Paula Chocalhinho

Paula Chocalhinho Informações para nos contactar, mapa e direções, formulário para nos contactar, horário de funcionamento, serviços, classificações, fotos, vídeos e anúncios de Paula Chocalhinho, Psicólogo/a, Largo do Campo da Feira nº 22, Faro.

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🥰 Autoaceitação e Autocompaixão
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A PHDA ou THDA (Perturbação ou Transtorno de Hiperatividade e Défice de Atenção) nas mulheres manifesta-se muitas vezes ...
13/04/2026

A PHDA ou THDA (Perturbação ou Transtorno de Hiperatividade e Défice de Atenção) nas mulheres manifesta-se muitas vezes de forma mais subtil, interna e menos visível do que nos homens, o que faz com que seja frequentemente subdiagnosticada ou confundida com ansiedade, depressão ou traços de personalidade.

Importa referir que a PHDA não é falta de capacidade mas sim dificuldade de regulação da atenção, energia e motivação.

Podes perceber aqui neste post os vários sintomas e sinais que estão na base deste transtorno.

Perguntas-chave a fazer caso suspeites de teres este distúrbio:

⚠️Isto acontece desde a infância?
⚠️Há padrão de inconsistência (e não incapacidade)?
⚠️Há hiperfoco em coisas estimulantes?

Muitas mulheres com PHDA desenvolvem uma narrativa interna de: “Eu sou desorganizada / preguiçosa / caótica” quando na verdade têm um sistema nervoso neurodivergente que vive num mundo que exige linearidade constante.

Como tal se suspeitas deste diagnóstico, leva este tema ao psicólogo ou psicóloga, ou mesmo ao psiquiatra. Estes profissionais podem fazer contigo esse despiste e confirmação de diagnóstico, bem como te ensinar estratégias de regulação emocional ou passar medicação caso necessário.

Sei que no mundo em que vivemos, lendo esta descrição, pode parecer que tens hiperatividade ou défice de atenção, mas pode haver um quadro de ansiedade ou esgotamento na base e não ser necessariamente neurodesenvolvimental como o THDA, que nasce contigo e se manifesta desde sempre.

Apesar de me realizar bastante a minha profissão, precisei de reduzir bastante o fluxo de consultas, como sabem, para te...
07/04/2026

Apesar de me realizar bastante a minha profissão, precisei de reduzir bastante o fluxo de consultas, como sabem, para ter mais tempo livre para criar conteúdos e escrever, o que não tem acontecido. Cognitivamente, tenho sentido uma diminuição na quantidade de tempo em que consigo manter o foco e a atenção, bem como sustentar o campo terapêutico. Não só isso mas também tenho sentido uma maior necessidade de me desligar das redes e produzir ainda menos. Sinto que há demasiado ruído, demasiada informação, demasiado conteúdo e a minha mente precisou abrandar ao máximo.

Fora isso, que já dura há dois anos, os últimos meses têm sido uma sucessão de acontecimentos e assuntos para tratar e resolver, non stop, que me têm retirado um pouco o centro e a capacidade de criar e expandir, nomeadamente uma remodelação que era para ser um mês mas durou quatro ou cinco. E quando nos mexem com a casa, mexem-nos com a nossa estrutura. E também sei que não tem sido só comigo. Os últimos meses também têm sido bastante intensos para vocês, que vos ouço e sinto diariamente, e vejo o que se está a passar no mundo, que nos afeta a todos de alguma forma.

Quero acreditar que, tal como a remodelação da casa que fiz nos últimos meses e todas as arrumações necessárias que nos fazem passar por todas as gavetas, armários e cantinhos, assim é também a nossa remodelação interna. Têm sido uns meses de inventário, em que o meu objetivo foi, e há de ser sempre, chegar à essência daquilo que sou e encontrar, sempre, o ritmo correto para mim, saindo dos modelos que tanto vemos de produção e produtividade, bem como de ocupação, ou o dito FOMO.

A verdade é: não tenho energia nem capacidade de sustentação para tanto. Não sei como outros conseguem. Aprender e fazer sempre mais, fazer sempre novo e diferente. Explorar todas as ferramentas possíveis, estar em todos os lugares, saber de tudo... Sinto que saí desse comboio.

Neste momento o que tenho e o que sou basta-me, apesar de sentir falta de atualização no campo da formação - que sempre fiz desde que me licenciei e que suspendi nos últimos 2 anos, apesar de ir sempre tentando manter-me atualizada minimamente.

Como senti uma diminuição da capacidade de absorção e retenção de mais informação, tive de contar mais com os conhecimentos e ferramentas que fui acumulando ao longo de anos, e, acima de tudo, contar com a minha experiência, os meus próprios processos terapêuticos, intuição e sabedoria interna que sinto que me levam sempre muito mais longe do que qualquer técnica ou ferramenta que possa aprender mais.

Jung já dizia: "Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana", e eu revejo-me aqui.

Como tal, continuo com muitas ideias e projetos engavetados, que não sei quando vão sair à cena. Apesar de sentir que ainda tenho muito para dar ao mundo, ainda não foi o momento. Havendo falta de energia, a obra não pode nascer ou prosperar. Mas estou cá. Continuo cá e o potencial também. Quando chegar a altura da criação, ela será lançada ao mundo.

Enquanto isso, agradeço sempre do fundo do coração às pessoas que me chegam e que comigo continuam ao longo dos anos, esperando sempre poder fazer o melhor trabalho possível com elas e dar-lhes o que precisam, se for esse o meu lugar.

Como tal, continuo devagarinho por aqui (pelas redes), mas continuo, tentando perceber como vos dar mais e melhor no futuro. Obrigada a todos e todas as que me seguem e valorizam o meu trabalho e que continuam por aqui 🤍

A sensação de “não me consigo concentrar”, “ando esquecido/a”, “a minha cabeça não para” tornou-se quase um traço geraci...
01/04/2026

A sensação de “não me consigo concentrar”, “ando esquecido/a”, “a minha cabeça não para” tornou-se quase um traço geracional, mas isso não significa necessariamente que exista Transtorno de Défice de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Estas queixas aparecem como um sofrimento real mas também como uma tentativa de dar nome a um mal-estar e dificuldades sentidas num mundo em constante movimento e aceleração. O que estamos a ver é uma mistura de fatores neurocognitivos e ambientais com uma maior literacia psicológica, e também alguma sobre identificação com os critérios e sintomas da perturbação.

Atenção e memória estão profundamente ligadas. Se não estás verdadeiramente atento/a, não codificas a informação. Se não codificas, não te vais lembrar. Ou seja, muitas “falhas de memória” são, na verdade, falhas de atenção no momento inicial. Além disso, a ansiedade interfere com a recuperação da memória, o stress afeta o hipocampo e o multitasking impede a consolidação da informação.

Vivemos numa cultura que exige produtividade constante, fragmenta a atenção e valoriza rapidez em detrimento de profundidade, e depois patologiza o cérebro quando ele não consegue acompanhar. Às vezes não é o cérebro que está “doente”, é o contexto que está desalinhado com a forma como a mente deveria funcionar.

Independentemente da causa da falta de atenção ou agitação, há estratégias reguladoras eficazes:

1. Higiene da atenção:

Monotasking (realizar uma tarefa de cada vez).
Blocos de foco (ex: 25–50 min)
Reduzir notificações

2. Detox digital:

Períodos do dia sem ecrãs
Reduzir ou evitar scroll passivo
Reintroduzir atividades de atenção profunda (ler, escrever, pintar, desenhar, etc.)

3. Regulação do sistema nervoso:

Exercícios de respiração ou relaxamento
Pausas conscientes (e não só mudar de estímulo)
Caminhadas sensoriais (sem estar a ouvir podcasts)
Meditação

4. Sono reparador:

Muitas queixas de “memória fraca” têm a ver com a privação de sono. Um adulto precisaria de dormir entre 7h a 8h por noite.

5. Estilo de vida equilibrado:

Comer de forma saudável
Praticar atividade física várias vezes por semana
Rituais de autocuidado
Higiene emocional e do sono
Respeitar os limites

Quando o mundo parece instável, o nosso sistema nervoso faz exatamente o que foi programado para fazer: ficar mais vigil...
25/03/2026

Quando o mundo parece instável, o nosso sistema nervoso faz exatamente o que foi programado para fazer: ficar mais vigilante, antecipar perigo, tentar prever o imprevisível. O problema é que, hoje, estamos expostos a uma quantidade de informação e ameaça para a qual não estamos preparados.

Neste caso, a mente começa a projetar cenários: guerra a escalar, crises económicas, colapsos sociais, e o corpo reage como se já estivesse lá e isso já estivesse, de facto, a acontecer. Isto cria um estado de ansiedade contínua, porque não há um evento concreto para resolver, há apenas a possibilidade de.

Situações como guerras ou instabilidade política global retiram-nos a ilusão de controlo. E o ser humano regula-se muito através dessa sensação de previsibilidade. Quando ela falha, surge a hipervigilância, necessidade de consumir mais informação, (“para me preparar”) ou, pelo contrário, evitamento total do tema e das preocupações.

As pessoas à nossa volta também estão tensas e os estados emocionais são altamente contagiosos. Conversas, redes sociais, notícias, tudo amplifica a sensação de ameaça. Agora, mais importante do que perceber “porquê” é como te regulas dentro deste cenário.

Como tal, preparei esta pequena lista com algumas estratégias simples que podes usar para te defenderes deste panorama assustador, porque este tipo de contexto global confronta-nos com a fragilidade da vida, com a impermanência e com o facto de que o futuro nunca esteve garantido. Só que agora tudo isso está mais palpável e pode gerar mais ansiedade, para além daquela que já possamos sentir, mas também pode, se quiseres, trazer mais presença. Acredito que é esse o convite que nos está a ser feito neste momento.

Como sentes que estás a viver este momento?

Crescer com uma mãe com sofrimento psíquico significativo, seja alcoolismo, esquizofrenia, transtorno bipolar, transtorn...
19/03/2026

Crescer com uma mãe com sofrimento psíquico significativo, seja alcoolismo, esquizofrenia, transtorno bipolar, transtorno de personalidade borderline ou traços de narcisismo patológico, tende a criar um ambiente emocional imprevisível, ambivalente ou mesmo caótico. Isso molda profundamente o sistema nervoso e o sentido de self da criança, especialmente nas filhas.

O medo de “ser como a mãe” é, paralelalmente, muitas vezes um fator protetor porque implica consciência, diferenciação e capacidade reflexiva. Ou seja, quem questiona não tem como ficar capturado pelo padrão. Mas há aqui uma nuance importante: muitas mulheres acabam por viver em contra-identificação rígida - “tenho de ser o oposto dela e isso também aprisiona, porque não permite integrar partes próprias (incluindo vulnerabilidade, raiva, necessidade).

Em termos terapêuticos, o trabalho a ser feito não é “não ser como a mãe” mas sim diferenciar o que é teu vs. o que foi adaptativo, aprender a regular o sistema nervoso (sair da hipervigilância), reconstruir um self que não seja reativo ao passado e integrar emoções, especialmente a raiva, sem medo de colapso.

Quando uma mulher cresceu assim, muitas vezes torna-se extraordinariamente sensível, intuitiva e capaz de ler o outro, mas à custa de si própria. O caminho passa por transformar essa sensibilidade do mecanismo de sobrevivência em escolha e acção consciente.

Se isto ressoou contigo, tranquiliza o teu coração. Se não tens a mesma perturbação, és uma pessoa consciente e com capacidade de autoregulação, não tens de ser ou tornar-te como a tua mãe, particularmente se já és adulta. Muitos transtornos têm início na idade adulta. A ti cabe-te sim sair do modo de sobrevivência em que entraste por necessidade, sair da hipervigilância, validar e acolher as tuas emoções sem teres de fugir delas, aprenderes a honrar e respeitar as tuas necessidades bem como aprender a colocar limites em relação aos outros, mesmo sentindo culpa no início.

Partilha com a amiga que pode ter sofrido bastante com uma mãe com algum destes transtornos que mencionei aqui 💌

A motivação das mulheres high achievers tem alguns pontos em comum com os homens, como necessidade de competência, recon...
17/03/2026

A motivação das mulheres high achievers tem alguns pontos em comum com os homens, como necessidade de competência, reconhecimento e realização. Mas a psicologia por detrás tende a ter dinâmicas diferentes, muito ligadas a identidade, autonomia e validação num contexto social historicamente restritivo.

Muitas mulheres altamente realizadas têm uma mistura de grande competência e dúvida acerca de si próprias e do seu valor. Algo que raramente se vê com a mesma intensidade nos homens, nomeadamente no que roca ao autoquestionamento e autocrítica, ainda que possa existir em ambos os géneros. Isso liga-se ao fenómeno que mencionei num dos últimos posts que publiquei: o contraste entre Dunning-Kruger masculino e síndrome do impostor feminino.

Por norma, as mulheres podem desenvolver a ferida da invisibilidade (rejeição) e particularmente a pressão para serem perfeitas. Na nossa cultura conseguimos perceber que, muitas vezes, o irmão menino, era o mais protegido ou o mais elogiado, ou mesmo o mais levado a sério e, culturalmente, mais incentivado para as conquistas e independência. Pelo contrário, a menina era incentivada a calar, obedecer, cuidar e não expressar raiva nem frustração - ou seja, incentivada a tolerar, assentir, ser um exemplo e fazer o que lhe pediam.

Esse estilo educativo criou homens imaturos emocionalmente, mesmo que competentes e responsáveis no trabalho, e mulheres hipercompetentes na vertente socioemocional, seja nos seus relacionamentos, seja nos seus trabalhos, estando condicionada a aguentar tudo, dar conta sempre, e mostrar que é capaz para que não seja jamais criticada por fazer de menos e não dar conta do que é suposto.

Interessa perceber estes condicionamentos e programação para que não sejamos reféns deles e possamos escolher e fazer diferente, sem tanta pressão nem tanta autocrítica ou autoexigência. Agora somos nós a autoridade, como tal podemos decidir como comandar as nossas vidas, a que ritmo, a que velocidade ou carga - e independentemente do que outros pensem ou digam a respeito.

Partilha isto com a amiga que sentes que ainda vive neste registo e que possa precisar de ler isto 🤍

A ideia de que homens muito orientados para desempenho (high achievers) carregam uma motivação profunda ligada ao reconh...
12/03/2026

A ideia de que homens muito orientados para desempenho (high achievers) carregam uma motivação profunda ligada ao reconhecimento do pai aparece frequentemente na psicologia do desenvolvimento, na psicanálise e em estudos contemporâneos sobre motivação e identidade masculina.

Acredito que muitas de vocês conseguem observar isto nos vossos parceiros ou nos homens à vossa volta, se souberem um pouco da história familiar ou de vida deles. Correto?

Neste carrossel falo nos vários motivos que levam os homens a perseguirem a carreira e a investirem tão fervorosamente nela, parecendo que nunca nada é suficiente, como se nada chegasse verdadeiramente, por mais conquistas e estatutos que possam alcançar.

A maturidade e o desenvolvimento psicológico de muitos homens passa por um momento crucial: quando deixam de trabalhar para uma figura idealizada do pai e param de buscar essa aprovação ou reconhecimento externo. Ou seja, quando passam a valorizar-se e a reconhecer o próprio sucesso, sem perseguir esse afã inconsciente que é o reconhecimento do pai - que pode até nunca vir, mesmo que o pai esteja, de facto, orgulhoso. Sabemos que muitos pais são incapazes de verbalizar e mostrar isso diretamente aos seus filhos.

Este salto e mudança de paradigma psicológico costuma trazer três mudanças importantes: menos ansiedade de desempenho, mais liberdade criativa e maior prazer nas conquistas. Em termos simbólicos, é quando o homem deixa de ser o filho que tenta impressionar e passa a ser o adulto que cria o seu próprio caminho e encontra a verdadeira realização e lugar no mundo, mais em paz com ele próprio.

Há algo semelhante que acontece com as high achievers, as mulheres super bem sucedidas que também sentem sempre que nada é suficiente. Falarei nisso num próximo post. Até lá partilhem este post com o vosso bestie, amigo ou companheiro que sente sempre que nada do que faz é suficiente.

Escrevi este texto há meses, a respeito do meu último semestre de 2025, e ficou esquecido na lista de posts a publicar, ...
05/03/2026

Escrevi este texto há meses, a respeito do meu último semestre de 2025, e ficou esquecido na lista de posts a publicar, mas posso dizer que continua atual. Segue a reflexão que fiz:

Se me perguntarem o que tenho feito nos últimos tempos responderei: tenho vivido, errado e falhado, aprendido, resolvido situações, tido conversas difíceis, enfrentado e superado adversidades, desilusões e desafios.

Tenho sido observadora e testemunha das mudanças, retrocessos e loucuras do mundo e das pessoas (e em mim também) e tentado perceber como seguir e como me manter sã nesta atualidade em que vivemos e experienciado uma espécie de fadiga emocional que por vezes me faz questionar o meu lugar no mundo.

Nestes últimos meses tenho reduzido bastante o trabalho e a produtividade, principalmente desde maio. De janeiro a essa data produzi tudo o que pude e fui capaz, depois tirei o pé do acelerador e penso: num mundo de tanto ruído, de tanto conteúdo e de tanta produção, o que tenho ainda para dar ou de especial e diferente? Quero participar desse jogo? Devo fazê-lo? Não o jogarão outros melhor, com mais vontade ou capacidade?

Sinto que tenho estado em crise de identidade este ano, em contacto com os meus defeitos, limites, limitações, qualidades e sombras, a nível pessoal e profissional. Tenho revisto quem sou e quem tenho sido até aqui. De que forma me tenho mostrado e relacionado com os outros e porquê. O que é certo é que tenho feito tempo e espaço para descobrir ou deixar que as respostas se revelem, sem a pressa e a frustração que sempre me caracterizaram.

Não sei se é uma mudança ou apenas uma pausa. Sempre fui de fases que nunca pude prever o início ou o fim, considerando que metade de mim é água e a outra metade é um misto de tanta coisa que colide entre si. O que sei é que no fundo viver é isto, e a resposta ao que somos é esta: vamos descobrindo. Vamos sendo o que é possível. Não temos de saber ou perceber tudo. E aos dias de hoje, isso basta-me (e tranquiliza-me muito).

Acredito que tudo isto tenha sido os efeitos do ano da cobra e ano 9 de fecho de ciclos 🤫 Sei que muitos de vocês também passaram por muito e continuam a passar porque sim, está tenso e difícil.

A propósito desta época carnavalesca e das máscaras que usamos no dia-a-dia, observemos os vários tipos de máscaras exis...
23/02/2026

A propósito desta época carnavalesca e das máscaras que usamos no dia-a-dia, observemos os vários tipos de máscaras existem: as que usamos no dia-a-dia, normalmente, não são mais do que soluções de sobrevivência, de regulação emocional e estratégias de vinculação.

Podemos usar diferentes máscaras em diferentes contextos ou tipos de relações. E o problema não é existirem máscaras, é quando se tornam identidade e mecanismo defensivo constante.

As máscaras não são defesas contra os outros, são defesas contra estados internos intoleráveis. Retirá-las pode ser um trabalho terapêutico com o intuito de aumentar a capacidade de sentir sem desorganizar. A terapia não destrói, ou não deve de destruir, máscaras. Torna-as opcionais ou, pelo menos, conscientes.

Há umas que são mais típicas nas mulheres, como a boazinha ou a vítima, por exemplo, enquanto que há outras que podem aparecer mais nos homens, como o invulnerável, o engraçadinho ou o arrogante. Mas todas podem aparecer em qualquer dos sexos, consoante cada um se apresenta, quais as suas feridas e necessidades.

Há contudo uma tendência nas mulheres a assumirem máscaras tipicamente mais masculinas - as mulheres super autónomas e funcionais, invulneráveis ou hiperindependentes como forma de evitamento do sentimento de fraqueza ou vulnerabilidade.

Quais destas usas? Conheces pessoas que se enquadrariam nalgumas destas máscaras?

O chamado efeito Dunning-Kruger mostra um mecanismo cognitivo específico: a capacidade para avaliar o próprio desempenho...
19/02/2026

O chamado efeito Dunning-Kruger mostra um mecanismo cognitivo específico: a capacidade para avaliar o próprio desempenho depende, em grande parte, do mesmo conhecimento necessário para executar bem a tarefa.

Quando o conhecimento é baixo, a pessoa não erra apenas mas também não consegue reconhecer o erro.
Quando o conhecimento é alto, a pessoa percebe quantas variáveis existem e torna-se mais prudente. Isto não se distribui igualmente entre homens e mulheres.

O que difere não é a inteligência nem a competência média, é a calibração da confiança. Em muitos estudos de desempenho académico, profissional e cognitivo verificou-se que homens tendem a avaliar o seu desempenho acima do real e mulheres tendem a avaliar o seu desempenho abaixo do real. Mesmo quando os resultados objetivos são iguais. Ou seja, perante a mesma competência eles ajustam a confiança para cima, elas ajustam a confiança para baixo.

Porque acontece isto?

1) Aprendizagem social da certeza vs da responsabilidade

Desde cedo, rapazes são mais reforçados por tentar, arriscar e afirmar. Raparigas são mais reforçadas por acertar, prever consequências e não falhar.
Assim, formam-se estratégias cognitivas diferentes. A estratégia masculina é afirmar primeiro, corrigir depois. A estratégia feminina é verificar primeiro e afirmar depois.

2) Custos psicológicos do erro

O erro não é socialmente interpretado da mesma forma. Nos homens tende a ser visto como excesso de confiança ou ousadia. Nas mulheres tende a ser visto como prova de incapacidade. Consequência: homens aprendem que errar não ameaça identidade,
mulheres aprendem que errar compromete a credibilidade. Logo, a confiança feminina só surge quando a incerteza interna é pequena.

3) Estatuto social sinalizado por comportamentos diferentes

Grupos humanos avaliam competência através de sinais rápidos. O mais rápido é a certeza. Por isso: confiança funciona como sinal de liderança e precisão funciona como sinal de fiabilidade. Historicamente, homens competiram mais por estatuto hierárquico (confiança visível) e mulheres competiram mais por aceitação relacional (prudência visível).

O resultado colectivo é paradoxal: quem sabe menos fala com mais certeza, quem sabe mais fala com mais cautela. O efeito não significa que homens sejam mais ignorantes nem mulheres mais competentes. Significa que o mesmo viés cognitivo interage com estilos de socialização distintos. Assim, nos homens, o viés manifesta-se como sobreconfiança típica e nas mulheres, surge o fenómeno oposto: subconfiança calibrada. Ambos derivam do mesmo ponto - a dificuldade humana em medir com precisão aquilo que sabe.

A raiva é um sinal de fronteira e surge quando algo essencial foi invadido, violado ou ignorado. Ela diz: “isto não é ac...
16/02/2026

A raiva é um sinal de fronteira e surge quando algo essencial foi invadido, violado ou ignorado. Ela diz: “isto não é aceitável para mim”. Como tal, a raiva não é uma emoção negativa, é uma emoção vital que serve para nos defender. Sem raiva, não há fronteira e sem fronteira, não há self diferenciado.

Muitas pessoas chegam à terapia com tristeza crónica, ansiedade difusa, culpa excessiva e somatizações. Por baixo disso está frequentemente uma raiva não sentida, não autorizada ou virada contra si mesmo/a.

A maior parte das pessoas foi ensinada que sentir raiva é ser violento, expressar raiva é igual a magoar e que ter raiva é ser “má pessoa”. Resultado: a raiva é reprimida, desviada ou somatizada.

Em terapia, o trabalho não é fazer “explodir”, mas sim reconhecer, validar e integrar a experiência causadora de raiva. Porque a raiva em termos funcionais organiza, não destrói. E é importante senti-la e autorizá-la, fazendo o uso correcto dessa emoção.

Trauma, abuso, negligência emocional e relações assimétricas têm algo em comum: retiram agência. A raiva devolve o eixo e o direito a revoltar-se e defender-se. É por isso que, em muitos processos, quando a raiva começa a emergir, a depressão alivia, o corpo ganha energia e o discurso deixa de ser autoacusatório. A raiva diz: “eu importo”.

Raiva bloqueada vira sofrimento - quando a raiva não pode ser dirigida para fora (por medo, dependência, lealdade, idealização), ela costuma transformar-se em culpa, vergonha, autocrítica, comportamentos autopunitivos e ansiedade somática. Do ponto de vista clínico, muita psicopatologia é raiva sem endereço.

A raiva é uma emoção de passagem, abrindo caminho para a tristeza legítima, luto inesperado,
compaixão por si e criando a possibilidade da integração da história. Quando a raiva é sentida e metabolizada, algo amolece. Antes disso, a pessoa está muitas vezes congelada, colapsada ou hiper-adaptada.

Por isso, sustentar a raiva é um acto terapêutico em si. Então, a raiva é importante porque marca fronteiras, devolve agência, organiza o self, protege da auto-aniquilação e abre caminho à integração emocional.

Sabias disto?

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