01/12/2025
Há uma diferença profunda entre um corpo que descobre e um corpo que é empurrado a fazer - não só no desfralde, mas na vida.
Quando coloco uma criança sentada na sanita antes do tempo interno estar pronto, deixa de ser um gesto de imitação, curiosidade e pertença, mas um treino.
O processo deixa de vir de dentro. Acontece fora do tempo, do ritmo, da maturação e passa a ser uma coreografia forçada que desrespeita a ordem pela qual o corpo humano aprende a habitar-se.
O corpo amadurece por camadas. Primeiro percebe sensações, reconhece padrões; mais tarde coordena músculos e só então consegue conter, decidir, largar.
São processos paralelos, finos e lentos, e antecipá-los ou trocar-lhes a ordem natural aumenta episódios de retenção e disfunções vesicais e intestinais.
Quando o desfralde se torna numa tarefa a cumprir, a criança não aprende a controlar, mas a reter. F**a em permanente vigilância interna, a musculatura aperta, o corpo enrijece. A sanita torna-se num palco onde se tenta cumprir expectativas, não um lugar de prazer e descoberta.
E um corpo que vive para corresponder perde a possibilidade de sentir o seu próprio ritmo.
Perde a confiança e, consequentemente, perde-se de si mesmo.
O desfralde respeitador acontece quando o adulto troca pressa por presença, observa sinais em vez de os impor e lê o a criança em vez de a treinar.
Se precisas de ajuda neste processo, a consulta de aconselhamento psicológico parental pode ajudar.
O link para marcares está na bio.