17/01/2026
Porque é que “todos” os adolescentes de 15 anos têm dificuldades de concentração?
Porque são adolescentes e têm 15 anos. Porque têm a cabeça a funcionar a uma velocidade estonteante e as hormonais aos saltos. Porque têm a tentação de ser um bocadinho multifunções, e estudam enquanto ouvem música, trocam mensagens, dão uma olhadela ao telefone e às redes sociais, e vão até à cozinha para espreitarem uma série qualquer e, quando dão conta, viram três episódios. Porque procrastinam como ninguém enquanto cultivam a ideia que funcionam melhor sob pressão. Porque não acham graça nenhuma a algumas disciplinas e, ao darem por isso, bloqueiam num teste qualquer, sem perceberem muito bem como é que isso aconteceu. Porque ninguém os ensina a estudar e eles se “matam” a puxar pela cabeça duma forma repetitiva e mecânica. Porque vivem a escola numa espécie de atmosfera do género “quero muito mas tenho medo”, o que faz que estejam tensos nas aulas, tensos nas avaliações e, às vezes, tensos nos recreios. Porque mascaram uma auto-estima um bocadinho frágil com uma infinidade de “eu sou capaz!”. Porque vivem agarrados a ecrãs, redes sociais e videojogos e isso lhes dá, mais do que parece, cabo da cabeça. Porque dormem de fugida e gastam uma parte grande na noite a dar apoio a uma amiga ou a trocar mensagens mais ou menos tolas uns com os outros.
É claro que tudo isso é normal e saudável aos 15! Por mais que lhes traga dores de cabeça e algumas trapalhices com a mãe e com o pai. Daí que eles elejam os défices de atenção e as dificuldades de concentração como um diagnóstico por medida. Como se fosse um “defeito de fabrico” e nele se afunilassem todos os motivos das suas dificuldades, como se não houvesse outros motivos para elas, fazendo com isso um bocadinho de vítimas.
Que os adolescentes, aos 15, façam isso não é preocupante. Que os pais e os educadores não reparem no mau uso que eles fazem das suas inacreditáveis capacidades e na sua bondade dêem cobertura a alguisso, sim, é preocupante.