Lapsis Centro Psicoterapeutico

Lapsis Centro Psicoterapeutico Somos pioneiros, inovadores mantemos uma qualidade que só quem foi, ou é nosso paciente, pode avaliar.

Na Lapsis entendemos a criança como um todo, e todas as valências que passam pela psicoterapia, psicomotricidade, terapia da fala, grupos terapêuticos consoante a idade da criança, pedopsiquiatria, terapia familiar e apoio aos pais, são colocadas ao serviço de um único interesse: o bem estar mental da criança e da família.

04/04/2026
01/04/2026

RETIFICAÇÃO: Há um erro na narração, o pai de Torquato se chamava Dr. Heli da Rocha Nunes. O Segredo Filosófico da Cajuína: Uma Análise Profunda com Baruch E...

Culpa, autoridade internalizada e transformaçãoA experiência humana é profundamente marcada pelas relações de autoridade...
18/03/2026

Culpa, autoridade internalizada e transformação
A experiência humana é profundamente marcada pelas relações de autoridade e de cuidado que encontramos ao longo da vida. Figuras como a mãe, o pai, líderes religiosos, professores ou terapeutas podem tornar-se referências internas mais ou menos duradouras. Na psicologia, este fenómeno é conhecido como internalização: pessoas signif**ativas passam a existir dentro de nós sob a forma de vozes, expectativas e modelos de relação.

Quando a autoridade vivida é muito rígida ou autoritária, essa internalização pode assumir a forma de um superego muito exigente. A pessoa passa a carregar dentro de si um juiz interno severo, que critica de forma moral e implacável e produz sentimentos persistentes de culpa. Mesmo quando alguém decide seguir um caminho diferente — por exemplo, deixar um determinado estado de vida ou questionar valores herdados — essa voz interior pode continuar a funcionar como se nada tivesse mudado, de forma mais ou menos avassaladora. Assim, a culpa não nasce necessariamente de uma falta real, mas da permanência interior de normas e expectativas profundamente assimiladas.

Nestes casos, podem surgir dois movimentos psicológicos em simultâneo. Por um lado, pode emergir a revolta contra a autoridade, semelhante à reação de um filho perante um pai autoritário. A revolta é uma tentativa de recuperar autonomia e identidade. Por outro lado, a própria autoridade pode permanecer interiorizada, gerando conflito interno: uma parte da pessoa deseja liberdade, enquanto outra continua a julgar e a condenar. Esta tensão ajuda a compreender por que motivo muitas pessoas, mesmo depois de tomarem decisões conscientes, continuam a sentir culpa ou insegurança moral.

A psicoterapia procura precisamente trabalhar estas dinâmicas internas. Como afirmava o psicanalista português Coimbra de Matos, “uma terapia sem amor não é terapia”. O “amor” de que ele fala não é sentimentalismo, mas uma atitude clínica de profundo respeito, empatia e interesse pela pessoa. Essa atitude cria uma relação diferente daquela que muitas pessoas viveram em contextos de autoridade rígida. Em vez de julgamento, surge compreensão; em vez de condenação, aparece curiosidade e abertura. Com o tempo, essa experiência pode também ser interiorizada, oferecendo à pessoa uma nova forma de se relacionar consigo própria — menos acusadora e mais humana.

Neste contexto, torna-se possível compreender outra afirmação de Coimbra de Matos: “devemos aprender a errar e a errar cada vez melhor.” Muitas pessoas que cresceram sob forte exigência moral vivem com um medo intenso de errar. O erro é sentido como uma falha grave ou motivo de vergonha. A maturidade psicológica, porém, implica reconhecer a inevitabilidade do erro humano e aprender com ele. “Errar melhor” signif**a errar com mais consciência, sem destruir a própria autoestima e transformando a experiência em crescimento.

Aqui entra também a dimensão do perdão. Psicologicamente, um perdão sem amor tende a ser vazio, podendo até funcionar como um escape. Um perdão meramente formal — baseado apenas em regras ou obrigações — pode resolver a situação exterior, mas não transforma a experiência interior. A culpa permanece ativa se a pessoa continua a sentir-se julgada ou rejeitada. O perdão autêntico envolve o reconhecimento da falha, mas também a preservação da dignidade da pessoa. Integra empatia, compreensão da fragilidade humana e a manutenção do vínculo relacional. Só assim o perdão adquire verdadeira força transformadora.

Deste ponto de vista, o processo terapêutico pode ser entendido como um caminho de reorganização das autoridades internas. A pessoa aprende a distinguir entre as vozes herdadas do passado e a sua própria consciência atual. A revolta inicial pode transformar-se em autonomia, e a culpa pode dar lugar a uma responsabilidade mais madura. O objetivo não é eliminar o passado, mas integrá-lo de forma mais livre e mais humana.

Assim, o crescimento psicológico implica um movimento duplo: libertar-se de autoridades interiorizadas que já não correspondem à própria vida e, ao mesmo tempo, construir dentro de si uma nova forma de relação — marcada pela compreensão, pela capacidade de perdão e pela aceitação da imperfeição. Nesse sentido, crescer psicologicamente é aprender a viver com humanidade: amar, perdoar e continuar a aprender, mesmo através dos erros.

Dr. Bernardo Corrêa D'Almeida

16/03/2026
Um filho a CrescerO equilíbrio entre o tempo e o espaço, quão difícil é de gerir? O que é isso de adolescer?"Há sempre u...
10/03/2026

Um filho a Crescer
O equilíbrio entre o tempo e o espaço, quão difícil é de gerir? O que é isso de adolescer?
"Há sempre um tempo que passa e um tempo que não passa" (Manuel Alegre), e para os pais o tempo que não passa é sempre muito maior, eles vão crescendo mas é por engano, até que chega um dia em que nós dizemos: ele cresceu mesmo, este já não é o meu bebé, é estranho como um rapaz de quatro anos (sim porque para nós terá sempre 4 anos), nos diz calmamente que vai dormir em casa de uma amiga com um grupo de amigos. Como é que nós crescemos? lembras-te? Crescemos às escondidas, o primeiro cigarro, o primeiro beijo, o primeiro amor, tudo em segredo, para não falar da imensidão de amores infantis que esses então foram ultra secretos para nós, embora toda a gente soubesse. Nós que ainda nos julgamos com idade de ir para a terra fazer fisgas(1) para apanhar pássaros e fazermos bailaricos nas fontes e que achávamos muito velhos as pessoas com 50 anos, somos de repente mães e pais de adolescentes e de adultos e estamos quase a ser avós mas shiu.. não contem a ninguém... Esta barba branca é apenas um disfarce, a mãe diz que pode ser o disfarce de uma criança que nunca cresceu, o pai concorda mas só em parte, há de facto uma criança que não cresceu por trás da barba branca mas há também um adolescente a correr para os bailes à procura dos seus amores, há um rapaz de 20 e poucos anos a acabar os cursos e os mestrados e a pensar e agora o que é que eu faço com isto (com isto, entenda-se a vida), há aqui um espaço/tempo para mim? Há um homem que começa a sentir na pele as grandes traições, as lutas de poder, etc.. E há um homem que proclamam como pai com um menino nos braços . Sentimos que muito tempo e muito espaço nos foi roubado enquanto pais e muita interacção ficou por fazer, muita brincadeira, muitas conversas f**aram pelo caminho e agora? Será que ainda vamos a tempo? Somos nós capazes de sentir os nossos filhos? cada vez mais se erguem muros entre pais e filhos, vão-se colocando barreiras mesmo que inconscientemente, por exemplo uma mãe que amamenta e que ao mesmo tempo está focada no telemóvel, poder-se-á criar vínculo funcional , um vínculo ambivalente/ansioso (inseguro) como identif**a Bowlby, a criança vai repetir esse tipo de vínculo pela vida fora, ansiosa, insegura, com baixa auto estima , sempre à procura da aprovação do outro, angústia extrema na separação, mas ambivalência (busca e rejeição) no reencontro. O Pai que no momento de brincar, ou de fazer outra actividade com os filhos opta por se focar no futebol, no reality show ou no que se está a passar online pode também causar o mesmo dano. Os adolescentes vivem para o espelho que lhes devolve uma imagem que corresponde à imagem interna que foi criada com base no vínculo primário que estabeleceram com o mundo e com os pais.
Paulo Nuno Pereira

(1) Fisga: Instrumento elástico usado para arremessar pequenos projéteis, geralmente feito de uma forquilha de madeira e uma tira de borracha.

Imagem: pixabay.com

Raiou o dia de São Valentim; de pé todos estão. Para ser vossa Valentina, irei pôr-me à janela, então. Hamlet - Acto 4, ...
11/02/2026

Raiou o dia de São Valentim; de pé todos estão. Para ser vossa Valentina, irei pôr-me à janela, então. Hamlet - Acto 4, Cena 5

O Outro ainda existe?Quando é que o Outro perdeu a existência?O Outro alguma vez existiu? Ou somos só nós num jogo de cenários e máscaras internas de fortes idealizações e desidealizações para satisfazer muitas vezes não só o nosso desejo infantil mas também o desejo dos outros. No meio destas lutas e destas poeiras onde é que f**amos nós, onde é que f**a o amor, onde é que f**a a relação, onde é que f**a o Outro? O Outro, hoje em dia, e o Eu são construtos muito oprimidos pelo contexto social, pelo contexto de ter o peso certo, a altura certa, a roupa certa, os ténis certos, o penteado certo, etc... Sente-se a aflição dos jovens para tentarem satisfazer tantos desejos que tomam como seus avaliando-se num espelho que do Eu nada devolve, "por trás do espelho quem está" ? Aquele sou ou é o meu ideal, ou é a parte fraca de mim, quem é que eu vejo? E quando eu olho para sombra? Que luz me chega desta sombra? Quantos Eus esquecidos habitam esta sombra?É necessário entrarmos no espelho como a Alice(1) mas desta vez para nos salvarmos, cada um tem que entrar no seu e salvar-se, não fiquem à espera que os outros entrem no vosso espelho. Conheçam as vossas fantasias, as vossas frustrações, os vossos sonhos, os vossos medos, as vossas esperanças, encontrem o vosso caminho perdido da infância, não tenham medo de se perderem nele. É sempre preciso perdermo-nos em nós para depois nos encontrarmos mais fortes e seguros. Dessa busca sairemos certamente mais fortes e menos dependentes dos outros e do peso do socialmente exigido. Se não fizermos esse caminho interno à procura de nós próprios, de quem somos, o que queremos, para onde vamos e como é que nos damos ao outro , como é que amamos os outros, como é que nos amamos a nós próprios, f**a um vazio, esse vazio é não raras vezes preenchido pelas dependências, pela dependência do Outro, da relação, de substâncias e da necessidade de controlo.
Namorem muito mas sobretudo enamorem-se de vós mesmos.
Dr. Paulo Nuno Pereira
(1) Referência ao livro "Alice do Outro lado do Espelho"; Lewis Carroll

06/01/2026
06/01/2026

Luciano Amorim, novo amigo e influencer cultural leu o meu poema

A importância da tolerância à frustração: de bebé e até à idade adultaVivemos num tempo em que a frustração é vista como...
19/12/2025

A importância da tolerância à frustração: de bebé e até à idade adulta
Vivemos num tempo em que a frustração é vista como algo a evitar. Queremos respostas rápidas, soluções imediatas e alívio instantâneo do desconforto. No entanto, a frustração além de ser, muitas vezes, inevitável, é fundamental para o desenvolvimento do pensamento.
O psicanalista Wilfred Bion propôs uma ideia simples e profunda: o pensamento nasce quando a satisfação não é imediata. Desde o início da vida, desenvolvemos expectativas em relação ao mundo. Quando aquilo que esperamos acontece de imediato, a experiência encaixa-se sem grande esforço. Mas quando surge a falta, a carência ou o atraso, somos impelidos a pensar, a criar signif**ado para o que estamos a sentir.
Bion chamou a estas expectativas iniciais pré-concepções. Quando elas encontram realização imediata, formam-se concepções. Mas é quando a expectativa se confronta com a frustração que o pensamento verdadeiramente emerge. Por isso, para Bion, a capacidade de pensar depende da capacidade de suportar a frustração sem fugir dela ou tentar eliminá-la a todo o custo.
Assim se compreende também a importância das primeiras relações. Inspirando-se em Melanie Klein, Bion distingue entre a experiência do “bom seio”, associada à satisfação e ao acolhimento, e a do “mau seio”, associada à frustração e à ausência. Quando existe apoio emocional suficiente, a experiência frustrante pode ser tolerada e transformada em algo
pensável. Caso contrário, a frustração torna-se excessiva e pode levar à confusão, à impulsividade ou ao bloqueio do pensamento.
Ora, a relação emocional e cognitiva que se estabelece entre o bebé e a mãe é assim fundamental, de tal modo que Bion descreve três tipos fundamentais de vínculo: o do amor - relação de aproximação, integração, cuidado; o do ódio - relação de ataque, rutura, agressão; e o do conhecimento - relação que permite conhecer, aprender com a experiência, pensar.
Ora, se um indivíduo não tolera frustração ou não suporta certos pensamentos/emoções, ele pode atacar o próprio processo de ligação: ataque ao amor, ataque ao conhecimento, exacerbação do ódio.
Assim se entende como pensar seja uma forma de relação com o conhecimento — uma abertura à verdade emocional, mesmo quando ela é incómoda. Pensar implica aceitar o não saber, a dúvida e o erro. Quando essa relação se torna demasiado ameaçadora, tendemos a evitá-la, fechando-nos à reflexão e repetindo padrões que pouco transformam a experiência.
Com efeito, proteger alguém de toda a frustração não favorece o crescimento psíquico. O que realmente ajuda é poder acompanhar, conter e dar sentido à experiência frustrante, permitindo que ela se transforme em pensamento.
A frustração, assim compreendida, deixa de ser apenas um problema a resolver. Torna-se uma experiência necessária para o desenvolvimento emocional, para a criatividade e para a aprendizagem ao longo da vida.
Dr. Paulo Nuno Pereira
Dr. Bernardo Corrêa D'Almeida

Parte I - O Pai Interno e o Burnout A travessia entre Burnin e Burnout — fogo-fátuo da modernidade A palavra burnout der...
28/11/2025

Parte I - O Pai Interno e o Burnout
A travessia entre Burnin e Burnout — fogo-fátuo da modernidade
A palavra burnout deriva do inglês: queimar por fora até ao fim, consumir-se em cinzas. Já burnin, termo mais recente, designa o movimento inverso e anterior: queimar por dentro, enquanto a chama permanece viva e intensa — consumindo-se de forma silenciosa. Ambos descrevem modos de existir em grande combustão: ora na exuberância da entrega total, ora no colapso da exaustão que já não permite reagir.
Ora, a nossa hipótese é que o burnout não nasce simplesmente do mundo externo; nasce do encontro doloroso entre esse mundo e as nossas feridas internas. O contexto desperta o que já era frágil. A pressão laboral, o excesso de tarefas, a cultura de resultados podem funcionar como gatilhos ef**azes, mas só desencadeiam o colapso quando o sujeito já traz consigo um modo de amar e de ser amado que pode estar baseado no sacrifício e na dependência afetiva do outro.
O burnin inaugura este percurso: pode ser uma pessoa que está numa depressão manifesta ou num estado de negação da depressão em que nem ela tem consiciencia que está deprimida , a que chamamos depressividade.
O burnout é o resultado para nós do burnin no mundo laboral, nas relações externas. Ora, a forma como nos relacionamos com o trabalho — e com a exigência — pode ser uma réplica dos nossos vínculos primários da infância. Na psicanálise, a função paterna representa a lei simbólica, a autorização para existir socialmente, o reconhecimento do valor pessoal. Pais autoritários levam a criança a acreditar que apenas a excelência garante amor e pertença; pais ausentes ou indiferentes ensinam, pelo silêncio, que é preciso fazer muito para ser visto; pais democráticos, que aliam exigência afetiva a limites coerentes, oferecem a possibilidade de o sujeito se sentir digno mesmo na falha. Quem acendeu a nossa chama pode assim determinar, muitas vezes, como ela arde em nós e por quanto tempo.
A projeção da experiência de ter um pai autoritário nas relações laborais afeta profundamente o indivíduo, criando padrões de comportamento e vulnerabilidades que aumentam signif**ativamente o risco de burnout. Esta projeção manifesta-se principalmente através da internalização do modelo de autoridade, moldando a forma como o indivíduo lida com chefias, pressão, e autonomia no ambiente de trabalho: a Submissão e Medo de Crítica, o indivíduo aprendeu que desobedecer ou falhar resulta em punição severa ou perda de afeto (no contexto parental), no trabalho, isto traduz-se em submissão excessiva à chefia, mesmo que esta seja tóxica. O trabalhador evita o conflito a todo o custo e tem um medo intenso de cometer erros ou de receber feedback negativo, existe uma incapacidade de dizer "não" à sobrecarga de trabalho, o medo de desagradar impede o estabelecimento de limites saudáveis, resultando em exaustão emocional e stress crónico; o Perfeccionismo e Autoexigência Excessiva, a única maneira de um filho de um pai autoritário ganhar validação ou evitar críticas é atingir um padrão de excelência inatingível, no trabalho, esta dinâmica manifesta-se como perfeccionismo patológico e uma autocobrança incessante (o chamado "trabalhador workaholic"), o perfeccionismo é um fator de risco primário para o burnout, a necessidade de dar "200%" em todas as tarefas, o receio de delegar e a incapacidade de aceitar o "suficientemente bom" levam à sobrecarga contínua e à exaustão física e mental ; Dificuldade na Autoestima e Realização : a ausência de reconhecimento ou a crítica constante na infância geram uma baixa autoestima e uma sensação de incompetência subjacente, o trabalhador pode procurar validação através de resultados, mas nunca se sente realmente realizado ou bom o suficiente, independentemente do sucesso. O indivíduo não consegue sentir realização profissional, um dos pilares do burnout. O sentimento de insatisfação crónica mantém-no num ciclo vicioso de trabalhar mais para provar o seu valor, sem nunca o alcançar, o que aprofunda a exaustão.
Já a projeção de um pai democrático na relação do trabalhador com a liderança e com os colegas e o risco de burnout estão inversamente relacionados: o estilo parental democrático atua como um fator protetor contra o burnout laboral, promovendo o desenvolvimento de recursos psicológicos essenciais. O estilo parental democrático é caracterizado por: Alta exigência (estabelece regras e limites claros); Alta responsividade (oferece elevado afeto, apoio emocional e diálogo); valoriza a autonomia, a comunicação aberta, a criatividade e a participação nas decisões.A pessoa que foi criada num ambiente democrático internaliza a confiança e a competência para navegar no mundo profissional de forma mais saudável. Na infância: A criança era incentivada a tomar decisões apropriadas à sua idade, a argumentar as suas ideias e a participar na criação de regras. No trabalho: O adulto tem elevada autoeficácia (confiança nas suas capacidades), capacidade de autorregulação e de iniciativa. Ele procura ativamente soluções e sente-se confortável em assumir responsabilidades. Estes recursos (autonomia e autoeficácia) são a antítese do burnout. O trabalhador sente controlo sobre as suas tarefas e ambiente, o que reduz signif**ativamente o stress laboral. O adulto tem capacidade de negociação e assertividade. Consegue estabelecer limites saudáveis e comunicar as suas necessidades. A capacidade de impor limites previne a sobrecarga, a principal causa da exaustão emocional. A comunicação aberta permite a busca de apoio ou a discussão de expectativas irrealistas com a chefia. O indivíduo criado num ambiente democrático tende a prosperar sob estilos de liderança que se assemelham ao modelo parental, como a liderança transformacional ou a liderança participativa.
Quando a função parental falha, não contendo a angústia da criança, instala-se aquilo que Bion designou terror sem nome: um medo primitivo, incessante, sem palavras que o possam representar. No burnin, o sujeito mantém-se sempre ocupado, sempre disponível, sempre a responder expectativas — como se a imobilidade pudesse libertar o terror que vive dentro de si. Quando o burnout chega, esse terror regressa sem filtro, esmagador: o colapso não é apenas físico, mas também simbólico e emocional.
Dr. Paulo Nuno Pereira
Dr. Bernardo Corrêa D'Almeida

Desisti. Aliás, não preciso — sinto-me bem!Será que descuidamos o cuidado de nós próprios? Quantas vezes deixamos de inv...
30/10/2025

Desisti. Aliás, não preciso — sinto-me bem!
Será que descuidamos o cuidado de nós próprios? Quantas vezes deixamos de investir no nosso bem-estar, convencidos de que não precisamos, de que não merecemos, de que outras coisas se devem sobrepor ou de que já estamos suficientemente bem — afinal, comparados com os outros, até parecemos estar melhor.
Para algumas pessoas, contudo, perder o seu estado de dor emocional ou estado depressivo pode, paradoxalmente, signif**ar perder a ligação a todo, ou a parte, do seu passado. É como se essa tristeza as mantivesse ancoradas ao presente — ainda que esse presente lhes pese.
— “Estou aqui porque me pediram, porque me disseram que devia vir; eu, sinceramente, não preciso disto para nada.”
Alguns afastam-se. Outros permanecem — porventura, aqueles que podem e querem reconhecer a necessidade de transformação.
Não será preciso deixar cair os frutos maduros e as folhas velhas para que possam nascer folhas novas, para que a primavera encontre espaço para despontar? Caso contrário, continuamos presos ao sabotador interno, ao gigante egoísta — o mesmo de sempre.
Recordamos a história de Oscar Wilde, O Gigante Egoísta. Conta-se que, um dia, um gigante regressou ao seu jardim e encontrou-o cheio de crianças a brincar. Riam, corriam, enchiam o espaço de alegria e de vida. Mas o gigante, fechado no seu orgulho e na sua solidão, expulsou-as e ergueu um muro à volta do jardim. Quis o jardim apenas para si.
Desde então, chegou o inverno — e nunca mais partiu. As flores murcharam, os pássaros silenciaram-se e o sol deixou de entrar. O jardim congelou, tal como o coração do gigante.
Até que, um dia, as crianças voltaram. Encontraram uma pequena brecha no muro e conseguiram passar. Com elas, entrou a luz, a primavera: as árvores voltaram a florir, o vento cantou e o jardim renasceu.
Porém, num recanto do jardim, o inverno ainda resistia. Ali, uma pequena criança chorava baixinho — tentava alcançar os ramos de uma árvore gelada, mas não conseguia.
— “Anda, sobe, meu pequeno!” — murmurou a árvore, inclinando-se o mais que podia para o ajudar. Porém, o menino era demasiado pequeno e os seus braços frágeis. Ao contemplar aquela cena, o coração do gigante enterneceu-se. Uma onda de ternura e arrependimento atravessou-o. — “Que cego tenho sido!” — disse consigo mesmo. “Agora entendo porque a Primavera se afastou do meu jardim.”
Com cuidado, aproximou-se da criança, ergueu-a nos braços e colocou-a sobre a árvore.
Nesse instante, a neve começou a derreter, as flores abriram-se, e os pássaros regressaram com o seu canto. Então, o gigante sorriu e murmurou baixinho: — “Vou derrubar este muro. A partir de hoje, o meu jardim será sempre o lugar onde as crianças possam brincar.”
Mais tarde, essa mesma criança reapareceu. Sorriu-lhe e disse: — “Hoje virás comigo para o meu jardim.” E o gigante partiu em paz. O jardim, enfim, floresceu para sempre.
Esta história terá algum espelho em nós? Tal como o gigante, também podemos erguer muros à volta do que é mais sensível em nós, convencidos de que assim nos protegemos — e, sem perceber, condenamo-nos ao nosso próprio inverno.
Mas há quem escolha permanecer no caminho de transformação, quem confie, com amor e ternura, na importância de deixar cair flores e folhas para que, um dia, a primavera volte a florescer dentro de si.
Porque é certo que aquele jardim — como tantos corações humanos — permaneceu num inverno eterno até ao dia em que o murro deu lugar ao cuidado, ao amor, à ternura. E foi nesse passo pequeno, simples e decisivo, que a primavera nasceu de novo.
Dr. Paulo Nuno Pereira
Dr. Bernardo Corrêa D'Almeida

Intenções como memórias do futuroHá um ponto contínuo dentro de nós onde o tempo acontece. Não é passado, nem futuro — é...
23/10/2025

Intenções como memórias do futuro

Há um ponto contínuo dentro de nós onde o tempo acontece. Não é passado, nem futuro — é um espaço de vibração onde tudo existe em potência. É ali que nascem as intenções, como se o futuro chamasse o presente através de recordações que ainda não aconteceram.
Serão essas intenções memórias do futuro? Serão legados de um caminho já traçado noutro nível da consciência? Será que quando sentimos uma intuição, não estamos a imaginar algo novo, mas a recordar algo que já É num nível mais profundo do tempo?
O símbolo do “Ó” pode representar esse mistério. É o círculo que contém tudo: o vazio e o pleno, o início e o fim. Na psicologia, ele é imagem do inconsciente total, do espaço interior onde o divino e o humano se encontram. Dentro desse círculo, o tempo não corre — acontece, vibra, pulsa. Cada intenção é uma onda dessa pulsação, uma mensagem vinda de um futuro que já existe em estado potencial.
Einstein, ao falar da relatividade, mostrou que o tempo é uma dimensão maleável, e que o presente é apenas um recorte de um tecido contínuo. A mente humana, por sua vez, é o espelho dessa estrutura — um campo de ressonância onde as ideias viajam não só da memória para o desejo, mas também do desejo para a lembrança.
É nesse ponto que o pensamento se torna criação. Quando uma intenção é sentida com força e verdade, ela reorganiza o campo psíquico e começa a atrair as experiências que a confirmam. A psicologia profunda vê isso não como magia, mas como coerência simbólica: o inconsciente responde àquilo que o Self já decidiu viver. A intuição, então, é o eco dessa decisão — o murmúrio do futuro chamando-nos de volta a casa.
Federico García Lorca intuiu isso pela via da arte. Chamou de duende essa força invisível que vem de dentro e de longe, que nos atravessa e dá forma ao indizível. O duende é a presença do eterno no instante, o toque do “Ó” nas nossas veias. Quando o duende se manifesta, é o futuro que fala através da emoção, e o ser humano se torna meio de uma lembrança cósmica.
Deus, assim, não é uma figura externa, mas uma dimensão interna da totalidade.
As “dimensões de Deus” são os níveis da consciência humana — camadas de profundidade onde o tempo se dilui e o ser se reconhece como parte do todo. O “Ó” é a forma simbólica desse encontro: a lembrança do que sempre foi e do que ainda será.
E talvez o sentido da vida seja isso: lembrar o futuro que nos habita, ouvir o murmúrio da intenção que nos antecede, e abrirmo-nos ao lugar onde o tempo se fecha em círculo —
onde o humano e o divino se reconhecem como a mesma unidade que respira.
Dr. Bernardo Corrêa D'Almeida
Dr. Paulo Nuno Pereira

Imagem: pixabay.com

Endereço

Rua Professor Mira Fernandes N11 Loja
Lisbon
1900-382

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 09:00 - 21:00
Terça-feira 09:00 - 21:00
Quarta-feira 09:00 - 21:00
Quinta-feira 09:00 - 21:00
Sexta-feira 09:00 - 21:00
Sábado 10:00 - 14:00

Telefone

+351218470010

Notificações

Seja o primeiro a receber as novidades e deixe-nos enviar-lhe um email quando Lapsis Centro Psicoterapeutico publica notícias e promoções. O seu endereço de email não será utilizado para qualquer outro propósito, e pode cancelar a subscrição a qualquer momento.

Entre Em Contato Com A Prática

Envie uma mensagem para Lapsis Centro Psicoterapeutico:

Compartilhar

Categoria

Our Story

Na Lapsis entendemos a criança como um todo, e todas as valências que passam pela psicoterapia, psicomotricidade, terapia da fala, grupos terapêuticos consoante a idade da criança, pedopsiquiatria, terapia familiar e apoio aos pais, são colocadas ao serviço de um único interesse: o bem estar mental da criança e da família.