27/05/2026
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Todos nós carregamos, do passado, uma série de perguntas sem resposta, que muitas vezes ainda nos prendem. “Ah! Por que foi assim? Por que as coisas não aconteceram de outra maneira?”. No entanto, deve chegar o momento em que essas perguntas devem ser abandonadas: o que foi foi.
Se nos perdemos para perfurar obsessivamente o passado, perdemos a possibilidade de acolher a novidade de graça que nos transforma no presente. O julgamento do passado não é a coisa mais importante, ao contrário do que pensamos. O importante é esta oportunidade de vida que o Senhor concede a cada um de nós e que ele quer que, por nossa vez, concedamos a nós mesmos e aos outros. Os ajustes de contas que se arrastam no tempo, ou as intermináveis queis queim sobre coisas mal resolvidas são inúteis. O risco é que a vida se torne, ainda mais, uma presa em uma floresta de fantasmas. O passado é passado.
Gosto de pensar em uma imagem sugerida por Paulo na Carta aos Filipenses: «Só sei isto: esquecendo o que está atrás de mim e inclinado para o que está diante de mim, corro para o meu destino» (Fl 3,13-14). O gesto de esquecer, de deixar o que foi para trás, é um gesto espiritual necessário. Existe um passado que condena e, se não nos distanciarmos dele, se não dermos aquele salto que a fé exige de nós, não seremos capazes de recomeçar.
— Card. José Tolentino de Mendonça©, Avvenire. Ver menos