01/07/2021
O COVID E CO-EXISTÊNCIA DE DOENÇA VASCULAR
Um dos mais tristes eventos da nossa história recente, é sem dúvidas, a tão conhecida COVID-19. E como desde cedo percebemos, parece ter vindo por muito tempo.
Atualmente, os vários e específicos sinais e sintomas desta patologia, foram já comentados e dados a saber à sociedade, contudo, várias complicações – das que destacamos as Vasculares têm acontecido. São destes quadros que falaremos. 5
Afinal, sendo uma doença principalmente do sistema respiratório, o que ocorre para o surgimento de vários eventos Vasculares, na maioria com finais tão complicados e indesejáveis?
- Sabemos que esta doença, e estas novas estirpes (ou variações) do Corona Vírus, estão entre nós, mas cientistas, médicos e pesquisadores, por todo o mundo, não têm poupado esforços, no que diz respeito à sua investigação, a fim de conhecermos mais detalhada e pormenorizadamente todas as suas complicações - “sequelas”.
É, portanto, consensual, entre a classe médica, OMS e Investigadores a nível mundial, que a pré-existência de Doença Vascular, venosa e/ou arterial, estão entre os mais graves fatores de risco, e que como já dito, apesar de afetar inicial e principalmente a função respiratória, é igualmente um importante fator desencadeante de complicações Vasculares.
Segundo a OMS - 39% dos Médicos envolvidos nas mais recentes pesquisas, e no tratamento desta patologia, indicam que pelo menos 1 dos seus pacientes, tiveram ou foram acometidos por um quadro Vascular, envolvendo fenómenos Tromboembólicos.
A incidência destes fenómenos, tem vindo a variar de indivíduo para indivíduo, independente das múltiplas variações e mutações genéticas do vírus.
Alguns doentes desenvolveram estas complicações durante o processo ativo da doença, e outros foram acometidos após até 45 dias do diagnóstico inicial e já depois de terem recebido alta Hospitalar.
Entre os diversos doentes, percebeu-se que os que estiveram internados, com uma forma mais grave da doença, tiveram comprometimentos Vasculares Arteriais. Ao contrário, os pacientes que estiveram em casa, por terem tido formas menos agressivas da doença, foram os que predominante sofreram de eventos Vasculares a nível Venoso, como a Trombose Venosa.
Saliente-se, no entanto, que nem todas as pessoas que apresentaram quadros trombóticos tinham problemas circulatórios pré-existentes, e muitos estavam com idades jovens, entre os 30 e 60 anos. Não eram idosos.
A nível Hospitalar, existem recursos terapêuticos, e o recurso aos mesmos, foram uma importante decisão, para os casos de doentes com as formas mais graves de doença, bem como para os casos que constituíram receio da formação de trombos pulmonares e/ou coronários.
A trombose, segundo a OMS, é um dos problemas cardiovasculares que mais mata no mundo. Trata-se da formação de coágulos no interior das veias e artérias, que causam a obstrução total ou parcial dos vasos. Durante este advento pandémico, este facto foi muito visível e mereceu sempre uma particular atenção.
Recentemente, o Colégio Americano de Cardiologia, fez uma publicação, sobre as implicações da infeção pelo novo coronavírus em pessoas com pré-existência de doença vascular. Neles, a pré-existência de qualquer forma de doença vascular não torna o indivíduo mais suscetível a infetar-se com o vírus do que que outro individuo saudável – mas caso ocorra, estas complicações aumentam consideravelmente.
A afirmação de que só doentes idosos desenvolverão problemas Vasculares, também não corresponde à realidade, destaca-se sim a realidade que, alterações de coagulação em indivíduos de qualquer idade, no contexto desta doença (Covid-19) conduzirão com maior probabilidade a eventos catastróficos.
As principais complicações vasculares ficam a dever-se a lesões, na parede interna dos vasos, (a que designamos por endotélio) que se deveram a reações inflamatórias. Estas reações por sua vez podem apresentar outros riscos importantes como estados de hipercoagulação, lesão das paredes internas já referidas, lesões mecânicas pela acumulação e pressão física de plaquetas e outras células com funções iguais no interior dos vasos e não só, já ao contrário, nos vasos venosos observam-se por esses motivos situações de estase sanguínea, que é a diminuição da velocidade no interior da veia, levando a uma maior propensão da formação de coágulos.
Quem já possui previamente doença vascular, deve, portanto, receber maior atenção, por parte da classe médica.