24/04/2026
6 - A CRIANÇA
A criança nasce, e para crescer, para se desenvolver de modo harmonioso, tem necessidade de receber o indispensável, fundamental esmero da mãe, da boa mãe, da mãe suficientemente boa[1], e o suporte e enquadramento de seus pais, da sua família.
Mas, a criança já existe antes de nascer. Existe na vida intra-uterina e na pessoa de sua mãe, no seu mundo. Está na mãe, protetora que resguarda o embrião, depois feto que guarda e cuida, que protege do meio ambiente externo. Mãe, mulher que é também a cuidadora com a nutrição intra-uterina, alimentação contributo para o desenvolvimento desde embrião a feto, com os órgãos em desenvolvimento. Até que aconteça o nascimento, a separação do ventre materno para o meio exterior, onde a criança irá crescer.
Assim, antes de nascer a criança já existe, na mente da mãe e, biologicamente em desenvolvimento no seu ventre. O feto em desenvolvimento sente, movimenta-se, a mãe também sente, sentem-se mutuamente. A criança existe e nascendo irá crescer.
Os modelos de crescimento podem ser diferentes, de acordo com os ambientes culturais, mas, a criança necessita sempre de um enquadramento maternal, familiar, social e cultural.
A criança bebé, necessita de sentir afecto, cuidado, atenção, alimento, estímulos, proteção.
A criança bebé em desenvolvimento, está atenta às descobertas, ao que vê, reconhece movimentos, necessita de se mexer. Deseja tocar, descobrir, e aprende a gatinhar, Procura aumentar a capacidade de se mobilizar.
A criança, bebé em desenvolvimento percebe que há sons que ouve e que saem da boca de sua mãe. E gradualmente, procura imitar os movimentos dos lábios que vê, os sons que ouve e, balbucia as primeiras palavras. E estimulada, aprende a falar, a comunicar pela palavra falada. E ao saber falar e ao ouvir, também aprende o que é dizer a verdade e o que é negar a verdade.
E a criança estimulada, já faladora, ajudada, começa a andar. E, gradualmente conquistando o equilíbrio, sente-se livre, mais autónoma para se movimentar para onde desejar.
A criança em desenvolvimento tem naturalmente desejos de procurar conquistas, de experimentar, testar a sua autonomia, desejo de explorar o que não conhece. E essa descoberta também implica correr alguns riscos.
Por isso, é necessário ensinar a criança, para que aprenda que, por prevenção educação, tem de haver orientações, objectivos, regras e limites.
Por prevenção, quem educa reconhece as condições, as realidades individuais, familiares, e coloca limites. Tem de colocar limites para que essa exploração, essa descoberta seja valiosa, seja benéfica para o desenvolvimento da criança.
A criança em desenvolvimento br**ca, necessita de br**car, tem de br**car. Também tem de ser educada, ajudada a entender, gradualmente, o sentido da regra e de prestar atenção. E também o sentido do cumprimento dos dever, da importância de respeitar os limites no tempo e os limites no espaço. Tem de ser educada também para entender o valor do cuidado, do cuidar e, compreender os motivos da não aceitação da preguiça e de atitudes de desleixo.
Se quem educa considerar oportuno, a criança realiza os desejos e, sente-se recompensada, gratificada. E, se ainda não for oportuno, a criança tem de encarar a frustração de adiar a satisfação dos desejos.
Também há situações em que a criança não pode fazer o que quer, concretizar algum desejo, e terá de se confrontar com uma maior desilusão.
Assim a criança aprende, e cresce nas condições de equilíbrio entre os seus desejos e, a oportunidade para concretizar a satisfação dos desejos. Entre desejos, concretizações e frustrações, vai crescendo.
Criança, excessos e carências
Os excessos de “oferta” de apetrechos materiais ou de tralha, com que muitas crianças e famílias são invadidas em certas culturas, resultam da intensidade e da competição de interesses comerciais, económicos e até de políticos (que com ofertas de entorpecedores, manipulam, engraxam pessoas, atraem a população).
Os excessos de ofertas materiais, também podem resultar de estratégias de compensação, iniciativas do adulto que procura desculpabilizar-se de eventuais descuidos e agradar à criança. E, assim procura “tapar” a carência de vivências de intimidade psicológica paterna, ou materna, que seriam importantes para o crescimento da sua relação e para o robustecimento da criança em confiança e autoestima.
Em que pode a criança confiar?
Infelizmente, não raramente, há crianças que não recebem a atenção de que necessitam. São como que órfãs de pais vivos, e frágeis com sentimentos de abandono, ou até com verdadeira solidão.
Vivem no desequilíbrio, em carência de equipamento psicológico, proximidade afectiva, emocional, e em abundância de equipamento material, brinquedos, guloseimas, vestuário, dinheiro, produtos da moda, parafernálias em voga, na moda. São crianças abastadas em bens materiais, mas carenciadas em intimidade com seus pais.
A criança é facilmente influenciável. Mas, na realidade todos estamos ao alcance de estratégias de instrução que muito influenciam para consumir até em abuso do consumo, estratégias explícitas ou implícitas, que são muito usadas em publicidade comercial.
A instrução para uso de objectos que criam desejo de manipulação, também é usada para “atingir” crianças, desde a primeira infância à adolescência. Em publicidade é explicita a instrução, sedução para a manipulação de brinquedos dos mais simples aos mais elaborados, de écrans muito intuitivos, de jogos que não são brinquedos, e até de ferramentas e de máquinas para a criança.
Criança que tenha sido seduzida e que esteja menos educada, pode ser vítima de usos abusivos, de comportamentos desregulados. E, estando sujeita à tirania dos mercados, pode tornar-se criança consumista. E isto pode acontecer com a coexistente ignorância, cegueira ou cumplicidade de adultos.
Infelizmente há adultos que sustentam consumos e comportamentos abusivos e, que desconhecendo ou negando as consequências nocivas, mal educam, ou deseducam as crianças. E algumas, manipuladoras, correm o risco acrescido de que se tornem crianças ditadoras.
Oferecer tudo o que a criança deseja, sem existir necessidade, ou sem haver esforço para a conquista, ou sem ter mérito para o conseguir, não é educar.
Educar é ensinar a saber fazer e a saber esperar.
A criança pode querer descascar uma peça de fruta, fazer como vê fazer. Mas, até certa fase do desenvolvimento, quem cuida da criança descasca a fruta, para a criança comer. E, em fase posterior, quem cuida já ensina a criança a usar a faca, objecto cortante. E a criança que já aprendeu, descasca e come a fruta.
Tudo em equilíbrio, em tempo adequado, nem atrasado, nem adiantado.
Progressivamente a criança é educada com ensinamentos e instrução para saber mais, para poder, gradualmente, gerir com qualidade, a sua vida individual e relacional, familiar, social e ambiental.
Quem educa deve estimular na criança, os métodos, os caminhos, percursos adequados para a autonomia, mas no tempo e no modo adequado ao desenvolvimento dessa criança.
Infantilizar a criança é travar o seu desenvolvimento.
Adultizar a criança é roubar etapas no seu desenvolvimento.
A criança não é um adulto em miniatura, é uma pessoa em desenvolvimento.
E, no respeito pela criança em desenvolvimento, há que evitar, há que não permitir, nem estimular, a inversão de papeis familiares. Há que estar atento para rejeitar a criação, a instalação de situações em que a criança é que faz de adulto.
Mudanças contemporâneas
O mundo digital tornou-se omnipresente. Os avanços do mundo digital facilitam a vida, mas também proporcionam o facilitismo que pode ameaçar a qualidade de vida, e até promover o desleixo na educação.
As crianças nascidas neste século, em pleno desenvolvimento da tecnologia digital, crescem com referências muito diferentes dos pais.
Mas, a facilidade da instrução digital, bastante intuitiva, exige da parte dos adultos uma grande atenção para garantir cuidados e elevado nível na qualidade na educação.
A mudança cultural desencadeada pelo novo mundo digital criou, e continua a criar, situações inesperadas, desafios ao equilíbrio Intergeracional, no âmbito da relação do mundo real e do mundo virtual.
Aprendemos que, antes dos dois anos o bebé não deve ficar só, na solidão em frente do ecrã, “despejado” ou “despachado”, sem presença e interação humana.
Aprendemos que dos dois aos seis anos, a criança já começa a entender a dimensão virtual, do ecrã imagem bidimensional, fora da dimensão da realidade, que é tridimensional.
Também sabemos que o mundo digital cada vez mais vai estar presente na vida da criança em desenvolvimento. Assim, para prevenir a sedução da fuga para o abuso do ecrã virtual, como refúgio, a criança terá de ser educada também nesta área e, muito bem preparada.
Importa recordar que o comportamento de cada cidadão, revela também a relação que tem com a educação que recebeu ou não recebeu, que desenvolveu ou não desenvolveu, desde criança.
Em condições normais e desejáveis, entre a criança em desenvolvimento e o mundo exterior que a criança encontrou quando nasceu, está a sua família.
A família é suporte que tem de ser valorizado como essencial para a criança, para o ensinamento e seu crescimento em Educação.
7 - Por Prevenção, uma porção de cada vez
Ocasião para participação em Saúde e Educação.
7 - FAMÍLIA, A PRIMEIRA ESCOLA
Na tradição intergeracional, tem sido hábito considerar, reconhecer a família como a primeira escola da criança, a nossa primeira escola.Sabemos que as dinâmicas familiares de outrora, são, para muitas pessoas, bastante diferentes das dinâmicas de agora.
Mas a importância, o valor, a relevância e a responsabilidade da Família na estruturação psicossocial, afectiva e emocional da criança continua a ser de um valor insubstituível.
Para a criança os valores da família são os alicerces, a base do seu desenvolvimento.
Continua...
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Com estima
Luis Patricio
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