18/11/2017
8 ATITUDES TÍPICAS DE PESSOAS QUE TÊM DEPRESSÃO, MAS NÃO DEMONSTRAM:
Medo ou desconhecimento?
Conheça 8 sintomas das pessoas que vivem com o que é chamado de “depressão mascarada”, uma doença em que tentam esconder ou não sabem que a têm.
Embora a sociedade atual demonstre, de modo geral, um maior conhecimento sobre a depressão, o que se vê, muitas vezes, é uma compreensão equivocada desta doença e dos seus sintomas.
Por tratar-se de uma doença marcada por um estigma, nem sempre conseguimos identificar familiares ou pessoas próximas que estão a lutar contra a depressão. Pior ainda: devido às conceções erradas sobre os diferentes modos de manifestação da doença, e o tipo de ajuda a ser procurado, muitos indivíduos que sofrem de depressão não recebem o devido diagnóstico.
O resultado disso é que muitos indivíduos convivem com uma depressão mascarada – ou seja, invisível para as pessoas que os rodeiam, ou mesmo para eles próprios. Além disso, nos casos em que não recebeu o diagnóstico adequado, o indivíduo tenderá a lidar com os seus problemas de modo a esconder a depressão, e terá dificuldades para reconhecer os verdadeiros sintomas da doença.
É preciso deixar de lado a conceção de que o sofrimento é sempre visível. Deste modo, será possível compreender melhor e oferecer ajuda aos que lutam contra as doenças não manifestas. Enumero a seguir, alguns sinais de uma pessoa que talvez sofra de uma depressão mascarada.
1. A pessoa “não parece deprimida”
Influenciados por estereótipos culturais e veiculados pelos media, muitos têm uma imagem falseada do comportamento e da aparência do indivíduo com depressão. Na visão do senso comum, esta pessoa raramente sai do seu quarto, veste-se com desleixo, e parece estar sempre triste. Porém, nem todos os que sofrem de depressão têm o mesmo comportamento.
Claro que as pessoas são diferentes, assim como variam os sintomas e a capacidade de cada um de lidar com a doença. Muitos conseguem exibir um “verniz” de boa saúde mental – como mecanismo de autoproteção –, mas o fato de serem capazes de o fazer não significa que eles sofram menos. Do mesmo modo, as pessoas incapazes de mostrar tal “verniz” não são mais “fracas” que as demais.
2. A pessoa pode parecer exausta, ou queixar-se de um cansaço constante
Um efeito colateral da depressão é um cansaço permanente. Embora este sintoma não se manifeste em todos os que sofrem de depressão, ele é muito comum. Em geral, é um dos piores efeitos colaterais desta doença.
Além disso, se o indivíduo não recebeu o diagnóstico de depressão, a causa deste cansaço pode ser uma incógnita. Mesmo que ele durma um número suficiente de horas à noite, talvez acorde na manhã seguinte como se tivesse dormido pouco. Pior do que isso: talvez se culpe a si próprio, atribuindo isso à preguiça ou então a algum defeito da sua personalidade que lhe está a causar esta sensação de fraqueza e falta de energia.
Este sintoma também acaba por se tornar uma dificuldade para quem recebeu o diagnóstico de depressão, mas tenta ocultá-la dos amigos e colegas. Isso porque esta sensação de cansaço afeta o seu ritmo de trabalho e também os seus relacionamentos pessoais.
3. Ela poderá ficar mais irritadiça
O comportamento de uma pessoa com depressão pode ser interpretado, equivocadamente, como melancolia. É muito comum que a pessoa deprimida fique mais irritadiça, e que isso não seja interpretado como um sintoma da doença. Isso é compreensível, já que a depressão não é um problema de saúde visível, e não pode ser medido com precisão – o que dificulta o combate à doença.
Além disso, o esforço constante exigido do indivíduo para lidar, ao mesmo tempo, com as inúmeras exigências da sua vida quotidiana, e com a depressão, absorve as suas energias, deixando-o impaciente e incapaz de ter a compreensão exata sobre as coisas.
Se o seu amigo ou conhecido têm o diagnóstico de depressão, e partilham essa informação consigo, uma dificuldade poderá surgir, caso o comportamento destas pessoas não corresponda à imagem (equivocada) que se tem de uma pessoa com depressão: uma pessoa tímida e calada. A tendência a ter “pouca paciência” e a irritar-se com facilidade é, na verdade, um efeito colateral da depressão.
4. Para a pessoa pode ser difícil corresponder ao afeto e preocupação das pessoas à sua volta.
A ideia errada mais comum em relação à depressão, sugerida nos parágrafos acima, é que ela causa um sentimento de tristeza. Pelo contrário: muitas vezes, o indivíduo com depressão não sente nada; ou então vive as emoções de modo limitado ou passageiro. Depende de cada caso, mas muitos relatam um sentimento parecido com o “torpor”, e o mais próximo que chegam de uma emoção é uma espécie de tristeza, ou irritação. Deste modo, o indivíduo terá dificuldade em corresponder de modo adequado a gestos ou palavras afetuosas. Ou então nem se dará ao trabalho de manifestar qualquer reação.
Talvez demonstre uma irritação nada racional: é possível que tenha dificuldades para processar e corresponder a atitudes afetuosas.
5. Talvez recuse a participar em atividades de que gostava muito
Uma atípica falta de interesse em participar de atividades – e durante um longo período – pode ser um sinal de depressão. Conforme mencionado acima, esta doença drena a energia tanto no plano físico quanto no mental – o que afeta a sua capacidade de sentir prazer com as atividades quotidianas.
Uma pessoa com depressão talvez não se sinta mais atraído por atividades que adorava no passado, pois esta doença acaba por dificultar o desfrutar de tais atividades, que já não o satisfazem mais. Se não há nenhum outro sinal visível que possa explicar o interesse cada vez menor do indivíduo por estas atividades, este talvez seja um sintoma de depressão clínica.
6. Talvez passe a ter hábitos alimentares incomuns
O indivíduo deprimido desenvolve hábitos alimentares incomuns por duas razões: como um modo de lidar com a doença, ou como um efeito colateral da ausência do cuidado consigo mesmo. Comer pouco ou em demasia é um sinal comum de depressão. A ingestão excessiva de alimentos é vista como vergonhosa, e neste caso a comida talvez seja a principal fonte de prazer da pessoa com depressão, o que a faz comer além do necessário.
Quando o indivíduo depressivo come pouco, em geral é porque a doença está afetando o seu apetite, transformando o ato de comer em algo desagradável. Isso também pode ser uma necessidade subconsciente de controlar algo, já que ele não é capaz de controlar a sua depressão. Se a pessoa não recebeu o devido diagnóstico, ou se omitiu diante das pessoas o fato de estar deprimida, elas poderão considerar que os hábitos alimentares “errados” se devem a um defeito de personalidade, e tal “julgamento” fará com que o indivíduo deprimido se sinta ainda pior.
7. Os outros talvez passem a exigir mais de você
Naturalmente, as funções vitais de uma pessoa com depressão não podem ser as mesmas de alguém com boa saúde mental. Haverá coisas que ele não será mais capaz de fazer com a mesma frequência, ou abandonará de vez. Perturbá-lo ou fazer com que ele se envergonhe por causa disso só tende a causar mágoas, em vez de ajudar. Se a depressão é um assunto que ele tem tido dificuldade de abordar, será igualmente difícil para ele lidar com alguém que fique irritado diante de sua incapacidade de agir do mesmo modo que uma pessoa mentalmente saudável.
Por isso, convém sempre ser compreensivo com as pessoas, seja de seu círculo profissional ou do pessoal. Não há como saber se um indivíduo está simplesmente “desacelerando”, ou se está enfrentando um verdadeiro problema de saúde.
8. Ela poderá ter dias maus, e dias “melhores”
Trata-se de uma doença com altos e baixos. Se o indivíduo sofre de uma depressão mascarada, ou não diagnosticada, pode parecer que as suas flutuações de humor sejam aleatórias, dependendo da regularidade da sua depressão. Para si (e mesmo para ele, no caso de ele não ter recebido um diagnóstico), talvez não haja uma motivação para as alterações de humor, mas esta é simplesmente a maneira como a depressão se manifesta em algumas pessoas.
Se conhece alguém que sofre de depressão, poderá ter a falsa impressão de que ele, tendo passado por uma sequência de dias “bons”, está definitivamente curado. O fato de ele ter passado um dia melhor do que na véspera pode ser excelente, mas convém que lhe peça para que ele deixe claro o que consegue ou não fazer, e em que momentos.
Concluir que o indivíduo que sofria de depressão está plenamente recuperado, ou forçá-lo a retomar rapidamente a rotina normal poderá sobrecarregá-lo, e fazer com que ele se retraia novamente.
Ofereça apoio ao amigo ou familiar com depressão, peça a ajuda de um psicólogo, mas deixe que ele tome as decisões necessárias.