Prof. Dr. Carlos M Lopes Pires -psicólogo clínico

11/04/2026

(cont.)
b) trata-se de uma situação similar à anterior, EXCEPTO, que se acrescenta agorafobia. Isto é, transtorno de pânico com agorafobia, signif**ando que se acrescenta à caracterização anterior (alínea "a") o facto de a pessoa TAMBÈM sofrer de agorafobia. Neste caso, o tratamento será dividido em duas partes, já que se acrescenta à anterior a necessidade de acrescentar exposição exteroceptiva (isto é, exposição a estímulos externos). Na maioria dos casos é possível começar esta fase ainda decorrendo a anterior. Naturalmente, acrescenta-se às mencionadas dez sessões, um número que será de cerca de cinco sessões. Tudo dependerá de como decorre a primeira das fases.

09/04/2026

Como epílogo do longo texto que temos vindo a publicar, em partes, poderá perguntar-se: "e tem tratamento psicológico, a perturbação de pânico"? A resposta breve é: "sim, tem". O tratamento validado para esta desordem é altamente ef**az e eficiente, e no seu contexto mais simples faz-se em cerca de 10 sessões. Na sua modalidade mais simples consiste na utilização de um procedimento chamado Exposição, que é o modo de tratamento mais básico e ef**az em qualquer problema fóbico (não vamos entrar em detalhes técnicos sobre a exposição, pois gera sempre confusões, quando a explicação não é presencial. Basta o que circula na net...). No caso da desordem de pânico usa-se a "exposição interoceptiva" (que signif**a exposição aos estímulos internos). No entanto, tanto o contexto como a modalidade podem ter as suas complicações. Vejamos exemplos mais frequentes, começando pelo mais simples:
1. Pessoa sofrendo de distúrbio de pânico (a) sem agorafobia (signif**a que os seus ataques de pânico também e necessariamente em locais típicos da agorafobia (por exemplo: supermercados, centros comerciais, viagens, pontes, lugares públicos, etc); b) Não toma medicação (psicofármacos). Este é o caso mais simples e que, por norma, bastam as tais 10 sessões (ou até menos se a pessoa, por exemplo, estiver com este problema apenas há algumas semanas).

08/04/2026

2. Por que algumas pessoas desenvolvem e mantêm a Perturbação de Pânico: conduta em resposta ao/s primeiro/s ataque/s de pânico

Estudos indicam que do total de pessoas que têm um primeiro ataque de pânico, apenas cerca de OO% vem a desenvolver o disturbio de pánico. Para além da possível influencia de alguns dos factores referidos no tópico anterior, considera-se absolutamente necessário, para o desenvolvimento e manutenção desta perturbação, que exista uma conduta de fuga ou de evitamento/esquiva aos ataques de pânico e/ou respectivos síntomas e, por outro lado, o estabelecimento de um mecanismo designado medo de ter medo (Craske & al., 2000). Este último mecanismo parece sustentar-se em condicionamento interoceptivo ao passo que o primeiro se estabelece como uma crença. Também parece que, em geral, previamente ao desenvolvimento deste distúrbio, as pessoas passam por um período em que tiveram diversas experiências que poderemos caracterizar de quase pânico (sem que tenham sofrido, propriamente, ataques de pânico).

23/03/2026

A NATUREZA PSICOBIOLÓGICA DA PERTURBAÇÃO DE PÂNICO —

Não é estranho encontrar uma pessoa com perturbação de pânico que tenha antecedentes familiares semelhantes. Às vezes, esses antecedentes não estão diagnosticados, mas, se analisarmos os comportamentos, é fácil perceber tais semelhanças. Porquê?

“Desde a primeira entrevista com a mãe da Sandra, notavam‑se claros sintomas de agorafobia. Nunca saía de casa sozinha, passava horas na cama, ‘compreendia’ os medos da filha e contribuía para a sua manutenção, incentivando a evitação, deitando‑se com ela e permitindo tudo aquilo que a levava a f**ar cada vez mais isolada. A Sandra contava que também a sua avó (mãe da mãe) estava sempre sozinha, em casa, e referia‑se a ela como uma mulher arisca e deprimida.”

Vulnerabilidade biológica: embora seja verdade que não existam genes específicos que determinem o desenvolvimento da perturbação de pânico, vários estudos defendem a existência de uma predisposição para a vulnerabilidade a desenvolvê‑la em determinadas pessoas. Contudo, isto não signif**a que possuir essa predisposição implique vir a sofrer ataques de pânico. Estes fatores biológicos ajudariam a explicar porque é que este transtorno tende a surgir em algumas famílias. Ou seja, se uma pessoa sofre de perturbação de pânico, é mais provável que outro membro da mesma família também a apresente, comparando com o resto da população. Mas, em nenhum caso, esta predisposição, por si só, desencadeia o transtorno.

Embora seja frequente a ideia de que as pessoas herdam estas características dos seus progenitores, trata‑se apenas de uma crença que, além de carecer de fundamentos científicos, tem um problema maior: transmite à pessoa a convicção de que, sendo algo herdado, já nada pode fazer para mudar (a não ser, talvez, tomar medicação). De acordo com os autores deste livro, esta convicção conduz frequentemente ao desespero e à desistência da luta contra a perturbação.

Na verdade, são outros os fatores que, em conjunto com esta predisposição, interagem. E são esses fatores, por outro lado, que nos conduzem, como veremos depois, ao planeamento do tratamento apropriado para este distúrbio. Estes fatores têm uma natureza psicológica e psicossocial (isto é, interpessoal) e definem uma vulnerabilidade psicológica:

Medo das sensações corporais, que são interpretadas de forma catastróf**a ou como mais perigosas do que realmente são. Crenças de que um dano físico ou mental iminente vai ocorrer, podendo levar a pessoa a acreditar que está perante morte iminente, perda de consciência ou de controlo. Estudos mencionados por Barlow & al. (2008) indicam que tanto as pessoas que sofrem de perturbação de pânico como aquelas que não chegam a apresentar todas as características para um diagnóstico clínico têm maior consciência interoceptiva, isto é, detetam muito fácil e frequentemente alterações corporais.

Sensibilidade à ansiedade, ou seja, a interpretação da ansiedade como algo prejudicial no plano mental, físico ou social, faz com que a pessoa se assuste muito com a perceção das sensações corporais. A sensibilidade à ansiedade desenvolve‑se através de experiências de vida adversas, como viver de perto doenças ou a morte de um ente querido, ou por aprendizagem vicária — isto é, quando uma pessoa observa uma resposta ansiosa em alguém próximo e aprende a responder da mesma forma. Desde crianças recebemos continuamente informação sobre o nosso ambiente; se essa informação é transmitida como perigosa, desenvolvemo‑nos sob a crença de que vivemos num mundo inseguro, onde podemos sofrer danos graves a qualquer momento.

A existência de doenças na história de desenvolvimento destas pessoas, nomeadamente de tipo respiratório, tem sido identif**ada como preditora do aparecimento da perturbação de pânico. Tudo indica que a existência de doenças respiratórias em familiares próximos desempenha o mesmo papel (Barlow & al., 2008).

Finalmente, a ansiedade de separação na infância pode ser considerada um componente de vulnerabilidade para desenvolver esta perturbação (e outras) na idade adulta.

18/03/2026

O medo produzido pelas sensações corporais é diferente daquele provocado por estímulos externos. Quando o medo provém das sensações corporais, cria‑se um ciclo em que as perceções aumentam e o medo também, e quanto maior é o medo, mais intensas se tornam as sensações. Isto não acontece com estímulos externos. Ou seja, imaginemos que temos medo de um cão: a presença do cão provoca o nosso medo, mas não aumenta, por exemplo, o tamanho do animal — ele permanece sempre igual.

Por outro lado, as sensações corporais nem sempre são óbvias; geram uma perceção inespecíf**a, menos previsível do que um estímulo externo. Além disso, é mais difícil escapar das sensações corporais, que de algum modo estão sempre presentes. A imprevisibilidade e a falta de controlo aumentam a ansiedade geral perante acontecimentos adversos e, em particular, perante ataques de pânico. Assim, a própria natureza do pânico — imprevisível e incontrolável — associada às respostas corporais, contribui para níveis elevados de apreensão, ansiedade crónica e manutenção da ansiedade antecipatória relativamente à recorrência do pânico. Deste modo, a perceção de ansiedade aumenta a possível ocorrência de pânico, tanto pelo aumento direto das sensações que condicionaram o ataque anterior, como pela atenção constante à vigilância desses sinais corporais. Assim se desenvolve o ciclo de pânico e apreensão ansiosa.

Quando as pessoas desenvolvem ansiedade em contextos específicos onde ocorre o pânico, fala‑se de agorafobia. Nem todas as pessoas que sofrem ataques de pânico desenvolvem agorafobia. A investigação indica que os indivíduos com agorafobia têm ataques de pânico mais intensos do que aqueles que não a desenvolvem. As pessoas que sofrem de agorafobia antecipam o pânico perante determinadas situações.

O desenvolvimento da agorafobia não depende de fatores como a idade ou a frequência dos ataques de pânico. O estado ocupacional é um preditor da evolução da agorafobia: uma pessoa que tem a obrigação de sair de casa para trabalhar evolui melhor do que outra que não tem essa responsabilidade e se refugia em casa. Contudo, talvez o preditor mais forte seja o s**o, sendo as mulheres mais propensas a sofrer deste transtorno devido às expectativas associadas ao seu papel social.

Entre as características das pessoas que desenvolvem transtorno de pânico está a interação entre fatores biológicos e psicológicos, sendo que os fatores determinados social e culturalmente são mais relevantes para o desenvolvimento da agorafobia.

Além disso, todos possuímos o que se chama vulnerabilidade ao stress, isto é, uma tendência para que o nosso corpo responda com ativação neurobiológica perante acontecimentos potencialmente prejudiciais. No entanto, algumas pessoas são mais propensas do que outras a ter uma reação de alarme quando confrontadas com stressores (exames, excesso de trabalho, morte de um ente querido, divórcio ou até acontecimentos positivos que gerem ansiedade, como uma graduação, início de um curso universitário, casamento ou mudança de emprego…) e estas pessoas podem reagir com um ataque de pânico. Outras, perante o mesmo tipo de acontecimentos, respondem com enxaquecas, úlceras estomacais ou aumento da pressão arterial. As situações específ**as vividas pela pessoa durante um ataque de pânico f**am gravadas na memória e associam‑se ao pânico — tanto estímulos externos como internos — e, na próxima situação em que experiencie sensações semelhantes, acreditará que terá outro ataque. Este medo de voltar a sofrer um ataque contribui para a sua manutenção.

15/03/2026

A maioria das vezes em que ocorre um ataque de pânico pela primeira vez, acontece quando a pessoa que o sofre se encontra fora de casa, envolvida em situações como: conduzir, viajar em transporte público, ir a caminho das aulas, caminhar na rua ou estar exposta a uma situação de avaliação social (entre outras). Além disso, está associado a acontecimentos dos quais é difícil escapar.

Neste último caso, é frequente desenvolver-se agorafobia, porque a pessoa não consegue prever quando é que esse medo intenso voltará a acontecer. A reação natural associada ao pânico é a urgência de fugir dessa situação, o que, por sua vez, se relaciona com o medo. Ao mesmo tempo, as sensações produzidas pelas respostas fisiológicas do medo são percebidas como sinais ameaçadores de incapacidade, de se sentir preso, de ter uma sensação social negativa, etc.

Talvez já tenha ouvido falar do termo “arousal”. Este refere-se à ativação fisiológica e psicológica geral do organismo, que varia num contínuo que vai desde o sono profundo até à excitação intensa. As pessoas que têm um arousal automático elevado devido a outros fatores — como stress, estimulantes (café, dr**as, alguns medicamentos…), determinadas condições ambientais ou ansiedade antecipatória — tendem a somar estas sensações às do medo e a interpretá‑las também como ameaçadoras.

Em suma, o primeiro ataque de pânico é um falso alarme que se ativa em determinadas situações. Por vezes, é a resposta que algumas pessoas têm perante um acontecimento stressante, da mesma forma que outras reagem de maneira diferente, como com irritabilidade, por exemplo. Responde‑se a este falso alarme com muito medo, concentrando‑se nas reações corporais de perigo perante uma situação em que a pessoa se sente indefesa, sem possibilidade de parar aquilo que está a acontecer e com um desejo intenso de escapar.
1. POR QUE RAZÃO ALGUMAS PESSOAS DESENVOLVEM E MANTÊM A PERTURBAÇÃO DE PÂNICO: FATORES ANTERIORES AO/S PRIMEIRO/S ATAQUE/S DE PÂNICO
“Desde que o despertador tocava às 7h30 da manhã, a Estefanía tinha dificuldades em sair da cama; por vezes dizia que tinha dores de estômago, outras vezes dores de cabeça, ou afirmava não ter dormido durante a noite. Assim, costumava ter “razões” para não ir ao Instituto, e a mãe, “compreensiva”, aceitava esse absentismo.”

Uma pessoa que sofreu um primeiro ataque de pânico pode ativar um mecanismo denominado “medo do medo”, através do qual associa sensações corporais — como, por exemplo, taquicardia — a acontecimentos adversos ligados a esse ataque de pânico. Essas sensações físicas são interpretadas como sinais de morte iminente ou de perda de controlo. Se já passou por isto, é provável que, como consequência, tenha tentado evitar todas as circunstâncias que pudesse prever que lhe provocariam outro ataque de pânico. Este é o principal motivo para o desenvolvimento do transtorno: a evitação das situações temidas favorece a sua manutenção.

As pessoas que desenvolvem a perturbação de pânico tendem a ter crenças fortes sobre danos físicos ou mentais derivados das sensações corporais associadas aos ataques de pânico. Prestam mais atenção a palavras que representam ameaça, como fatalidade ou doença. Os seus sinais de medo refletem-se num arousal intensif**ado.

O padrão de medo aprendido em relação a certas sensações somáticas resulta numa sensibilidade aguda às sensações corporais normais. Por isso, algumas atividades quotidianas percebidas como semelhantes às experimentadas durante um ataque de pânico podem desencadear um novo episódio.

Existem contextos em que o indivíduo tem respostas menos intensas, especialmente quando sente que a situação está sob controlo ou quando está acompanhado por alguém de confiança. A pessoa com perturbação de pânico vai construindo um estilo de vida baseado na evitação de situações e/ou na procura de recursos que tornem o dia a dia mais suportável — como procurar companhia para ir a determinados lugares ou evitar certos sítios. Faz isto de forma tão subtil que pode passar despercebido aos outros, encontrando desculpas com uma lógica aparente que, muitas vezes, nem são planeadas, surgindo de forma natural.

“Durante o intervalo das aulas na Faculdade, a Anna não costumava ir à cafetaria com os colegas porque dizia que o fumo e o barulho a incomodavam, preferindo estar mais tranquila a passear ou a descansar num banco. Quando, por vezes, tentava ir, aquela sensação de aperto no peito e o desejo incontrolável de fugir apoderavam-se dela, até que acabava por sair dali.”

09/03/2026

À margem desta classif**ação dos ataques de pânico, gostaríamos também de fazer referência ao pânico noturno. Este nada tem a ver com pesadelos, terrores noturnos, insónias ou coisas semelhantes. Ocorre sem razão aparente e é semelhante ao ataque de pânico diurno. Tende a acontecer na transição do sono entre as fases 2 e 3. Entre 44% e 71% das pessoas que sofrem de perturbação de pânico relatam ter experimentado pânico noturno em alguma ocasião.

“Anna descrevia-me que odiava a noite, pois com frequência, depois de adormecer, acordava por volta das 3 da madrugada muito agitada, com fortes batimentos cardíacos e bruscas alterações de temperatura no corpo, sensações de formigueiro, pressão no peito, falta de ar e medo — sobretudo, muito medo de morrer sozinha durante a noite.”

Os ataques de pânico noturnos são desencadeados por alterações fisiológicas durante o sono. As respostas do organismo não dependem da consciência para que um estímulo dispare o pânico; podem ocorrer, inclusive, sob anestesia. Consequentemente, mudanças que ocorram nas funções corporais durante o sono podem ser desencadeantes desses ataques de pânico, que despertam a pessoa que os sofre e que interpreta essas sensações como ameaçadoras, até mesmo letais.

ATAQUE DE PÂNICO INICIAL
“Tinha passado apenas um mês desde que Marta, de 19 anos, sofrera uma rutura sentimental. Foi então que começaram as aulas, a 300 km da sua residência habitual. Num apartamento partilhado com outras duas estudantes, preparava-se para fazer os trabalhos quando as suas pernas começaram a tremer; não a conseguiam sustentar. A respiração, cada vez mais rápida, não lhe trazia ar, mas sim sufoco. Tudo parecia girar enquanto a sua cabeça f**ava vazia. O que estava a acontecer?”

Deve dizer‑se que os ataques de pânico são relativamente frequentes em crianças e adolescentes. Segundo Barlow e colaboradores (2003), ocorrem em cerca de 35% a 65% destes jovens (embora a perturbação de pânico tenha uma prevalência entre 1% e 5%).

06/01/2026

O DIAGNÓSTICO DA PERTURBAÇÃO DE PÂNICO

Antes de mais, há que referir que, actualmente, o diagnóstico deste transtorno considera a existência de vários tipos. Estes aspectos são importantes na medida em que poderá já ter ouvido falar de todos ou de alguns deles e isso causar-lhe alguma confusão. Em primeiro lugar, haverá que definir o que é um ataque, crise ou episódio de pânico . Assim, pode definir-se episódio de pânico como uma experiência súbita de medo intenso ou de intenso mal-estar, fazendo-se acompanhar de sintomas físicos que incluem, mais frequentemente, aumento do batimento cardíaco, palpitações, dor no peito, ciclos respiratórios curtos e rápidos, tonturas, desequilíbrio. Sensações de estranheza, despersonalização e tensão muscular, são igualmente muito frequentes. Na verdade, ainda que exista uma série de “sintomas” que a generalidade das pessoas refere, a expressão de tais sintomas depende muito de aspectos fenomenológicos subjectivos. Por exemplo, há pessoas que não sabem que aquilo que sentem é, realmente, medo. Este não reconhecimento pode levar, mesmo, a que uma pessoa julgue tratar-se de outras coisas e assim fazer interpretações inadequadas do que se passa (conheci uma pessoa que dizia não ir a discotecas por causa das luzes, que era o tipo de estímulo que tinha relacionado com o seu “mal-estar”). Eis como Barlow & al., (2003) definem a perturbação de pânico:
Panic disorder and agoraphobia: Recurrent unexpected panic attacks followed by at least 1 month of persistent concern about having another, constant worry about the consequences of the attacks, or a signif**ant change in behavior related to the attacks. The main feature of agoraphobia is anxiety about and avoidance of places or situations from which escape might be difficult or embarrassing or where help might be unavailable in the event of a panic attack or symptoms.

Uma pessoa pode ter mais ou menos sintomas. Quando se tem quatro ou mais sintomas, considera-se que tem um padrão completo (full-blow). Quando alguém tem ataques de pânico recorrentes desenvolve, igualmente, um padrão de medo, insegurança, evitamento ou fuga de lugares e situações que tenham alguma característica relacionada com a natureza psicológica desta perturbação: auto-estradas, cinemas, garagens subterrâneas, pontes, estar em filas, multidões. Estes são apenas alguns exemplos. Por outro lado, é muito habitual as pessoas que sofrem deste transtorno recearem que os ataques de pânico acabem por deixar alguma mazela orgânica. Na medida em que o medo das sensações físicas (nomeadamente, de activação) é central neste distúrbio, o mais frequente é que a pessoa evite actividades que provoquem essas sensações, como por exemplo o exercício físico ou as relações se***is.
De acordo com o manual mais usado para o diagnóstico das perturbações psicológicas, o DSMtr (1998), os critérios para o diganóstico de ataque de pânico são os seguintes:

CRITÉRIOS DE DIAGNÓSTICO PARA O EPISÓDIO DE PÂNICO
Existência de um período bem distinto em que predominaram queixas de medo intenso ou desconforto igualmente, em que pelo menos quatro dos seguintes sintomas se desenvolveram subitamente, atingindo um pico, durando, habitualmente, entre 5 e 10 minutos:

1. Palpitações, forte batimento cardíaco ou aceleração do batimento cardíaco
2. Suores
3. Tremores ou estremecimentos
4. Dificuldades em respirar
5. Sensação de sufoco
6. Desconforto ou dor no peito
7. Náuseas ou mal-estar abdominal
8. Sensação de tonturas, de desequilíbrio, de cabeça oca ou de desmaio
9. Desrealização (isto é, sensações de irrealidade) ou despersonalização (sentir-se desligado/a de si mesmo/a
10. Medo de perder o controlo ou de enlouquecer
11. Medo de morrer
12. Parestesias (entorpecimento ou formigueiros)
13. Sensação de frio ou de calor

21/08/2025

O QUE É O PÂNICO

“Hoje não fui à aula. Não consegui. Andei calmo o dia todo, até à hora da aula nunca sequer pensei em fugir, mas ao chegar à porta parei, sentei-me num banco mesmo à porta, tive lá 2 minutos e depois fui-me embora.
Fui cobarde eu sei, mas só de pensar que poderei ter um ataque de pânico. deixa-me logo em pânico!..só de pensar que tenho de durante um minuto falar, ser o centro das atenções, ter a minha voz projectada para uma plateia, fico logo em completo estado de agonia!..Nestas situações é como estive a ver um filme.. imagino como seria se fosse eu o actor, imagino, imagino e de repente alguém no televisor me puxa e me diz, bem agora vais ser actor!..vais estar na televisão, vais estar dentro do filme!.. toda a gente te vai observar, ouvir, toda a gente te vai avaliar!..toda a gente te vai g***r, criticar, toda a gente vai fazer troça de ti!..Vais perder o controlo e logo que comeces a falar as pessoas se vão aperceber que estás em pânico!..Vais fazer uma figura ridícula!..Pessoas que até pensavam que eras uma pessoa segura vão f**ar a saber que não!..No dia a seguir todos te vão olhar e vais ser alvo de chacota!..Não vou conseguir enfrentar essas pessoas e não vou voltar à faculdade..não vou acabar o curso..vou acabar como um falhado..sozinho..sem rumo..perdido..E nem tive sequer a coragem de tentar... porque tentar tem imensos riscos... sei que devia tentar mas não consigo!.. não consigo caramba!.. Estou desesperado há anos!..esperança não me falta... mas no momento em que tenho que enfrentar o medo nunca consigo..quero muito entrar no filme..mas tenho pavor a estar dentro da televisão!..
E mesmo quando estou a ter uma conversa em que sou só eu e outra pessoa, em que tenho eu a iniciativa de falar, de expor um raciocínio, fico bloqueado! Perco-me no raciocínio!..Fico a ouvir-me, como eu e a minha alma fossem duas coisas distintas. Fico apavorado!..”

Assim descreve João uma de tantas situações que tem de enfrentar, situações cotidianas, que outras pessoas vivem com autêntica normalidade, mas que para ele são um autêntico pesadelo. O pânico pode assaltar a pessoa, de que padece, de modo súbito e constituindo um medo extremo a todos os níveis. Para livrar-se de tão grande mal-estar a pessoa escapa da situação, o que, em vez de lhe resolver o problema, o incuba e agrava. E assim, antecipando situações onde anteriormente sofreu um ataque de pánico, a pessoa evita tais situações, gerando-se um círculo vicioso em que o medo é do próprio medo.

(Próximo tópico: O DIAGNÓSTICO DA PERTURBAÇÃO DE PÂNICO)

26/07/2025

(Continuação)

De entre as alterações corporais, características da ansiedade e do medo, podemos mencionar as seguintes: activación do sistema cardiovascular, constriccão dos vasos sanguíneos, diminuição do sangue nas extremidades dos dedod, que se redirecciona para os músculos do esqueleto e órgãos vitais, palidez, tremores, pilo-erecção. São ajustes de defesa que ocorrem durante episodios de medo extremo. Aumenta o oxigénio no cérebro que, através do sangue, estimula os processos cognitivos e sensoriais, activando um estado de alerta. Aumenta também a glucosa, para dar mais energía aos órgãos e músculos, para além do cerebro. Acelera a respiração, as pupilas dilatam-se e a actividade digestiva suspende-se, reduz-se a saliva, aumenta a vontade de urinar e defecar, assim como a possível ocorrência de vómitos. Toda esta resposta fisiológica prepara o corpo, desde há milénios para escapar a possíveis predadores.

Tópico seguinte: o que é o pânico?

10/07/2025

ANSIEDADE E MEDO

As emoções desempenham, pois, um papel importante nas nossas vidas. Tanto a ansiedade como o medo, são sistemas de alarme, programados filogenéticamente, necessários para fazermos frente a situações de ameaça. A ocorrência, seja de ansiedade, seja de medo, indicam-nos que devemos tomar medidas, com o objectivo de afastar tais ameaças. No entanto, quando a situação de ameaça não é real, antes resultando de uma interpretação errada de um dado acontecimento ou alteração corporal (exemplo: taquicardia), pode conduzir a estados ou a processos psicologicamente disfuncionais, como acontece nas fobias, e na perturbação de pânico, em particular.
Acresce explicar que, sendo sistemas de alarme para ameaças, a ansiedade é para ameaças não imediatas (exemplo: fazer uma viagem de avião daqui a dois meses), ao passo que o medo/pânico responde a ameaças imediatas, emergentes (exemplo: fazer hoje a viagem de avião). É por isso que ansiedade e medo se distinguem, desde logo, no tipo de respostas que provocam e, também no seu tratamento. É suficiente perceber que numa situação de medo existem três respostas possíveis: evitamento ou fuga, enfrentamento e imobilização (a pessoa f**a bloqueada, não consegue mover-se). Na ansiedade tais respostas não existem.
O problema é quando o medo tem por base ameaças falsas (mas que a pessoa interpreta como verdadeiras) e, por conseguinte, se comporta em consonância. Isto é, a uma certa altura, a pessoa avalia o medo que sente como a ameaça, e não como um alarme realmente falso.

08/07/2025

EMOÇÕES: O QUE SÃO E PARA QUE SERVEM

Etimológicamente, o termo emoção vem do latim emotio-onis que signif**a impulso que induz acção.

Não sendo fácil definir uma emoção, estas são fenómenos psicofisiológicos, que representam modos ef**azes de adaptação a diversas mudanças no contexto em que uma pessoa vive. Mentalmente, os aspectos psicológicos incluem um aumento da atenção e a elevação da probabilidade de certos comportamentos mais indicados para lidar com as exigencias (por exemplo: ameaças). No que respeita à fisiología, as emoções organizam as respostas de distintos sistemas biológicos, incluindo as expressões faciais, os músculos, a voz e o sistema endócrino, com o objetivo de estabelecer um meio interno óptimo, que conduza a um comportamiento mais efectivo. Permitem que uma pessoa estabeleça a sua posição no que respeita ao seu contexto, sendo impelida para determinadas pessoas, objetos, acções, ideias, ou, pelo contrário, afastando-a. Quer dizer, as emoções servem de guia no nosso dia a dia. Quando tudo corre bem, ajudam-nos a saber por onde irmos e com quem estarmos.

A emoção chamada MEDO é, realmente, um sentimento subjectivo de terror, envolvendo uma forte motivação para o evitamento ou para a fuga, incluido uma activação corporal, uma aceleração dos vários órgãos corporais (por exempo, o coração). É por isso que se diz que o medo, e as emoções, em geral, são constituidas por três componentes: comportamental ou motora, fisiológica e cognitiva. Quando falarmos, em específico do pánico, explicaremos em pormenor.
Embora se saiba que há áreas do cérebro associadas às diversas emoções, bem como conexões neurobiológicas entre elas, a interpretação que a pessoa faz das situações emocionais, em que se encontra, e seus contextos, determinam, em grande medida, as emoções que se produzem.

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