29/01/2026
Há muitos anos conhecemos alguém com uma energia e força brutal. Havia sido diagnosticado com uma doença oncológica e alguma vezes o ouvi dizer : “posso morrer de cancro, mas o cancro nunca me matará”.
Admirava a coragem com que fazia a sua vida, enquanto buscava intensamente tudo o que pudesse contribuir para o seu bem estar. Vimo-lo chegar quase sem fôlego a locais onde dava palestras e onde deixava todos envolvidos pelo que transmita e partilhava. Descomplicava a vida, e fazendo tratamento e seguindo envolvido em tudo o que parecia torná-lo feliz e realizado. Buscava criteriosamente conhecimentos sobre o poderia ajudar a viver a vida com mais qualidade. Vimo-lo no SANTINI a escolher milimétricamente as quantidades e sabores do gelado que havia estudado previamente…
Tempos mais tarde aderiu a uma proposta que lhe foi feita para participar num programa de televisão no qual o José Alberto Carvalho estava em conversa com ele. Num desses programas o jornalista perguntou a Manuel Forjaz:
“Como é que uma pessoa saudável, que nunca fumou, que faz exercício e alimentação saudável, aparece com um cancro no pulmão?"
Ao que o mesmo respondeu : “Acho que Deus tinha 150000 mil cancros para distribuir em portugal, e sobraram-lhe alguns. Olhou para a população e pensou - Quem é que aqui aguenta bem com um cancro? Olha, o Forjaz aguenta, toma lá um cancro!" - e conclui:" E eu fiquei grato. Fiquei grato porque me escolheu a mim e poupou os meus filhos. venham todos os cancros que eu aguento. Não aguentava era um cancro num filho meu"
Hoje, passados tantos anos, cruzamo-nos com o que na época nos emocionou, e porque as memórias guardadas podem ajudar-nos a compreender como somos todos diferentes uns dos outros e perante experiências adversas nos comportamos e as significamos consideramos interessante partilhar esta perspectiva de alguém , que como muitos de nós , viveu as dificuldades inerentes à experiência de uma doença grave, com tratamentos exigentes e numa época em que ainda não havia tanta partilha e literacia em saúde , e em que o desenvolvimento de meios de medicina de precisão e ensaios clínicos não eram tantos quanto os que atualmente existem..
Salientamos que o cenário que coloca sobre a sua gratidão por ter sido ele o escolhido e não aqueles que mais amava , é partilhado por muitas pessoas que se confrontam com situações limite de doença grave, particularmente em relação aos descendentes.
12 anos não parece ser assim tanto tempo … mas o certo é que foi o tempo suficiente para que tivessem lugar grandes evoluções .. e há dias, tivemos o privilégio de participar num fórum onde se discutia o futuro na área da oncologia e dos cuidados de saúde… e os especialistas referiram de forma praticamente unânime, que daqui a 10 anos tudo será completamente diferente…
O futuro como será?