18/02/2026
18 de Fevereiro - Dia Internacional da Síndrome de Asperger
Foi no primeiro dia do meu estágio curricular que me "apaixonei" pela Síndrome de Asperger. A partir daí, somaram-se leituras, experiências, anos de prática clínica, investigação, muito estudo, dedicação e muita empatia, não só pelo mundo maravilhoso da Síndrome de Asperger, mas também pelas crianças e jovens que por mim passaram e passam. Sou, sem dúvida uma pessoa mais rica, mais humana e com uma visão mais ampla do mundo, desde que me permiti viajar pelo mundo "deles": um mundo cheio de diferentes mundos, com diversas tonalidades. Um mundo que encaixa, atualmente e segundo o DSM-V, nas Perturbações do Espectro do Autismo. A Síndrome de Asperger difere do Autismo clássico, sobretudo, ao nivel das capacidades intelectuais. Embora, dentro do Espectro, e dentro da própria Síndrome de Asperger, se enquadrem pessoas com diferentes níveis intelectuais. A Síndrome de Asperger verifica-se na existência de Défices ao nível da Linguagem e Comunicação e da Interacção Social. Isto é a teoria. É, também, na prática, o que eu própria avalio e diagnostico. Mas... tenho para mim que a dificuldade em comunicar e interagir está mais na sociedade do que nestas pessoas especiais. Elas, apenas, vêem, interpretam e comunicam com o mundo de forma diferente, de outra perspectiva que não aquela que respeita a norma, ou seja, diferente daquilo que nós neurotípicos decidimos como sendo normal e esperado. O que é normal? Alguém me sabe dizer? O que eu sei é que já vi muitos mundos diferentes, lindos, puros... porém magoados, incompreendidos, ostracizados... simplesmente porque existem para além da existência do mundo dos outros. Daí vem a frustração, a raiva, a ansiedade, tão difícil de explicar, quanto de gerir. E é aí que eu me situo e onde gosto de estar: entre o emaranhado de nós de quem vê de outra forma e as barreiras de quem não aceita essa visão. E que gratificante é desatar estes nós, transpor estas barreiras. 💙
Sou uma psicóloga cheia de mundos... e grata.
paotrigo
Repost de 18 de fevereiro de 2022