06/04/2026
É difícil esperar.
Não pela demora — mas pelo silêncio que a acompanha.
Esperar é um espaço estranho entre aquilo que fomos e aquilo que ainda não sabemos se seremos. Um lugar onde o controlo nos escapa devagar, onde as certezas deixam de ter voz e onde, muitas vezes, só nos resta f**ar… e sentir.
Há esperas que nascem da confiança — uma fé tranquila de que tudo se alinhará, mesmo sem sabermos como. E há outras que nascem do medo — um aperto no peito, uma dúvida persistente, uma inquietação que não nos larga. Esperamos porque acreditamos. Esperamos porque já não sabemos se conseguimos voltar a acreditar.
É difícil esperar quando tudo em nós quer correr.
Quando o impulso grita mais alto do que a razão.
Mas também é difícil esperar quando já caímos — quando o tempo não acelera, quando cada passo custa, quando reaprender a caminhar exige mais coragem do que qualquer partida.
Há uma solidão própria da espera.
Mesmo rodeados de gente, há momentos em que ninguém pode esperar por nós. Porque certas travessias são interiores, silenciosas, inevitavelmente nossas. E é aí que a espera pesa mais — quando não pode ser partilhada, quando não pode ser explicada.
Esperamos respostas.
Esperamos sinais.
Esperamos por algo que, muitas vezes, nem sabemos nomear.
E, no entanto, há alturas em que esperar é tudo o que nos é permitido. Não por falta de ação, mas por respeito ao tempo — esse tempo que não se força, que não se apressa, que não responde à urgência do nosso querer.
Esperar também é um ato de coragem.
Porque exige f**ar quando fugir seria mais fácil.
Exige confiar quando duvidar parece mais seguro.
Exige permanecer quando tudo em nós pede mudança imediata.
Mas a espera não é sempre nobre.
Às vezes, é fuga disfarçada.
Às vezes, é medo vestido de paciência.
Às vezes, esperar é adiar o que já sabemos que precisa de decisão.
E é nesse equilíbrio frágil que a vida acontece.
Entre esperar e agir.
Entre confiar e desistir.
Entre dar tempo ao tempo… e perceber quando o tempo já deu tudo o que tinha para dar.
É difícil esperar.
Porque, no fundo, nunca sabemos verdadeiramente o que nos espera.
E talvez seja exatamente por isso que esperamos.