08/03/2021
Mu-danças
Nos últimos tempos a vida tem sido um abrir e fechar, onde tão depressa parecia que a nuvem ia desaparecer e que os momentos iam regressar ao nosso dito normal, para momentos em que de novo nos fechávamos no casulo há espera de uma nova primavera para sair...
No meio de tanta agitação e confusão, parece que ao invés de soluções o nevoeiro ganhou e confinou o sol para nos levar a conhecer apenas incertezas e aceitar que às vezes é na incerteza que temos de confiar sabendo que tudo muda e que temos de ser permeáveis ao novo ritmo que a vida nos impõe.
A verdade é que nesse turbilhão, a vida foi passando entre momentos de puro desfrutar das pequenas coisas que outrora já não tínhamos tempo, para momentos confusos dos quais queriamos fugir e correr mas o mundo teimou em continuar e seguir o seu rumo.
Nessa dança rítmica, fomo-nos adaptando às vezes aos tropeços, às vezes em queda, às vezes a decidir com todos os medos de olhos em nós... Mas a vida não pára nem mesmo quando achamos que não temos como avançar, somos obrigados a esse ritmo a esse ir mesmo sem saber onde ou porquê...
Nesses decidires dolorosos e sem rede nem sempre se encontra a velha segurança de saber o que dizer ou fazer, mas onde o importante é fazer algo porque já não basta ficar a ver.
Resta-nos por fim aceitar as danças e mudanças da vida, confiando acima de tudo naquele momento único em que tudo parece ter encaixado, mesmo sabendo que dentro em breve todas as incertezas vão estar ali à frente para nos defrontarmos com a terrível incerteza do não controlo e o medo de errar.
E nessas danças e mudanças, espero ter consigo encontrar o caminho ainda que não veja a luz, ainda que não saiba onde vai dar, mas permitindo-me acreditar em mim e desfrutando mesmo da incerteza do não saber.
Namasté!
Vanessa Barros Albernaz
https://www.facebook.com/vanessa.b.albernaz