30/04/2026
Sobre o cogumelo vulgarmente chamado " CHAGA".
Todos precisamos ,de vez em quando, de um estímulo à nossa imunidade.
O fungo com o nome científico Inonotus obliquus (I. obliquus) pertence à família de Hymenochaetaceae, da classe basidiomicetes, sendo também conhecido por Fuscoporia oblique ou Chaga (na Rússia).
Irrompe através dos troncos das árvores e aparece como grandes estruturas vesiculares semelhantes, com tamanhos que variam entre 5 a 40 cm de diâmetro. A superfície é muito irregular, rachada e profundamente fissurada, que se assemelha a carvão queimado. Por dentro, possui uma cor enferrujada e textura lenhosa, constituída por micélios entrelaçados. Habita preferencialmente em troncos vivos de bétula madura, como Betula platyphylla Suk, Grebillea robusta A Cunn ex R.Br, e raramente em Ulmus pumila L. e Alnus japonica.« Este fungo é restrito a habitats frios, incluindo América do Norte, Finlândia, Polónia, Rússia, nordeste da China e do Japão.
Tem sido popularmente usado para tratar cancro gastrointestinal, doenças cardiovasculares e diabetes, pelas populações, na Rússia e países da Europa de Leste.
Como constituintes activos, foram encontrados triterpenos, polissacarídeos, polifenóis e melanina. Além do mais, vários estudos relataram que I. oblíquus pode prevenir e curar o HIV, promover o anti-envelhecimento, reduzir a pressão arterial, melhorar os sintomas físicos provocados por alergia e fortalecer o sistema imunitário do organismo. Apesar de se ter tornado num importante recurso no desenvolvimento de novos meios para o tratamento do cancro, as condições de habitat severas e a velocidade de crescimento extremamente lenta, gera recursos naturais limitados, e torna o seu cultivo difícil. Foi demonstrado in vitro, em esplenócitos e macrófagos de rato, que os polissacarídeos existentes no I. obliquus podem aumentar a atividade imunoestimulante, como a proliferação celular, a libertação de moléculas tóxicas, aumentar a actividade fagocítica, e a secreção de citocinas. Para além disso, esses polissacarídeos promoveram a activação das proteínas cinases ativadas por mitogénio (MAPKs) e do fator nuclear-kB (NFkB), mediados pelos macrófagos. In vivo, provou-se que têm a capacidade de suprimir o crescimento de melanoma, em ratinhos.
Adaptação livre da tese de mestrado de Sílvia Santos Felgueiras ''Utilização de cogumelos imunoestimulantes em oncologia''.
Monografia realizada no âmbito da unidade Estágio Curricular do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas, Julho 2014."