25/12/2025
Júlia era a "outra". Por 10 longos anos, ela ouviu a mesma história: — "Meu casamento acabou, só estamos juntos pelos filhos." — "Tenha paciência, vou pedir o divórcio mês que vem." — "Você é o amor da minha vida, ela não me entende."
Júlia passou natais sozinha. Passou aniversários esperando uma mensagem escondida. Ela aceitou ser o segredo, a sombra, o descanso do guerreiro. Mas a promessa nunca se cumpria.
Numa sexta-feira solitária, vendo fotos dele viajando com a "ex-mulher" (que nunca deixava de ser atual), a dor de Júlia ficou insuportável. Ela olhou para o frasco de remédios. — Eu não aguento mais ser a segunda opção — ela chorou. E engoliu tudo.
O quarto girou. A escuridão veio. Mas Júlia não morreu. Ela acordou em um lugar diferente. Um deserto cinza, seco, sem vida. O vento uivava tristeza.
Ela olhou para o lado e viu o amante. Mas ele não era o homem charmoso de terno e perfume caro. No mundo espiritual, a aparência é a essência. E o que ela viu foi um ser monstruoso, deformado, acorrentado ao tornozelo dela.
Ele tinha ventosas nas mãos e sugava a energia vital de Júlia como um parasita faminto. Ele f**ava forte, enquanto ela murchava. — Eu te amo... — ela tentou dizer, mas a voz saiu fraca. — Você é minha comida — a criatura respondeu, rindo.
Júlia gritou de pavor. Foi quando o céu cinza se abriu. Uma mulher de luz desceu. Com uma espada brilhante, a Mentora cortou a corrente que prendia Júlia àquele parasita. O monstro recuou, queimado pela luz.
A Mentora levantou o rosto de Júlia e disse a frase que mudaria tudo: — Minha filha, você aceitou migalhas porque esqueceu que nasceu para o banquete.
A Mentora tocou a testa de Júlia e mostrou o futuro: Dois anos à frente. Júlia estava sorrindo, caminhando de mãos dadas em um parque com um homem que a olhava com admiração, à luz do dia, sem segredos. — Esse é o amor que te espera — disse a Mentora. — Mas ele só vai chegar quando você desocupar o lugar que deu para quem não te merece.
— Eu quero viver! — Júlia gritou. — Eu quero o banquete!
Ela sentiu um puxão violento. Júlia acordou no chão do quarto, engasgada, vomitando os remédios e o veneno emocional que guardou por uma década.
Ela sobreviveu. A primeira coisa que fez, ainda trêmula, foi pegar o celular. Bloqueou o amante. Apagou as fotos. Jogou fora os presentes.
Hoje, Júlia está viva. E aprendeu a lição mais valiosa de todas:
Não seja a segunda opção de ninguém. Quem te ama de verdade, não te esconde no escuro. Quem te ama, te assume na luz. Não aceite ser o "depois". Você nasceu para ser o "agora".