04/05/2026
Constelar é viajar pelo ADN familiar. É viajar por todas as memórias gravadas no campo de ressonância de um sistema. Principalmente pelas memórias que ficaram suspensas. Congeladas no tempo. Presas no trauma, numa dor que nunca se libertou. E as histórias continuam a ser contadas na dor que se repete nos descendentes.
O campo, apresenta-se com toda a informação disponível quer o acontecimento tenha acontecido há muito ou pouco tempo.
A raíz da infertilidade
Ana, 35 anos, quer engravidar. Não consegue. Já tinha feito 2 tratamentos de infertilidade sem sucesso.
A constelação leva-nos até algumas gerações atrás. Num barco, uma menina de 16 anos, foi violada. Engravidou. Num parto brutalizado e sem segurança, o filho morreu. Ali no campo, a pessoa que representa aquela menina, sentada no chão, olha o filho morto e apenas diz: Não acredito. Não chora. F**a em choque. Bloqueada. Congelada.
Agora, está a ser-lhe dada a possibilidade de chorar o filho. E chorou. E ficou finalmente em paz.
Uma outra história surge: Gerações antes também uma outra mulher muito jovem, entre os 13 e 15 anos, engravida de um homem. Nasce um filho ilegítimo. A pessoa que a representa, descreve que lhe arrancaram algo do ventre. À força, à bruta. É tão nova e ignorante que não percebe o que é. Não sabia que estava grávida, não sabia nada sobre isso. E nunca tinha visto o que tinha saído de dentro dela.
Ali no campo, olhou. E compreendeu. Bastou olhar, saber e ficou em paz.
O casal que se apresentou para constelar, posicionaram-se então lado a lado. Olhavam a constelação e olhavam-se com amor.
Inconscientemente havia muita raiva e muito medo. A memória ligada ao medo e ao perigo do que significava uma gravidez, continuou a viajar pelas gerações. Aquela criança que a Ana queria trazer ao mundo, trazia o vazio, a exclusão e o perigo de morte.
Havia um vínculo com aquelas mulheres do sistema através da impossibilidade de engravidar.
Maria Marchana