12/02/2026
Os dados recentemente divulgados pela APAV | Associação Portuguesa de Apoio à Vítima constituem um alerta inequívoco para todos os que actuam nas áreas social, educativa e comunitária.
A violência no namoro continua a afectar, de forma predominante, jovens entre os 18 e os 34 anos. Este facto reforça a urgência de investirmos muito mais cedo na educação para as relações: nas escolas, nas famílias e nos espaços informais onde os jovens constroem a sua identidade e os seus modelos de afecto. A discrepância entre a percentagem de denúncias durante a relação e após a ruptura evidencia a complexidade do ciclo da violência. O medo, a dependência emocional e a normalização de comportamentos abusivos permanecem como barreiras reais, o que sublinha a importância de: profissionais devidamente capacitados para a intervenção; programas de prevenção consistentes e continuados; ambientes educativos que promovam a autonomia, o pensamento crítico e as competências socioemocionais.
A intervenção social e educativa detém um papel determinante neste processo. É imperativo desconstruir mitos, trabalhar a igualdade, fortalecer as redes de apoio e criar condições de segurança para que as vítimas consigam pedir ajuda. Estes números não são meras estatísticas, são vidas, histórias e trajectórias que podem ser transformadas através da mobilização da sociedade.
E vamos repetir: que este relatório sirva de impulso para reforçarmos as estratégias de prevenção e para continuarmos a construir relações baseadas no respeito, na empatia e na segurança. Mas para tal, temos todos de contribuir!