a capacidade para avaliar o próprio desempenho depende, em grande parte, do mesmo conhecimento necessário para executar bem a tarefa.

Quando o conhecimento é baixo, a pessoa não erra apenas mas também não consegue reconhecer o erro.
Quando o conhecimento é alto, a pessoa percebe quantas variáveis existem e torna-se mais prudente. Isto não se distribui igualmente entre homens e mulheres.

O que difere não é a inteligência nem a competência média, é a calibração da confiança. Em muitos estudos de desempenho académico, profissional e cognitivo verificou-se que homens tendem a avaliar o seu desempenho acima do real e mulheres tendem a avaliar o seu desempenho abaixo do real. Mesmo quando os resultados objetivos são iguais. Ou seja, perante a mesma competência eles ajustam a confiança para cima, elas ajustam a confiança para baixo.

Porque acontece isto?

1) Aprendizagem social da certeza vs da responsabilidade

Desde cedo, rapazes são mais reforçados por tentar, arriscar e afirmar. Raparigas são mais reforçadas por acertar, prever consequências e não falhar.
Assim, formam-se estratégias cognitivas diferentes. A estratégia masculina é afirmar primeiro, corrigir depois. A estratégia feminina é verificar primeiro e afirmar depois.

2) Custos psicológicos do erro

O erro não é socialmente interpretado da mesma forma. Nos homens tende a ser visto como excesso de confiança ou ousadia. Nas mulheres tende a ser visto como prova de incapacidade. Consequência: homens aprendem que errar não ameaça identidade,
mulheres aprendem que errar compromete a credibilidade. Logo, a confiança feminina só surge quando a incerteza interna é pequena.

3) Estatuto social sinalizado por comportamentos diferentes

Grupos humanos avaliam competência através de sinais rápidos. O mais rápido é a certeza. Por isso: confiança funciona como sinal de liderança e precisão funciona como sinal de fiabilidade. Historicamente, homens competiram mais por estatuto hierárquico (confiança visível) e mulheres competiram mais por aceitação relacional (prudência visível).

O resultado colectivo é paradoxal: quem sabe menos fala com mais certeza, quem sabe mais fala com mais cautela. O efeito não significa que homens sejam mais ignorantes nem mulheres mais competentes. Significa que o mesmo viés cognitivo interage com estilos de socialização distintos. Assim, nos homens, o viés manifesta-se como sobreconfiança típica e nas mulheres, surge o fenómeno oposto: subconfiança calibrada. Ambos derivam do mesmo ponto - a dificuldade humana em medir com precisão aquilo que sabe.

A raiva é um sinal de fronteira e surge quando algo essencial foi invadido, violado ou ignorado. Ela diz: “isto não é ac...
16/02/2026

A raiva é um sinal de fronteira e surge quando algo essencial foi invadido, violado ou ignorado. Ela diz: “isto não é aceitável para mim”. Como tal, a raiva não é uma emoção negativa, é uma emoção vital que serve para nos defender. Sem raiva, não há fronteira e sem fronteira, não há self diferenciado.

Muitas pessoas chegam à terapia com tristeza crónica, ansiedade difusa, culpa excessiva e somatizações. Por baixo disso está frequentemente uma raiva não sentida, não autorizada ou virada contra si mesmo/a.

A maior parte das pessoas foi ensinada que sentir raiva é ser violento, expressar raiva é igual a magoar e que ter raiva é ser “má pessoa”. Resultado: a raiva é reprimida, desviada ou somatizada.

Em terapia, o trabalho não é fazer “explodir”, mas sim reconhecer, validar e integrar a experiência causadora de raiva. Porque a raiva em termos funcionais organiza, não destrói. E é importante senti-la e autorizá-la, fazendo o uso correcto dessa emoção.

Trauma, abuso, negligência emocional e relações assimétricas têm algo em comum: retiram agência. A raiva devolve o eixo e o direito a revoltar-se e defender-se. É por isso que, em muitos processos, quando a raiva começa a emergir, a depressão alivia, o corpo ganha energia e o discurso deixa de ser autoacusatório. A raiva diz: “eu importo”.

Raiva bloqueada vira sofrimento - quando a raiva não pode ser dirigida para fora (por medo, dependência, lealdade, idealização), ela costuma transformar-se em culpa, vergonha, autocrítica, comportamentos autopunitivos e ansiedade somática. Do ponto de vista clínico, muita psicopatologia é raiva sem endereço.

A raiva é uma emoção de passagem, abrindo caminho para a tristeza legítima, luto inesperado,
compaixão por si e criando a possibilidade da integração da história. Quando a raiva é sentida e metabolizada, algo amolece. Antes disso, a pessoa está muitas vezes congelada, colapsada ou hiper-adaptada.

Por isso, sustentar a raiva é um acto terapêutico em si. Então, a raiva é importante porque marca fronteiras, devolve agência, organiza o self, protege da auto-aniquilação e abre caminho à integração emocional.

Sabias disto?

A resposta a esta questão vai depender de pessoa para pessoa, mas interessa perceber a motivação de estar com o outro: s...
12/02/2026

A resposta a esta questão vai depender de pessoa para pessoa, mas interessa perceber a motivação de estar com o outro: sei e consigo estar sozinho/a ou tenho medo e não gosto da solidão, acho que a vida tem de ser sempre partilhada a dois, sinto-me menos quando estou sozinho/a, fico aflito/a quando não sei se ou quando vou encontrar uma nova pessoa?

Depende também do tipo de término da relação anterior e como nos sentimos a respeito. Porque há muitas pessoas que se julgam resolvidas mas não o estão de todo e isso nota-se quando estão em relação com uma nova pessoa: a disponibilidade e o investimento não é o que deveria de ser. Podem começar com muita força e vontade e querer muito mas toda essa vontade vai sendo perdida pelo caminho e muito rapidamente.

Também confundimos paixão e atracção com amor, e nessa fase inicial a nossa neurobiologia cria uma espécie de obsessão pela pessoa, que confundimos com termos encontrado a pessoa certa devido à ligação ou conexão que sentimos por ela. Não nos podemos esquecer que é tudo lindo no início e as pessoas mostram o seu melhor lado e todos gostamos de nos sentir desejados, que muitas vezes também é o que procuramos no outro: sentir-me objeto de desejo.

Nesta situação, depois de um término, considero sempre importante haver um tempo entre uma relação e a outra. Não se pode falar em tempos, mas diria mínimo de 3 meses para termos tempo de elaborar e processar, para sustentarmos a dor, o vazio e a solidão, e para alcançarmos uma forma de equilíbrio sem um outro presente. Isso dá-nos maturidade, segurança e confiança de saber que podemos ficar sozinhos/as sem colapsar.

Esse tempo pode prolongar-se até 1 ano ou mais, porque sei também que muitas pessoas ficam tão zangadas, devastadas ou desoladas que não conseguem imaginar a vida sem aquela pessoa, ou com outra pessoa de todo. Sei que também há uma tendência crescente de homens e mulheres que preferem ficar sozinhos/as e ir tendo casos mais ou menos superficiais porque escolhem não aprofundar o vínculo - muitas vezes exatamente porque ainda continuam ligados/as a um ex (mesmo que não o assumam ou nem tenham consciência disso) ou por não quererem sofrer novamente.

Livros, ebooks, cursos online, receitas, planos de treinos, etc. Quem não tem uma colecção por ler e fazer?Gostamos muit...
09/02/2026

Livros, ebooks, cursos online, receitas, planos de treinos, etc. Quem não tem uma colecção por ler e fazer?

Gostamos muito de fazer planos, definir objetivos e fantasiar com um ideal de estilo de vida mas quando chega à ação, quem executa e mantém a consistência? O mesmo no campo da psicologia e desenvolvimento pessoal. Vejo as pessoas obcecadas com o "adquirirem ferramentas e estratégias" para gerir stress e ansiedade, por exemplo, mas nunca pondo em prática o que aprendem. Parece que o aprender e o saber é a nova meca e o verdadeiro objetivo, o que me leva a crer que somos colecionistas de conhecimento, não de aplicação prática desse mesmo conhecimento.

Vejo pessoas a fazerem cursos, retiros e workshops, irem a palestras e a toda uma parafernália de consultas de tudo e mais um par de botas, a virem fascinadas com o que aprenderam e ouviram, mas sempre que se sentem em baixo e desanimadas, parece que todo o conhecimento adquirido de nada lhes serve ou vale nesses momentos.

Talvez esteja a exagerar um pouco, porque no fundo é o que assisto, mas acredito firmemente que a consciência e o conhecimento são 50% da equação. Falta os restantes 50% da prática e consistência. De nada nos vale fazer 2 ou 3 dinâmicas, ficarmos todos contentes no momento porque realmente regulámos o sistema nervoso e no futuro, numa situação desafiante, voltarmos aos "porquês, e é injusto, mas porque terá de ser assim, que sorte a minha, não quero estar assim", etc.

A regulação do sistema nervoso que tanto se fala deveria de ser feita de forma continuada no tempo. Em vários hábitos e rotinas diárias. A melhor comparação que posso fazer é com o desporto ou uma dieta: não funciona se aplicado só às vezes. Se queremos a mudança efetiva, há que manter as práticas, as decisões, os comportamentos, as rotinas - no fundo, os hábitos.

Somos péssimos cuidadores de nós mesmos/as. Queremos resultados rápidos sem nos darmos o trabalho e depois ficamos chateados/as conosco porque nos sentimos de um determinado jeito ou caímos nos velhos lugares. Então sim, que aprendamos muito, desenvolvamos a consciência, mas apliquemos o que aprendemos sempre que a vida nos desafiar. Esse é o caminho 🍀

Ao longo do tempo tenho percebido que alguns comportamentos que temos são altamente sabotadores e podem vir de um lugar ...
05/02/2026

Ao longo do tempo tenho percebido que alguns comportamentos que temos são altamente sabotadores e podem vir de um lugar de rebeldia que foi suprimida na infância e adolescência: se tivemos pais rígidos, autoritários ou com grandes expectativas sobre os seus filhos, quase como se eles não pudessem falhar e tivessem que ser sempre bem comportados, cumpridores e perfeitos a todos os momentos. Nestes casos, a criança ou adolescente, dependendo do seu temperamento, pode ter seguido isto mais ou menos à risca. O que acontece é que, quando cresce, dá por si a ser rebelde em situações que não parecem ter muito sentido e que até os prejudica se for preciso.

Neste caso, alguns exemplos são: chegar atrasado/a, procrastinar, fumar, deitar tarde, descurar de algumas tarefas ou obrigações, não arrumar a casa, etc. Obviamente que aqui podíamos falar de perfeccionismo, porque sim, há o medo da desaprovação e de falhar, daí procrastinar para evitar tomar contacto com essa sensação, mas pode ter um motivo bem mais oculto que é a forma, muito inconsciente, de fazer figas aos pais que não nos deixaram fazer certas coisas ou que não toleravam as nossas falhas, incumprimentos ou atrasos, por exemplo.

Pode ser uma forma, até quase infantil, de dizer: "Toma, toma, agora já faço isto e tu já não mandas em mim" (imaginar uma criança a fazer caretas e de língua de fora). Claro que somos seres muito complexos, e temos várias motivações inconscientes para este tipo de comportamentos, como o princípio do prazer vs. princípio da responsabilidade que estão sempre em choque: o que me apetece verdadeiramente fazer vs. o que tenho ou devo de fazer enquanto adulto/a e pessoa responsável.

Temos vários mecanismos de compensação, nomeadamente alguns excessos que cometemos seja na alimentação, bebida, deitar tarde, compras, etc. porque de facto temos de fazer muitas coisas que não gostamos ou que nem sempre nos apetece fazer, e cuidar de todas as nossas necessidades bem como de pessoas que possam estar dependentes de nós, e isso faz com que queiramos um escape de toda essa responsabilidade de vez em quando, nesse tipo de comportamentos.

Que te parece esta ideia? Já tinhas pensado nisto assim?

Toda a gente sabe que a perfeição é impossível mas ainda assim tentam alcançá-la, de várias formas: seja através do cult...
02/02/2026

Toda a gente sabe que a perfeição é impossível mas ainda assim tentam alcançá-la, de várias formas: seja através do culto do corpo, da imagem, da alimentação, da saúde ou até através da profissão. Fazer tudo bem, alcançar certos objetivos, nunca deixar cair nada nem falhar em nenhum momento, através da autoexigência e autocrítica, que muitas vezes são o reflexo da exigência de professores, pais e família, no fundo da forma como fomos criados e educados - sempre sob expectativas de desempenho, produtividade e obediência.

Como tal, aprendemos a querer ser perfeitos para obter aprovação, validação, afeto e carinho, evitando assim a crítica e a rejeição. Então, sabendo disto: nunca vamos conseguir ser perfeitos ou atirando vezes sem fim "a perfeição não existe", mesmo assim não nos convencemos disso, daí a nossa frustração com a nossa humanidade ou falha porque sabemos intelectualmente ou logicamente que a perfeição não é possível, mas não o conseguimos, inconscientemente ou emocionalmente, aceitar porque isso é levar-nos à nossa falha existencial - sentirmos que não somos suficientes, e isso sim é a nossa dor primordial.

Então a salvação é assumirmos o que levámos a vida inteira a evitar sentir: perceber que não podemos ser inteiramente suficientes em tudo ou em todos os momentos, seja para nós, seja para os outros. E isto, no fundo, é assumir a nossa imperfeição, por mais que gostássemos e preferíssemos ser perfeitos e inquestionáveis. Posto isto, é saber que mereceremos sempre amor, respeito e carinho apesar da nossa imperfeição mesmo que tenhamos aprendido o contrário.

Lê isto as vezes que forem precisas até te assentar e ser agora a tua nova verdade ou crença: "Mereço amor e respeito mesmo que falhe e não seja perfeito/por mais que me tenha convencido do contrário. E esse amor e respeito deve de vir de mim também, por mais que não goste de algo em mim e tenha dificuldade em assumir a minha imperfeição".

E só assim vamos conseguindo mudar a nossa relação com a imperfeição, assumindo-a e aceitando-a. Não temos de ser perfeitos ou morrer a tentar. Ser perfeito afasta-nos da nossa humanidade e estamos cá para sermos perfeitamente imperfeitamente humanos.

O que é o defalt mode? No fundo é o modo de ameaça em que quase todos nós vivemos a maior parte do tempo - o famoso modo...
26/01/2026

O que é o defalt mode? No fundo é o modo de ameaça em que quase todos nós vivemos a maior parte do tempo - o famoso modo de luta ou de fuga ou estado basal de ameaça: um sistema nervoso constantemente orientado para a expetativa do aparecimento de problemas, como os resolver ou fugir deles, ou colapso, como se o perigo fosse permanente.

Antes de sair deste modo é preciso compreender: a maior parte das pessoas não está ansiosa por fragilidade pessoal, mas por excesso de estimulação e insegurança estrutural. Contextualizemos: vivemos com hiperexposição a notícias ameaçadoras, precariedade económica e relacional, atividade constante, comparação social contínua, ausência de rituais de descarga e de repouso reparadores. Nestas condições, o sistema nervoso aprendeu que não há pausa segura. Logo, não desliga.

O erro comum é tentar “acalmar a mente”. Enquanto o corpo se sente em ameaça, apesar de não estar, vai fazer com que a meditação possa falhar, o pensamento positivo irrita e não funciona, e a racionalização não chega. O "está tudo bem" repetido não resulta. Porquê? Porque a saída é sempre corporal primeiro. A mente segue o corpo, não o contrário.

Porque parece estar toda a gente assim?

Estamos a viver uma era de hiperameaça simbólica sem tempo de digestão emocional, com sistemas de recompensa viciantes e laços humanos cada vez mais frágeis. O corpo reage antes da consciência. Estamos a assistir a uma patologização do corpo que está a reagir a um mundo desregulado. Talvez a pergunta não seja apenas “Como sair do modo luta ou fuga?”, mas também “Que mundo estamos a criar que exige este estado permanente?”

Como tal, se não podes mudar o mundo lá fora, muda as condições em que vives internamente: presta atenção às tuas palavras e narrativa interna. Escolhe com quem te relacionas de forma inteligente. Revê os teus hábitos. Ouve e respeita as tuas necessidades físicas e emocionais. Cuida das tuas emoções e do teu espaço mental, decide o que permanece nesse espaço ou o que tem de se dissipar ou afastar. E, acima de tudo, encontra espaços seguros para ser, desabafar, respirar e repousar.

É a única forma de te regulares quando o mundo lá fora parece caótico.

O cérebro humano foi moldado para sobreviver, não para pensar democraticamente.Quando sentimos insegurança económica, in...
22/01/2026

O cérebro humano foi moldado para sobreviver, não para pensar democraticamente.

Quando sentimos insegurança económica, instabilidade social, perda de referências culturais, ameaça identitária, sensação de descontrolo, aceleração tecnológica, colapso de narrativas antigas, o sistema nervoso entra em modo de ameaça. E em modo de ameaça, o que o cérebro procura? Ordem, clareza, autoridade, respostas simples, um inimigo identificável, um líder forte.

A ambiguidade, a complexidade, o pluralismo e o pensamento crítico são cognitivamente exigentes.
Quando as pessoas estão em sofrimento psicológico, tendem a preferir alguém que mande, alguém que diga o que é certo, alguém que prometa controlo (mesmo que esse controlo seja ilusório).

Muitos países nunca ultrapassaram verdadeiramente o colonialismo, o fascismo, ditaduras, genocídios ou desigualdades estruturais. O trauma coletivo é transmitido. A história não resolvida regressa, pois o trauma tende a repetir-se, idealizar figuras fortes, temer a diferença, procurar ordem e romantizar o passado. “Antigamente é que era bom” é a narrativa traumática clássica.

A democracia é psicologicamente exigente porque exige maturidade: tolerar frustração, aceitar diversidade, conviver com ambiguidade, negociar, aceitar limites, aceitar que não há soluções mágicas. O autoritarismo oferece o oposto: certeza, direção, obediência, simplificação, promessa de salvação. É mais fácil para um psiquismo cansado.

Quando uma pessoa está em sofrimento intenso, ela quer respostas rápidas, soluções simples, alguém que diga o que fazer (menos liberdade, não mais). Liberdade exige estrutura interna. Autoritarismo oferece estrutura externa.

Parece estupidez, mas é dor, raiva e medo. É importante dizer isto: as pessoas que aderem a líderes autoritários não são necessariamente ignorantes. Muitas estão assustadas, desiludidas, cansadas, ressentidas, desamparadas. E quando alguém diz: “Eu vou pôr ordem nisto”, alivia.

É caso para dizer: vivemos as condições ideais para que certas ideologias ganhem terreno globalmente, e isso choca com as ideias de progresso que tínhamos como garantidas, e sim, isso é assustador.

O que é que achas desta perspectiva?

Podia dizer que estava na moda ou que era cool ter uma perturbação mental, seja TDAH, Ansiedade Generalizada, Agorafobia...
19/01/2026

Podia dizer que estava na moda ou que era cool ter uma perturbação mental, seja TDAH, Ansiedade Generalizada, Agorafobia, Transtorno Obsessivo Compulsivo, ter o transtorno Antissocial da Personalidade ou Personalidade Borderline, por exemplo. Mas isso iria parecer ofensivo.

Dada a informação que temos disponível em vários canais e a identificação com várias personalidades (e com vários sintomas e características), pode parecer apelativo ter um rótulo que apazigue a estranheza que por vezes somos, pensamos e sentimos.

Hoje em dia preferimos ter um diagnóstico e um nome para o que somos, e que explique como funcionamos, do que sermos simplesmente o que somos, apesar das incongruências e peculiaridades. E sim, ajuda bastante perceber que, se de fato tivermos um distúrbio, qual é, como se manifesta e como se trata ou alivia os seus sintomas.

Se dantes ninguém queria imaginar ter um diagnóstico de saúde mental - e, se o tivesse, era com vergonha que o escondia - hoje quase que ostenta esse mesmo diagnóstico com orgulho, como forma de autodefinição: "sou isto", e com "isto" justificar o seu comportamento e forma de funcionamento geral.

Atenção, sou psicóloga e ajuda bastante diagnosticar e identificar traços patológicos nos clientes, tal como eu própria me defino com uma série de nomes da área da psicologia e de outras correntes mais alternativas que me fazem sentido e encaixam que nem uma luva, portanto também eu padeço desse mal moderno. Mas o que queria chamar à atenção hoje é: se duvidas que podes ter um transtorno, seja ele qual for, deves procurar ajuda psicológica ou psiquiátrica para confirmar e, se preciso, tratar - seja com terapia seja com alguma medicação que possa ser necessária, temporariamente ou não.

Já ouvi pessoas autodiagnosticarem-se com coisas que me pareceram absurdas e isso limitar a sua experiência porque "tenho um problema, como tal não posso ou não consigo isto ou aquilo". E bem podemos ter um distúrbio de facto, e mesmo assim escondermo-nos atrás desse rótulo e desistirmos de muita coisa, mas não tem de ser assim. Mesmo com patologia há muita coisa que pode - e deve - de mudar.

Procura ajuda se estás em sofrimento e dúvida ❤️‍🩹

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