António Castanho - Psicólogo

António Castanho - Psicólogo Psicologia, psicoterapia EMDR, Brainspotting

13/03/2026

“Quantas pessoas odiaram na vida? Pensem.”

Um enorme gosto em ter participado neste Colóquio, que contou com excelentes intervenções e momentos de verdadeiro enriq...
09/03/2026

Um enorme gosto em ter participado neste Colóquio, que contou com excelentes intervenções e momentos de verdadeiro enriquecimento partilhado entre todos os participantes.

O evento reuniu mais de 220 pessoas, entre participantes presenciais e online, que acompanharam através da JustiçaTV — um sinal claro do impacto e do interesse que temas como este continuam a suscitar.

As fotografias e vídeos das intervenções já se encontram disponíveis no site do Tribunal de Relação de Évora, e podem ser consultados e partilhados no seguinte link:

👉 https://tre.tribunais.org.pt/galeria/eventos

Os bolsos que faltam na roupa das mulheres lembram-me de todas as tentativas de controlar o que pensam, carregam e dizem...
08/03/2026

Os bolsos que faltam na roupa das mulheres lembram-me de todas as tentativas de controlar o que pensam, carregam e dizem – como se justiça, liberdade e igualdade fossem perigos a esconder. Neste Dia Internacional da Mulher, quero homenagear cada “casaco perigoso” que vocês criam: feito de autonomia, afeto, alianças entre mulheres e coragem para reclamar o óbvio – respeito, segurança e humanidade para todas.

𝐓𝐫𝐚𝐮𝐦𝐚 𝐈𝐧𝐭𝐞𝐫𝐠𝐞𝐫𝐚𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚𝐥: 𝐐𝐮𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐚𝐬 𝐅𝐞𝐫𝐢𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐚𝐬 𝐂𝐫𝐢𝐚𝐧𝐜̧𝐚𝐬 𝐬𝐞 𝐓𝐨𝐫𝐧𝐚𝐦 𝐨 𝐅𝐮𝐭𝐮𝐫𝐨 𝐝𝐨 𝐌𝐮𝐧𝐝𝐨O mundo está profundamente ferido.  M...
08/03/2026

𝐓𝐫𝐚𝐮𝐦𝐚 𝐈𝐧𝐭𝐞𝐫𝐠𝐞𝐫𝐚𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚𝐥: 𝐐𝐮𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐚𝐬 𝐅𝐞𝐫𝐢𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐚𝐬 𝐂𝐫𝐢𝐚𝐧𝐜̧𝐚𝐬 𝐬𝐞 𝐓𝐨𝐫𝐧𝐚𝐦 𝐨 𝐅𝐮𝐭𝐮𝐫𝐨 𝐝𝐨 𝐌𝐮𝐧𝐝𝐨

O mundo está profundamente ferido.
Milhões de crianças crescem em cidades destruídas, campos de refugiados, casas onde antes havia uma família e agora só há silêncio.
Carregam feridas profundas, abertas, que não se veem nas notícias, mas que se inscrevem no corpo, no olhar, no sono, no futuro.

Não é que não exista tratamento. Sabemos cada vez mais sobre trauma, regulação, neurodesenvolvimento, vínculos seguros, intervenção precoce. O que não existe é acesso: a ajuda não chega até elas, ou chega tarde demais, em doses mínimas, num mundo que normalizou o sofrimento das crianças como “colateral”.

Estas crianças cresceram a ver pais mortos, torturados, humilhados. Aprenderam demasiado cedo que ninguém está a salvo, que a qualquer momento tudo pode acabar.
Crescem aterrorizadas, a viver em estado de alarme permanente, divididas entre o medo de morrer e a raiva de sobreviver.

No lugar onde deveria nascer confiança, cresce desconfiança.
No lugar da curiosidade, instala-se a hipervigilância.
No lugar do brincar, surge a luta, o congelamento, a dissociação.

Quando uma criança cresce assim, a promessa da vingança vai tomando a forma de identidade: “um dia vou saldar esta dívida”. Não é “maldade”, é uma tentativa desesperada de restaurar poder num mundo que a esmagou. São gerações inteiras educadas não para sonhar, mas para sobreviver e vingar.

O trauma não é incurável.
O que muitas vezes parece incurável é a indiferença do mundo.
Enquanto discutimos política, território e poder, há crianças que só precisavam de segurança, de um adulto suficientemente bom, de espaço para chorar, brincar, voltar a confiar. Cada intervenção que não chega, cada guerra que se prolonga, é uma infância roubada e, com ela, um pedaço do nosso futuro comum.

Falar disto não é pessimismo.
É um ato de responsabilidade: recusar chamar “normal” ao inaceitável e lembrar que cada criança que hoje vive no terror é um ponto de viragem possível — para mais violência ou para algo diferente.

No próximo dia 27 de março, estarei presente no Seminário Violência Doméstica e de Género, no Auditório do MUDE – Museu ...
05/03/2026

No próximo dia 27 de março, estarei presente no Seminário Violência Doméstica e de Género, no Auditório do MUDE – Museu do Design, em Lisboa.

Terei o privilégio de participar na Mesa Redonda dedicada ao estado da arte das respostas à violência doméstica em Portugal, numa análise crítica ao sistema de apoio às vítimas e às novas abordagens que precisamos de considerar.

É um tema que me move profissionalmente e pessoalmente. A violência doméstica não é um problema privado – é um problema de todos, e a resposta tem de ser coletiva, multidisciplinar e cada vez mais eficaz.

Estarei ao lado de profissionais de referência nesta área, numa conversa que promete ser tão necessária quanto desafiante.

Até lá 👇
📍 Lisboa, Auditório do MUDE – Rua Augusta, n.º 24
📅 27 de março de 2026








28/02/2026

Porque é que ainda ouvimos:
“Como é que podes estar com depressão? A vida é tão bonita!”

Tal como as doenças físicas, os problemas de saúde mental não se resolvem com força de vontade, gratidão ou “pensamentos positivos”.
A depressão não é falta de fé, preguiça ou drama. É uma condição séria, com causas biológicas, psicológicas e sociais, que precisa de compreensão, tratamento adequado e apoio – não de julgamentos nem de frases feitas.

Se alguém à tua volta fala de tristeza profunda, cansaço extremo ou falta de vontade de viver, não desvalorizes.
Ouve, leva a sério e incentiva a procura de ajuda profissional. Validar o sofrimento de alguém pode ser tão importante como qualquer medicamento.



28/02/2026
Ontem tive a oportunidade de intervir no Colóquio “Violência contra as Mulheres e Violência Doméstica”, no Salão Nobre d...
26/02/2026

Ontem tive a oportunidade de intervir no Colóquio “Violência contra as Mulheres e Violência Doméstica”, no Salão Nobre do Tribunal da Relação de Évora, dedicado à apresentação da obra Legislação sobre Violência Doméstica Anotada.

Na minha comunicação — “Avaliação de risco em violência doméstica: leitura contextual, dinâmica de abuso e decisão judicial” — sublinhei a importância de compreender o risco para além da pontuação dos instrumentos, olhando para a dinâmica de controlo coercivo e para os momentos críticos do processo judicial.​

É muito encorajador ver o sistema de justiça abrir espaço a um diálogo interdisciplinar entre magistratura, academia e psicologia, reforçando uma abordagem centrada na proteção efetiva das vítimas e na prevenção de dano grave ou irreversível.

​Agradeço ao Tribunal da Relação de Évora pelo convite e pela organização deste encontro, bem como às e aos colegas que partilharam reflexões fundamentais sobre os desafios atuais no combate à violência contra as mulheres e à violência doméstica.

Deixo aqui a minha comunicação integral.

Hoje foi aqui, em Évora.Deixo o fim da minha comunicação “Concluo com uma ideia central para a prática judicial:Avaliar ...
24/02/2026

Hoje foi aqui, em Évora.

Deixo o fim da minha comunicação

“Concluo com uma ideia central para a prática judicial:
Avaliar risco não é apenas perguntar se houve violência.
Avaliar risco é compreender quem controla quem, como, porquê e com que meios.
Uma justiça verdadeiramente protetora é aquela que consegue olhar para além da violência visível, reconhecer o controlo coercivo nas suas múltiplas formas — incluindo as mais sofisticadas e institucionalmente mediadas — e agir antes que o risco se concretize em dano grave ou irreversível.”

Um bailado de seda, em Seda
22/02/2026

Um bailado de seda, em Seda

𝐀 𝐜𝐚𝐭𝐚́𝐬𝐭𝐫𝐨𝐟𝐞 𝐝𝐚 𝐡𝐞𝐫𝐨𝐢́𝐧𝐚: 𝐝𝐨 𝐧𝐚̃𝐨 𝐬𝐚𝐛𝐞𝐫 𝐚𝐨 𝐜𝐨𝐦𝐩𝐫𝐞𝐞𝐧𝐝𝐞𝐫  Nos anos 80 e 90, Portugal viveu uma catástrofe silenciosa que ...
19/02/2026

𝐀 𝐜𝐚𝐭𝐚́𝐬𝐭𝐫𝐨𝐟𝐞 𝐝𝐚 𝐡𝐞𝐫𝐨𝐢́𝐧𝐚: 𝐝𝐨 𝐧𝐚̃𝐨 𝐬𝐚𝐛𝐞𝐫 𝐚𝐨 𝐜𝐨𝐦𝐩𝐫𝐞𝐞𝐧𝐝𝐞𝐫

Nos anos 80 e 90, Portugal viveu uma catástrofe silenciosa que devastou bairros, famílias e gerações: a epidemia da he***na. Eu cresci no meio desse cenário, sem o compreender. No meu bairro, dois jovens da minha idade, 15/16 anos, morreram de overdose. Outros por ali andavam, presos a um consumo que destruía as suas vidas e as das suas famílias. Eu via a tragédia, mas não sabia lê-la.

Na altura, como muitos, pensava em “más escolhas”, “más companhias”, fraqueza de carácter. Não tinha ainda a linguagem nem o conhecimento para perceber o que hoje sei como psicólogo. Via o comportamento, não via a dor. Via o consumo, não via o trauma.

Em 1992 entrei para a PSP e o cenário deixou de ser apenas memória de bairro para se tornar presença diária. Em Almada, dezenas de jovens enchiam as ruas, quase como zombies, com a vida organizada à volta da próxima dose que prometia algum alívio. Encontrei alguns mortos por overdose em becos e vielas. Fui chamado a casas onde mães e pais eram agredidos por filhos em desespero. A he***na rebentou com milhares de vidas, de famílias, de relações.

Só mais tarde, já como psicólogo, a minha visão sobre tudo isto mudou profundamente. A formação em trauma e a prática clínica trouxeram uma compreensão que antes não existia: grande parte daquela dependência estava enraizada em trauma precoce, em histórias de violência, negligência, abandono, humilhação, vergonha. A he***na chegou a uma sociedade emocionalmente analfabeta, onde a saúde mental era invisível, e espalhou-se como fogo em pasto seco.

O que antes eu via sobretudo como “vício” ou “autodestruição” apareceu-me, então, como uma tentativa desesperada de regulação: pessoas a tentar anestesiar memórias insuportáveis, corpos sempre em alarme, emoções sem nome nem lugar. Onde antes via essencialmente crime, falta de controlo ou irresponsabilidade, hoje vejo sobrevivência, estratégias falhadas de aliviar sofrimento.

É também importante reconhecer que a intervenção de Portugal nas toxicodependências foi um sucesso. As políticas públicas, a viragem para uma abordagem de saúde em vez de exclusivamente punição, e o investimento em tratamento e redução de riscos transformaram o país. Hoje, em grande parte, as ruas já não mostram aquele cenário de jovens caídos, mortos-vivos à vista de todos.

Mas isso não significa que o problema tenha desaparecido. As dependências mantêm-se, mais ocultas, menos dramáticas aos olhos da sociedade, mas bem presentes. Mudaram de substância, de forma, de contexto. Por detrás, muitas vezes, continua o mesmo motor: trauma não tratado, dor que nunca encontrou espaço para ser cuidada.

A catástrofe da he***na marcou uma época e um país. O que aprendi, como pessoa, como polícia e como psicólogo, é que não podemos falar de dependências sem falar de trauma. E que quem consome não é “o problema”, mas alguém que carrega um problema maior do que a substância: uma história de dor que precisa de ser vista, escutada e tratada.

Quem se lembra disto?




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