Gabinete de Psicologia Dr. Rui Faria da Costa

Gabinete de Psicologia Dr. Rui Faria da Costa Psicólogo Clínico. Cédula Profissional nº 22564 OPP - Ordem dos Psicólogos Portugueses. Especialista em Psicologia Clínica. Registo ERS nº E180622.

Cuidados de Saúde Licenciados. Todas as consultas são consoantes marcações.

18/04/2026
12/04/2026

Informação em Saúde e Conteúdo Educativo / Psicoeducativo.
Quando se diz que cerca de 23% dos portugueses terão, ao longo da vida, sintomas de perturbação mental (Direção-Geral da Saúde, 2023), não estamos a falar de uma minoria.
Estamos a falar de uma expressão significativa da experiência humana, algo que atravessa vidas, contextos e fases.
Se juntarmos a isto o dado europeu de que cerca de 1 em cada 6 pessoas enfrenta problemas de saúde mental, percebemos que o sofrimento psíquico não é exceção. É, em muitos casos, uma resposta. Uma resposta ao modo como vivemos, ao ritmo que sustentamos e ao sentido, ou ausência dele que encontramos na vida.
Do ponto de vista psicológico, isto obriga a deslocar a pergunta. Em vez de “o que há de errado na pessoa?”, talvez seja mais rigoroso perguntar: “o que há de desajustado na relação entre a pessoa e o mundo em que vive?”. Porque a ansiedade pode ser lida como excesso de futuro, a depressão como ausência de sentido, e o esgotamento como um conflito entre aquilo que se é e aquilo que se exige ser.
Vivemos numa época que valoriza o desempenho, a produtividade e a comparação constante, mas oferece pouco espaço para a pausa, para a vulnerabilidade e para o erro. Exige-se estabilidade emocional num contexto instável. Exige-se clareza interna num mundo saturado de estímulos. Este desfasamento não é neutro, tem custo psicológico.
Falar de saúde mental, neste enquadramento, é também falar de ética e de cultura. Que tipo de vida estamos a normalizar? Que expectativas são colocadas sobre o indivíduo? E até que ponto estamos a confundir adaptação com saúde?

Informação em Saúde e Conteúdo Educativo / Psicoeducativo.
08/04/2026

Informação em Saúde e Conteúdo Educativo / Psicoeducativo.

04/04/2026

A história de Jesus não se impõe pela grandiosidade do poder, mas pela simplicidade desconcertante do princípio que a sustenta.
A história ensina a transformação interior como condição para transformar o mundo.
Não obstante, e num contexto marcado por hierarquias rígidas, exclusões e violência legitimada, introduz uma lógica inversa, a centralidade do outro, sobretudo do mais vulnerável. Assim, não propõe apenas normas; propõe uma reorganização do modo de ver, sentir e agir.
Os seus princípios não são confortáveis.
Logo, amar o próximo é exigente; amar o inimigo é disruptivo.
Digo isto, e sei que não se trata de moralismo, mas de responsabilidade interna: a coerência entre aquilo que se pensa, sente e faz.
Neste âmbito, ao deslocar o foco da regra para a intenção, a história com dois mil anos expõe uma verdade incómoda, o problema humano não reside apenas nas ações visíveis, mas nas estruturas internas que as originam.
Assim, reforço, dois mil anos depois, a permanência do conflito, da indiferença e da superficialidade relacional revela a dificuldade em integrá-la.
Conhecer não é o mesmo que incorporar.
Ano após ano, repetem-se discursos sobre valores, mas evitam-se os custos psicológicos da mudança: renunciar a certezas rígidas, confrontar incoerências, assumir responsabilidade.
Talvez a questão não seja se a humanidade compreendeu a mensagem, mas se está disposta a vivê-la.
Votos de Santa Páscoa.

28/03/2026

Cerca de 48% dos Jovens com Sintomatologia Psicológica: A Urgência de Intervenção Clínica Qualificada.
A evidência científica recente indica um aumento consistente da sintomatologia psicológica nos jovens, com particular incidência na ansiedade, depressão e estados de exaustão emocional. Em Portugal, estima-se que cerca de 48% dos jovens adultos reporte sofrimento psicológico relevante, sendo que uma proporção significativa apresenta sintomas depressivos em níveis moderados a graves.
Adicionalmente, verifica-se que uma parte expressiva refere tristeza persistente, dificuldades de sono e sentimentos de solidão. Este padrão não é isolado: a nível europeu, os indicadores seguem a mesma tendência, sendo as perturbações mentais uma das principais causas de incapacidade nesta faixa etária, com início frequentemente precoce, muitas vezes antes dos 14 anos.
Do ponto de vista clínico, estes dados sustentam a necessidade de uma resposta estruturada, baseada em modelos validados, avaliação rigorosa e intervenção diferenciada.
Contudo, observa-se paralelamente a emergência de respostas informais que se posicionam como alternativas de apoio à saúde mental, frequentemente dinamizadas por indivíduos sem formação superior na área da saúde ou sem enquadramento científico-técnico.
Estas práticas, embora por vezes bem-intencionadas, tendem a simplificar fenómenos complexos, podendo induzir interpretações erráticas, reforçar crenças disfuncionais ou atrasar o acesso a cuidados especializados.
Neste âmbito, a saúde mental, enquanto domínio técnico e científico, exige competências específicas de avaliação, diagnóstico e intervenção, sustentadas por formação acreditada e princípios deontológicos.
Assim, a diluição destes critérios, através da legitimação de “pseudo-ajudas”, constitui um risco acrescido, sobretudo numa população já vulnerável. Neste enquadramento, torna-se crítico reforçar a literacia em saúde mental, clarificar os limites de intervenção e promover o encaminhamento para profissionais de saúde qualificados, garantindo respostas eficazes, seguras e Eticamente sustentadas.

Fontes:
World Health Organization
World Health Organization. (2021). Adolescent mental health.
Direção-Geral da Saúde
Direção-Geral da Saúde. (2023). Programa Nacional para a Saúde Mental: Relatório e dados epidemiológicos.

27/03/2026

"Quando o silêncio fala: compreender e prevenir o suicídio."
Há momentos na vida humana que não se anunciam com ruído, mas com silêncio. O discurso de despedida, a doação de bens, a calma súbita após uma crise intensa, o aumento do consumo de substâncias ou o isolamento abrupto não são, na maioria das vezes, acontecimentos isolados; são sinais de um processo interno em curso. Quando alguém começa a organizar o que deixa para trás, pode não estar a resolver a vida, mas a encerrá-la. A calma que surge depois de um período de grande sofrimento pode não significar alívio, mas decisão. O afastamento dos outros pode traduzir não apenas solidão, mas a perceção de que a própria existência pesa ou deixa de fazer sentido. O consumo de substâncias surge frequentemente como tentativa de anestesiar uma dor que já não encontra linguagem.
O suicídio não é, na maioria dos casos, um ato súbito, mas um percurso progressivo onde o sofrimento se torna cada vez mais difícil de integrar. Do ponto de vista psicológico, este processo envolve frequentemente desesperança, rigidez cognitiva e uma redução das alternativas percebidas. A pessoa deixa de ver possibilidades e passa a ver apenas saídas. É precisamente por isso que o suicídio pode ser prevenido. Enquanto existem sinais, existe comunicação, mesmo que indireta, e onde há comunicação ainda há espaço para intervenção, para relação e para reconstrução de sentido.
A dimensão deste fenómeno é significativa. A nível mundial, mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos, o que corresponde aproximadamente a uma morte a cada 40 segundos. Em Portugal, registam-se cerca de mil mortes anuais, o que equivale, em média, a duas a três pessoas por dia.
Estes números não são apenas estatísticas; representam trajetórias interrompidas e sofrimento não resolvido.
Compreender estes sinais não é apenas um exercício clínico, é um posicionamento ético. Reconhecer, aproximar e dar significado ao que muitas vezes surge como silêncio pode constituir a diferença entre o encerramento de um percurso e a possibilidade de o reabrir.

Informação em Saúde e Conteúdo Educativo / Psicoeducativo.

20/03/2026

Não é apenas o que vives que define a tua vida, mas o significado que dás, sobretudo através dos teus pensamentos, a cada experiência.
Rui Faria Costa

Sinais de Alerta no Trabalho: Burnout e Boreout. É importante lembrar que o trabalho pode afetar profundamente a saúde m...
03/03/2026

Sinais de Alerta no Trabalho: Burnout e Boreout.
É importante lembrar que o trabalho pode afetar profundamente a saúde mental, tanto por excesso como por falta de exigência.
O “famoso” burnout surge quando há sobrecarga, pressão contínua e pouca recuperação, levando a exaustão, irritabilidade, quebra de desempenho e à sensação de “não aguento mais”.
Mas há outro estado que também merece atenção: o boreout. Neste caso, o problema é o oposto. A subcarga crónica, as tarefas sem sentido, a ausência de desafio e a subutilização de competências podem gerar tédio persistente, desmotivação e um vazio profissional que também desgasta.
Apesar de terem origens diferentes, ambos podem associar-se a ansiedade, humor depressivo, baixa autoestima e afastamento emocional do trabalho. Se estes sinais se mantiverem, é recomendável procurar profissionais de psicologia para avaliar e mensurar estes estados e definir estratégias ajustadas. Cuidar cedo ajuda a evitar agravamentos e a proteger o bem-estar.
Att.

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