Vera Xavier

Vera Xavier Life Coaching, Desenvolvimento Pessoal e Espiritual

🌹25 de Abril: O Vento da Liberdade que traz Cravos e Cicatrizes 🌹Há dias que não se celebram. Honram-se com todas as cél...
25/04/2026

🌹25 de Abril: O Vento da Liberdade que traz Cravos e Cicatrizes 🌹

Há dias que não se celebram. Honram-se com todas as células do nosso corpo.
🌹 O 25 de Abril não começou nas ruas. Começou dentro de mulheres que já não queriam lidar com o medo. Mulheres que engoliam as palavras à mesa, que pediam licença para respirar, que aprenderam cedo que ser uma “boa mulher” era ser uma “fadinha do lar”: silenciosa, obediente, invisível. A que polia a prata enquanto a alma oxidava.

Que sabiam que o destino era serem encornadas e aceitar o fado das ‘necessidades do homem’. Porque não podiam gostar de s**o; não era digno de uma senhora. Ouvi-lo dizer: ‘A boca que beija os meus filhos não me mama’, diziam. Havia corpos usados sem escolha. Sem perguntas. Sem preliminares. Abortos feitos às escondidas, com dor, com medo, em lugares onde nenhuma mulher deveria alguma vez pisar.

🌹 Mas havia mais. Havia tanto mais.
Havia gritos engolidos durante anos. Gritos anónimos. Sem tempo. Sem testemunhas. Havia a tristeza — a única emoção permitida sem castigo. Havia noites sem dormir, mulheres de olhos abertos a proteger filhos de homens quebrados pela miséria, que bebiam para esquecer… e feriam para existir.
Havia celas. Havia mulheres presas por pensar — e violadas por ousar. Como foram durante séculos. Como ainda são hoje. Havia o silêncio imposto que desafiava a sanidade. Havia a tortura do sono. Havia a indiferença dos “justos”.

🌹A Madrugada
E depois… houve uma madrugada. Uma canção no ar: Depois do Adeus. Como quem diz: acabou. E outra, mais funda, que nos corre nas veias: Grândola, Vila Morena. A lembrar que o povo, por mais que tivessem tentado, não adormeceu. Ergueu-se.
E nós erguemo-nos. Juntos. Não só contra um regime, mas contra séculos de silêncio opressor. Tão opressor. O 25 de Abril deu-nos voz. Mas a liberdade… essa ainda se constrói todos os dias. Em cada escolha. Em cada mulher que já não se cala. Em cada mulher que f**a feliz por outras serem bem-sucedidas. Em cada mulher que não tem medo de se expor,  já compreendeu que a sua solidão não é um vazio, mas uma soberania. Ela é una, ímpar, inteiríssima e não a metade de m***a nenhuma.

🌹CONTINUA NOS COMENTÁRIOS 🌹

🌹 25 de Abril: O Vento da Liberdade que traz Cravos e Cicatrizes 🌹Há dias que não se celebram. Honram-se com todas as cé...
25/04/2026

🌹 25 de Abril: O Vento da Liberdade que traz Cravos e Cicatrizes 🌹

Há dias que não se celebram. Honram-se com todas as células do nosso corpo.

O 25 de Abril não começou nas ruas. Começou dentro de mulheres que já não queriam lidar com o medo. Mulheres que engoliam as palavras à mesa, que pediam licença para respirar, que aprenderam cedo que ser uma “boa mulher” era ser uma "fadinha do lar": silenciosa, obediente, invisível. A que polia a prata enquanto a alma oxidava.

Que sabiam que o destino era serem encornadas e aceitar o fado das 'necessidades do homem'. Porque não podiam gostar de s**o; não era digno de uma senhora. Ouvi-lo dizer: 'A boca que beija os meus filhos não me mama’, diziam. Havia corpos usados sem escolha. Sem perguntas. Sem preliminares. Abortos feitos às escondidas, com dor, com medo, em lugares onde nenhuma mulher deveria alguma vez pisar.

Mas havia mais. Havia tanto mais.
Havia gritos engolidos durante anos. Gritos anónimos. Sem tempo. Sem testemunhas. Havia a tristeza — a única emoção permitida sem castigo. Havia noites sem dormir, mulheres de olhos abertos a proteger filhos de homens quebrados pela miséria, que bebiam para esquecer… e feriam para existir.
Havia celas. Havia mulheres presas por pensar — e violadas por ousar. Como foram durante séculos. Como ainda são hoje. Havia o silêncio imposto que desafiava a sanidade. Havia a tortura do sono. Havia a indiferença dos “justos”.

A Madrugada
E depois… houve uma madrugada. Uma canção no ar: Depois do Adeus. Como quem diz: acabou. E outra, mais funda, que nos corre nas veias: Grândola, Vila Morena. A lembrar que o povo, por mais que tivessem tentado, não adormeceu. Ergueu-se.
E nós erguemo-nos. Juntos. Não só contra um regime, mas contra séculos de silêncio opressor. Tão opressor.

O 25 de Abril deu-nos voz. Mas a liberdade… essa ainda se constrói todos os dias. Em cada escolha. Em cada mulher que já não se cala. Em cada mulher que f**a feliz por outras serem bem-sucedidas. Em cada mulher que não tem medo de se expor, já compreendeu que a sua solidão não é um vazio, mas uma soberania. Ela é una, ímpar, inteiríssima e não a metade de m***a nenhuma."

O Devir
Há muito ainda por fazer, mulheres e homens livres. Não adormeçamos! Não nos deixemos cair na tentação do culto do fácil, do mastigado. Dá trabalho ser boa pessoa? Dá. Exige a capacidade de te colocares nos sapatos do outro. De sentires as suas dores. De te imaginares no mar Mediterrâneo, numa jangada lotada. De te imaginares no deserto, às mãos de um gangue de almas vulgares.

O 25 de Abril não nos deu apenas o direito de falar; deu-nos o dever de ouvir os que ainda gritam em silêncio
Há muito ainda por fazer, mulheres e homens livres.

Não adormeçamos!
Não adormeçamos sobre os louros de quem sangrou por nós. A liberdade não é um monumento parado no tempo; é um músculo que atrofia se não for usado, um fogo que exige lenha fresca todos os dias. Mantenhamos os olhos abertos, por nós e pelos que virão, para que o nosso conforto de hoje seja o solo onde a liberdade continua a florescer.
Não adormeças.

🌹 E uma coisa é certa: Jamais voltaremos atrás.
*Jamais!* 🌹

By Vera Xavier

💫 Ela f**a sozinha para se respeitar.Ele f**a sozinho porque ainda não sabe lidar com o silêncio nem com o vazio nem com...
24/04/2026

💫 Ela f**a sozinha para se respeitar.
Ele f**a sozinho porque ainda não sabe lidar com o silêncio nem com o vazio nem com o medo que *todos* sentimos.

E antes que alguém leve isto para o lado pessoal…
não é só sobre homens vs mulheres.

É sobre maturidade emocional.

Porque estar sozinho não é o busílis.

O busílis é precisares de alguém
para não teres de lidar contigo.

💫 Há quem use relações como fuga.
E há quem use o silêncio como transformação.

E isso vê-se nas escolhas.
Nos padrões.
Na paz — ou na falta dela.

Eu vejo isto todos os dias.
Mulheres que finalmente se escolhem e deixam de estar na sombra de quem não tem brilho há muito…

💫 Se isto te tocou mais do que gostavas de admitir…
talvez esteja na hora de fazer algo diferente.

O primeiro passo está no link da bio.💫

💫 Ela f**a sozinha para se respeitar.Ele f**a sozinho porque ainda não se encontrou.E antes que venham os ofendidos…não,...
23/04/2026

💫 Ela f**a sozinha para se respeitar.
Ele f**a sozinho porque ainda não se encontrou.

E antes que venham os ofendidos…
não, não é sobre género.
É sobre maturidade emocional.

Porque estar sozinho não é o problema.

O problema é não te suportares a ti própri@.

Há quem precise de distração constante.
Há quem finalmente tenha coragem de se encarar ao espelho.

E isso vê-se.
Nas relações falhadas.
Nos padrões repetidos.
Na incapacidade de estar em paz sem constante validação externa.

Eu vejo isto todos os dias.

💫 Mulheres que deixam de aceitar migalhas… YES!
e homens que ainda não perceberam porque continuam sozinhos.

Duro? Talvez.
Mas real.

Se isto te incomodou… ótimo.
É aí que começa a mudança.

O primeiro passo?
🖋️ Está no link da bio.

💫Há mulheres solteiras a construir vidas inteiras e tranquilas E homens solteiros ainda a tentar construir-se a si própr...
22/04/2026

💫Há mulheres solteiras a construir vidas inteiras e tranquilas
E homens solteiros ainda a tentar construir-se a si próprios.

A diferença não está no estado civil.
Está no nível de consciência.

Há quem use o tempo sozinho para se evitar…
E há quem o use para se encontrar.

💫 E é aí que tudo muda.

Eu vejo isto todos os dias nas minhas sessões:
Mulheres que deixam de se abandonar,
que se respeitam,
e que finalmente criam uma vida que faz sentido — com ou sem alguém ao lado.

Não tem nada a ver com sorte.
É trabalho interno.

Se isto te fez pensar…
começa por onde muitas começam
🖋️no link da bio.

O Karma não é bem o que te disseram Sobre leis distorcidas, responsabilidade pessoal e o início de uma era que nos pede ...
20/04/2026

O Karma não é bem o que te disseram

Sobre leis distorcidas, responsabilidade pessoal e o início de uma era que nos pede contas.

Já usaste a palavra karma hoje? Aposto que sim. Talvez quando alguém te fechou a passagem no trânsito e murmuraste, com uma serenidade budista mal amanhada, "o karma vai tratar disto, meu camelo”. Ou quando uma ex-amiga teve um contratempo e alguém no grupo sussurrou, com uma satisfação muito mal disfarçada de espiritualidade, "é o karma a funcionar". Usamos a palavra com uma leveza desconcertante, como se fosse um sistema de justiça divina automático, uma espécie de tribunal cósmico que anda por aí a distribuir bónus e castigos conforme o comportamento de cada um. É assim tipo uma máquina de vending do universo: metes moedas boas, sai sorte; metes moedas más, sai problema. Simplório, não é?
Não é isso. Nunca foi assim.

Mas antes de chegar ao karma, precisamos de conhecer a Mulher que mais contribuiu para o trazer para o Ocidente. Helena Petrovna Blavatsky, a HPB para os íntimos — como eu, por exemplo (presunção e água benta) e para o meu mui querido prof . José Manuel Anacleto, que tanto me ensinou —, casou aos dezassete anos com Nikifor Blavatsky, um homem de quarenta e tal anos, Vice-Governador, escolhido pela família com a delicadeza com que se escolhe um parador. Na cerimónia, quando o padre pronunciou as palavras "honrarás e obedecerás ao teu marido", ela viu vermelho e depois ficou mortalmente pálida. Três semanas fugiu a uma velocidade estonteante pela porta para nunca mais ser vista. Não para casa da família. Para o mundo. Embarcou numa viagem de três décadas pela Ásia, Médio Oriente, Europa e Américas, foi recebida em mosteiros budistas no Tibete e em templos hindus na Índia, estudou com mestres que a maioria dos homens da época nem sabia que existiam, e regressou para fundar a Sociedade Teosóf**a e escrever obras que ainda hoje moldam o pensamento esotérico ocidental. Algumas obras foram traduzidas pelo nosso Fernando Pessoa e, pelo que se sabe, terão produzido uns curto-circuitos na sua mente brilhante. HPB usou o nome do marido a vida toda, porque era a única forma de uma mulher do século XIX viajar com alguma credibilidade e segurança. Foi o único préstimo que ele lhe deu, e ela aproveitou-o na totalidade. Valente!

Vamos ver o que diz a Tradição.
Ora bem, esta mulher extraordinária e inconveniente explicava o karma não como punição mas como equilíbrio. É a lei da causalidade aplicada à consciência: cada pensamento, cada intenção, cada ação cria uma onda que se propaga e regressa. Não como castigo divino, mas como consequência natural, com a mesma neutralidade com que uma pedra atirada à água cria ondas que voltam à margem. A pedra não é punida. A água não julga. É física. É Lei.

O karma é um dos sete princípios herméticos, esse conjunto de leis universais atribuído a Hermes Trismegisto e compilado no Kybalion, que descreve o funcionamento profundo da realidade.
Vamos a elas: As sete leis são o Mentalismo, a Correspondência, a Vibração, a Polaridade, o Ritmo, o Género e a Causalidade, que é o karma. Sete leis. Um sistema completo e interdependente. E nós pegámos numa, descontextualizámos, simplificámos até ao tutano e transformámos num instrumento de julgamento dos outros e de vitimização própria. É um talento notável, convenhamos.

O gnosticismo cristão vai ainda mais fundo. Para os gnósticos, o karma não é apenas uma lei exterior que nos acontece. É o espelho da nossa consciência. Cada ilusão que mantemos, cada sombra que recusamos ver em nós, cada vez que projetamos no outro o que não queremos reconhecer em nós próprios, cria um padrão que se repete até ser compreendido. Não para nos punir, para nos ensinar e podermos passar para outro nível de consciência. A distinção é abismal: num caso somos vítimas de um sistema, no outro somos co-criadores do nosso próprio percurso.

Aqui está a distorção que nos tem feito tanto mal. Quando reduzimos o karma a "mereces o que tens" ou "vais pagar pelo que fizeste", palavras ditas por um comum mortal, transformamos uma lei de crescimento numa lei de julgamento. E o julgamento tem um efeito muito conveniente: desresponsabiliza e mantém-te na frequência da culpa. Se o mal que me acontece é karma de uma vida anterior que não me lembro, não tenho nada a fazer além de sofrer com resignação espiritual, típica da Era de Peixes. Se o mal que acontece ao outro é karma dele, não tenho nada a fazer além de observar com uma distância muito confortável. É indiferença. É uma forma sofisticada de fatalismo travestido de elevação espiritual.

A lei da Correspondência, outra das sete leis herméticas, diz "como é em cima é em baixo, como é dentro é fora". O que manifesto na minha vida exterior corresponde ao que habita a minha vida interior. Não como punição, mas como mapa. O que vejo à minha volta que me perturba, que me irrita, que me faz sofrer repetidamente, é um convite a olhar para dentro e perguntar o que ali ressoa. É uma lei de responsabilidade radical e de poder pessoal. Porque se o de fora corresponde ao de dentro, então transformar o de dentro transforma o de fora. Não é magia. É mecânica da consciência e não interferência direta de um ser maior que nos olha de forma paternalista e acusatória… e atenção, para cada um de nós. Quão egocêntricos somos, terráqueos?! Adiante.

É precisamente aqui que a mudança de Era entra com toda a sua potência. A Era de Peixes, os dois mil anos que agora termina, foi a era das grandes religiões, dos salvadores, dos intermediários entre o humano e o divino. E do fanatismo, também. Foi uma Era necessária e extraordinária que nos deu Jesus, Maria Madalena, João Baptista, Maomé, o Buda histórico e milénios de exploração espiritual profunda. Porém, teve também a sua sombra longa: a tendência para delegar a responsabilidade. Para esperar o salvador externo. O céu. As virgens no paraíso. Para olhar para cima em vez de para dentro. Para aceitarmos discursos como “sacrif**a-te agora para depois seres recompensada”. É por isto que a religião foi chamada por muitos como o ópio do povo. Sabes quem disse isto? Karl Marx.

A Era de Aquário pede o oposto. Pede que cada uma de nós assuma o papel de sacerdotisa da sua própria existência. Pede que paremos de usar o karma como desculpa para o que nos acontece e comecemos a usá-lo como bússola para o que criamos. A pergunta deixa de ser "porque é que isto me acontece?" e passa a ser "o que estou a criar? O que estou a aprender? Como posso deixar o mundo melhor do que quando cheguei?"

São perguntas muito mais exigentes. E muito mais libertadoras.
O karma não é o tribunal cósmico que anda a tomar nota das nossas falhas. É o professor amoroso e o mais honesto que alguma vez teremos, esse que não nos dirá o que queremos ouvir, mas o que precisamos aprender. E a melhor notícia, aquela que a HPB sabia quando saiu pela porta três semanas depois do casamento, é esta:
Não somos vítimas do Karma. Somos as inventoras da nossa Existência.

Constrói a tua, irmã! Avança porque o tempo está exigente e, como já sentiste, está a voar.
Ajeita o teu lindo manto e começa agora, melhor.

By VeVera Xavierota: Na próxima semana vamos falar sobre o mito das ‘almas-gémeas’.

18/04/2026

Estive a ver pela 2a vez o documentário do para tentar extrair algum conteúdo dali.
Ouço medo, muito medo.


A Desilusão da Era de Aquário Ansiávamos um mundo desperto, ainda não aconteceu."Não é sinal de saúde estar bem adaptado...
12/04/2026

A Desilusão da Era de Aquário
Ansiávamos um mundo desperto, ainda não aconteceu.

"Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente." Krishnamurti disse isto há décadas e nós acenámos com a cabeça, sublinhámos a frase, partilhámo-la com um pôr do sol em fundo e voltámos ao que estávamos a fazer. Que é, precisamente, adaptar-nos a uma sociedade doente com uma eficiência admirável.

Mas comecemos pelo princípio, porque a Era de Aquário não é apenas um álbum dos anos 70, embora também seja isso. É um conceito astrológico que diz que o eixo da precessão da Terra vai transitando, ao longo de milénios, pelos signos do zodíaco, e que estamos agora a entrar na era regida por Aquário, o signo da humanidade, da fraternidade, do conhecimento partilhado e da consciência coletiva expandida. Cada era dura aproximadamente 2.160 anos e, como seria de esperar numa era dedicada ao conhecimento partilhado, ninguém concorda exactamente em quando esta começou. Alguns dizem que já começou, outros que estamos na transição, outros apontam para 2597. A ironia escreve-se a ela própria.

Era de Aquário, Liberdade, Responsabilidade, Fraternidade|Coletivo… Soa bem, não soa? Soa mesmo muito bem. Era suposto sermos todos mais despertos, mais livres, mais solidários, mais evoluídos. A humanidade finalmente a crescer, como uma criança que se torna adulta e larga os brinquedos da violência, do fanatismo e da ignorância. Temos 2.160 anos para o fazer, o que é simultaneamente reconfortante e assustador, dependendo do dia. Esperávamos maturidade coletiva. Caiu-nos nos braços o achismo universal com as redes sociais. Obrigada, Urano.

O achismo, convém dizê-lo com o carinho que merece, é uma das forças mais destrutivas do nosso tempo precisamente porque se apresenta como pensamento. Tem a forma da opinião, a energia da convicção e o conteúdo de uma conversa de bar depois do terceiro shot. Toda a gente tem uma verdade. Toda a gente a proclama em voz alto, com hashtag e tudo. E ninguém, absolutamente ninguém, parece minimamente incomodado com o facto de verdades contraditórias não poderem ser todas absolutas ao mesmo tempo. A lógica saiu do jogo.
Os mestres, esses que dedicaram vidas inteiras a estudar, a questionar, a desmontar as suas próprias certezas, morreram cheios de dúvidas. Sócrates sabia apenas que não sabia nada. Montaigne passou a vida a questionar-se a si próprio, o que na época era filosofia e hoje seria diagnosticado como transtorno de ansiedade — vulgo, medo — generalizada e medicado em conformidade. Sim, o que está por detrás da ansiedade é puro medo.

Krishnamurti passou décadas a dizer às pessoas que não o seguissem, que o pensamento livre não admite gurus, que a verdade não cabe em nenhum sistema. Nós ouvimos, acenámos e fizemos dele um guru. É quase cómico se não fosse tão exatamente o problema.

Porque o busílis não é a liberdade. A liberdade é uma conquista sagrada e cara, paga com sangue e tempo e gerações de mulheres e homens que não viveram para a ver. O busílis é a liberdade sem o seu par inseparável: o conhecimento. E aqui há uma distinção que vale a pena fazer devagar, porque não é a mesma coisa ter informação, ter conhecimento e ter sabedoria. São três andares do mesmo edifício e a maioria de nós vive no rés-do-chão convencida de que está na penthouse com whirlpool bath.
A informação é o que lemos, ou melhor, é o título do artigo que não abrimos. O conhecimento é o que integramos, quando temos paciência para isso, que raramente temos. A sabedoria é o que vivemos, testamos, erramos, revisitamos e transformamos em algo genuinamente nosso. E nós ficámos pelas parangonas. Pelo resumo de três linhas de um livro que nunca comprámos. Pela opinião de alguém que também não leu o livro mas fala com uma segurança que intimida e que tem muitos seguidores, o que, aparentemente, é o novo critério de verdade. Valha-nos os deuses!
Krishnamurti disse também: "Tu és o mundo e o mundo és tu." Nós vemos o mundo como nós somos, não como ele é. A nossa realidade é sempre uma projeção, sempre um filtro, sempre a soma das histórias que nos contaram e que decidimos, consciente ou inconscientemente, acreditar. O imbróglio começa quando nos esquecemos disso. Quando a nossa verdade parcial e mastigada por outros se transforma em verdade absoluta e universal que, generosamente, decidimos impor aos outros com a subtileza de um martelo pneumático.

Classif**amos pessoas publicamente com a desenvoltura de quem distribui cromos na escola primária. Cancelamos, julgamos, condenamos, com a certeza serena de quem nunca considerou, nem por um segundo, que pode estar errado. Vamos parar um segundo: cancelamos pessoas que não concordam connosco. Deixa respirar. Isto é… censura. E aqui está o paradoxo que ninguém quer ver: a mesma liberdade que exigimos para nós próprios, negamo-la alegremente a quem pensa diferente. Porque mesmo que o argumento do outro nos pareça absurdo, ridículo ou insuportável, todos, todos, todos temos o direito de o dizer. A liberdade de expressão não é uma dieta em que decidimos o que os outros podem ou não engolir.

A liberdade de expressão não é uma dieta em que decidimos o que os outros podem ou não engolir. E por falar em consumo, voltamos ao episódio seguinte, ao próximo ciclo de indignação programada que nos mantém ocupadas, convictas e magnif**amente distraídas de pensar por nós próprios.
Krishnamurti, lá de onde estiver, continua a não estar surpreendido. Ele sabia que a consciência não aparece no meio de umas minis, não se partilha com hashtag e não chega por streaming. Constrói-se. Devagar, com curiosidade, com leitura, com escuta e com a coragem rara de mudar de ideias. Essa, sim, seria a verdadeira Era de Aquário, aquela que nos pede o mais difícil de tudo: entrar em nós antes de tentar mudar o mundo. Porque só dá ao coletivo quem primeiro foi honesto consigo próprio. O resto é barulho nem sempre com boa intenção.
E tu, o que vais fazer com o resto da tua vida?

By Vera

07/04/2026

⭐️ Novo episódio do no YouTube!
Vai lá ver, vais?
🔗 Link na bio

🪬 Hoje é Dia das Mentiras. 🪬Mas as maiores mentiras quase nunca foram acerca de homens.Estas verdades acerca das Mulhere...
02/04/2026

🪬 Hoje é Dia das Mentiras. 🪬

Mas as maiores mentiras quase nunca foram acerca de homens.
Estas verdades acerca das Mulheres foram obliteradas de livros, de prémios, da versão oficial da História.

A mentira de que elas não fizeram nada. De que as Mulheres são… espera…irracionais.

⭐️ Rosalind Franklin.
⭐️ Lise Meitner
⭐️ Nettie Stevens
⭐️ Cecilia Payne.
⭐️Jocelyn Bell Burnell.
⭐️ Hedy Lamarr.

Seis mulheres que fizeram descobertas que mudaram o mundo.
Seis vezes em que o crédito foi para outro.
Sempre pelo mesmo motivo.
Sempre com o mesmo triste padrão.
E o que acontece quando gerações inteiras de mulheres crescem sem ver o seu valor reconhecido?

Acontece o que muitas de nós conhecemos bem: a sensação de que o que fazemos nunca chega.

Acontece a dificuldade em ocupar espaço sem pedir desculpa. A exaustão de provar, todos os dias, que
merecemos estar onde estamos e ir mais longe.
Isso tem é um peso enorme que carregamos diariamente. E esse peso passou de geração em geração.

Reconhecer isso é o primeiro passo para deixar de carregar o que não nos pertence. ✨

📨 Partilha este post com uma mulher que precisa de ler isto.


✨ O sucesso também revela o que ainda precisa de cura. Mais visibilidade pede segurança interior.Mais responsabilidade p...
31/03/2026

✨ O sucesso também revela o que ainda precisa de cura.
Mais visibilidade pede segurança interior.
Mais responsabilidade pede regulação.
Mais expansão pede presença.
Sem isso, entramos em padrões antigos: perfeccionismo, controlo, hipervigilância, necessidade
de provar e dificuldade em descansar.
É assim que muitas mulheres conseguem alcançar sucesso e continuam a vivê-lo em alerta, em
exigência e em esforço constante.
✔ Continuam a cumprir.
✔ Continuam a entregar.
✔ Continuam a alcançar.
E a paz f**a sempre adiada. ❌

Na live gratuita de hoje, dia 31, às 21h, vou falar sobre feridas emocionais, culpa, modo sobrevivência e a forma como tudo isso influencia a nossa vida, as nossas decisões e a forma como
sustentamos o sucesso.

Uma conversa para mulheres que querem viver com mais clareza, regulação e liberdade interior.

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