15/05/2026
"[...] Assim como exigimos – e com razão – que o cirurgião não tenha as mãos infetadas, também temos que insistir, com muita ênfase, na necessidade de autocrítica do psicoterapeuta, isto é, que ele esteja pronto a fazê-la a qualquer momento, ou seja, toda vez que essa necessidade se lhe tornar imperativa e manifesta através das resistências intransponíveis, possivelmente justificadas, do paciente. O paciente está aí para ser tratado, e não para a verificação de uma teoria. É que não existe teoria alguma no vasto campo da psicologia prática que, dependendo do caso, não possa estar radicalmente errada. Por exemplo, a opinião de que as resistências do paciente são injustificadas em qualquer circunstância é uma opinião que deve ser rejeitada. Pois a resistência também pode estar provando que a terapia está baseada em pressupostos falsos."
CARL GUSTAV JUNG, A PRÁTICA DA PSICOTERAPIA, §237