26/01/2026
Hoje recebi este presente, muito especial, de uma pessoa que acompanho: uma pequena imagem de Santa Dymphna, padroeira dos psicólogos, psiquiatras e de todas as pessoas que procuram cuidado e acompanhamento psicológico.
Sinto-me profundamente tocado pelo gesto, não apenas pelo simbolismo da santa, mas pelo que ele representa na nossa relação terapêutica: confiança, cuidado e esperança.
Este presente lembra-me que, mesmo em momentos de grande desafio interno, há sempre espaço para vínculo, para fé (religiosa ou não) e para a construção de um novo sentido para a própria história.
Num tempo em que proliferam aplicações, bots e algoritmos de “saúde mental”, este pequeno presente recorda-me a importância insubstituível da presença humana: o olhar que acolhe, o silêncio partilhado, a palavra certa que chega no momento certo. A tecnologia pode ser um apoio, mas nunca conseguirá reproduzir totalmente a experiência de estar com um outro ser humano, em carne e osso, que escuta, se implica e se deixa também transformar pelo encontro terapêutico.
A história de Santa Dymphna fala de coragem diante da violência, da capacidade de proteger a própria dignidade e de transformar sofrimento em cuidado pelos outros. É uma lembrança silenciosa do motivo pelo qual escolhi este trabalho: acompanhar pessoas na travessia das suas sombras, acreditando na possibilidade de crescimento, reparação e maior liberdade interna.
À pessoa que me ofereceu esta imagem, deixo o meu agradecimento: obrigado por permitir que eu caminhe ao seu lado, por confiar em mim e por me recordar, com este gesto, que a relação terapêutica também cuida de quem cuida. Que esta pequena Santa Dymphna no meu consultório seja um compromisso diário com a escuta ética, o respeito profundo e a promoção da saúde psicológica de todas as pessoas que aqui chegam.