09/12/2025
MEDO
quando somos crianças, as emoções chegam como tempestades antes do tempo. fortes demais. precoces demais para corpos ainda tão frágeis.
e quando estamos sós nessas experiências, sem quem nos traduza o que sentimos, o medo f**a guardado em nós como uma língua que nunca aprendemos a falar. desconhecida. assustadora. aparece particularmente no meio do escuro, na ânsia para adormecer, nos suores com os pesadelos...
o narrador que existe cá dentro, que nos conta o que está a acontecer dentro de nós, f**a sem saber falar uma língua se não houver um narrador externo, um adulto, capaz de pôr palavras onde só havia temor.
e então o nosso narrador interno cresce inseguro, incompleto e qualquer emoção mais forte já o coloca à prova além da conta. aquilo que começou por ser um pequeno medo do escuro, torna-se algo mais, algo assustador, algo que parece impossível de ultrapassar.
a boa notícia? os narradores podem ser (re)construídos. novas línguas podem ser aprendidas, com vínculos seguros,
com terapias que acolhem, com alguém que finalmente nos ajuda a traduzir o que antes era só caos.