19/02/2021
Dizer Adeus faz parte da Vida- Falar sobre a morte com as crianças
Irreversível, inevitável, faz parte da vida, natural, mas não gostamos de falar dela.
É assim a morte, tema ainda tabu, não falamos para não valorizarmos, para nos esquecermos, mas a verdade é que ela não se esquece de nós.
É verdade não é fácil falar sobre a morte, sobretudo para os Pais, as angústias multiplicam-se, os medos crescem e quer-se evitar a todo o custo o sofrimento e a dor daqueles que amamos muito. Mas, na verdade não podemos poupar as crianças das coisas tristes, do sofrimento, da frustração, das perdas, pois tudo isto, faz parte da vida, a solução é prepará-las para no momento de enfrentar todos estes episódios estarem mais forte e munidas dos instrumentos essenciais que as permitam elaborar as perdas, o sofrimento e seguir em frente.
A morte é tema universal, aparece no dia a dia, nos livros, nos filmes, nos desenhos animados e estes recursos devem ser aproveitados para explicar a morte às crianças. É preciso que se fale sobre a morte, naturalmente de forma e com a linguagem adequada à idade de cada criança, mas tem de se falar, sobretudo quando são as crianças que questionam o assunto.
Aproveitar as experiências do dia a dia, os exemplos da natureza, das plantas é vantajoso para transmitir a noção de ciclo de vida, a morte de um animal de estimação que deve ser valorizada e nunca subestimada é também uma oportunidade para preparar explicar e falar com a criança sobre a morte.
Como explicar e falar sobre a morte com as crianças?
Como as ajudar no processo de luto?
-Quem dá a notícia e explica à criança deve ser uma figura de referência, significativa, sentida pela criança como fonte de amor, proteção e segurança.
- Não fugir às perguntas e responder honestamente. Não tenha receio de dizer que não sabe.
- Reconheça a dor da criança e dê a possibilidade, espaço e tempo para ela se expressar, sem pressões.
- Dar respostas simples e com linguagem clara, evitar os verbos “partiu” ou “viajou”.
- Não esconder a morte de alguém da criança
- É permitido chorar quando tiver vontade, mesmo que seja à frente da criança ajuda-a a perceber que é normal estar-se triste quando se perde alguém e que é bom expressar essa tristeza pelas lágrimas.
- Responda às dúvidas e questões, esteja disponível.
- Use histórias, livros infantis ou filmes que ajudem a compreender o conceito como algo que faz parte da vida, para além de excelentes instrumentos pedagógicos são também terapêuticos.
- Viva o luto e deixe a criança vivê-lo, apoiando-a. É normal que a criança viva todas as fases do processo de luto normal, que negue, que duvide, que se revolte, que se desorganize.
-Aproveitar o acontecimento da morte de um animal de estimação, explicar a morte comparando-a com o ciclo de vida das plantas, de outros animais, das personagens das histórias infantis pode ser uma boa aposta.
A reação à morte em cada criança é diferente, no entanto, devemos estar atentos ao longo do processo de luto da criança a eventuais alterações no comportamento, nomeadamente a nível familiar e escolar que se pode traduzir ao nível do rendimento escolar, atenção, entre outros. Também as alterações ao nível do sono, apetite, dores de cabeça devem ser alvo de atenção, uma vez que podem estar a sinalizar manifestações emocionais relacionadas com o sofrimento, medo, ansiedade ou depressão.
Sónia Serrão
Psicóloga Clínica