13/11/2025
O luto de quem está a morrer
Nem sempre lembramos que quem está a partir também vive um luto profundo.
É o luto pela perda da independência, do corpo que já não responde, das rotinas e dos papéis que sempre desempenhou. É o luto pelas despedidas que se aproximam e pelo desconhecido que se avizinha.
Este caminho traz mudanças emocionais: choros inesperados, tristeza ou apatia, irritabilidade, ansiedade… alguns tornam-se mais distantes, recolhidos no seu silêncio; outros, pelo contrário, mostram uma ternura nova, como se cada gesto fosse uma despedida amorosa.
E surgem medos muito humanos:
o medo da dor física e do sofrimento prolongado;
o medo de perder a dignidade, de depender totalmente dos outros;
o medo de ferir o coração dos que f**am;
o medo do desconhecido — “E depois?”;
e o medo de não ter tempo para terminar o que é importante.
O que podemos oferecer?
Presença. Escuta. Toque. Respeito.
A coragem de estar ali, sem pressa, sem tentar apagar a dor, apenas acolhendo-a.
No fim da vida, o amor manifesta-se em gestos simples.
E é isso que dá suavidade ao caminho.