19/05/2021
Hoje deparei -me com esta imagem na conta da Enfermeira Carmen Ferreira (Quem não conhece e lida com pequenitos, toca a seguir) e apesar de ser uma imagem já bastante conhecida que demonstra as diferenças entre o cérebro de um bebé que é amado, acarinhado, tem as suas necessidades atendidas (à esquerda) e o cérebro de um bebé negligenciado (à direita) fiquei a pensar.
Não foram raras as vezes que ouvi, em relação ao meu filho, e da boca de pessoas de bem (que me amam, na verdade) a pergunta:
"Não estás a mimar demasiado o teu filho?"
Se nas primeiras vezes dizia, simplesmente, "não", houve um momento em que me indaguei verdadeiramente acerca disto.
Como partilha pessoal, admito que somos adeptos, enquanto família, do movimento Gentle Parenting apenas porque a nós, enquanto pais, com a nossa história pessoal, nos faz mais sentido. Não digo que é o melhor, o mais acertado por X,Y ou Z mas é o mais acertado para nós. Não é "mais fácil", não nos simplifica a Vida, mas é-nos mais natural.
Por isso, ouvir a pergunta:
"Não estás a mimar demasiado o teu filho?"
É algo que não nos faz sentido, no entanto, eu compreendo a pergunta e de onde ela vem.
Existe a ideia de que ao se ser gentil não se impõe limites, que ao responder com amor a um acesso de raiva, se potencia o comportamento ou que a palavra "Não" não faz parte do léxico de quem pratica este modelo educacional, o que não poderia estar mais distante da realidade, no entanto, não sou pedagoga ou educadora e, na verdade, já me estou a distanciar do tema inicial.
Falamos de Amor. Amor nas suas mais diversas formas, pelo cuidado, pelo atendimento de necessidades, pela atenção, pela gentileza, carinho, disponibilidade, tempo e brincadeira. Pelo exemplo.
Hoje, que me despeço de uma pessoa muito querida, não posso deixar de pensar no quanto esta questão do Amor nutrido nas fases mais precoces da Vida tem um impacto tremendo no desenvolvimento de alguém e em vários aspectos do seu Ser.
Tenhamos todos mais Amor. Pelos mais pequenos, mais graúdos, pelo Outro mas, e sobretudo, pelo Eu, o Eu pequenino que se mantém dentro de nós e que não cresceu connosco.
"A forma como falamos com os nossos filhos, torna-se a sua voz interior."