24/01/2026
Esta semana, a Associação Cabelos Brancos celebrou 10 anos de trabalho pioneiro.
No dia seguinte a essa comemoração, uma amiga fez-nos chegar esta poderosa campanha de sensibilização sobre os vários “ismos” que continuam a atravessar a nossa sociedade num momento decisivo.
Deixamos aqui o nosso aplauso a esta iniciativa — tão necessária — e aproveitamos também para sublinhar um ponto que nos é particularmente caro: gostaríamos muito de ver o idadismo integrado numa próxima campanha.
Nos últimos 10 anos, ganhou-se uma maior consciência de que somos uma população envelhecida. Mais pessoas e entidades passaram a discutir o envelhecimento. “Idadismo” deixou de ser uma palavra completamente desconhecida. Surgiram acções de sensibilização. As universidades produziram conhecimento, com especial enfoque na transição para a reforma e na adaptação a um novo paradigma de vida.
E, ainda assim, os dados continuam a ser claros:
a discriminação em razão da idade permanece uma das mais subtis e enraizadas na sociedade.
Em Portugal, mais de 35% dos trabalhadores relatam preconceito com base na idade — 42% dos quais entre os trabalhadores mais jovens.
Este preconceito silencioso — que muitas vezes exercemos até sobre nós próprios — rouba-nos literalmente anos de vida.
Está dentro das nossas casas.
Nos serviços públicos.
Nos hospitais e centros de saúde.
Está em todo o lado.
E não se manifesta apenas quando excluímos os mais velhos.
Manifesta-se também quando os infantilizamos, quando decidimos por eles, quando não lhes permitimos escolher.
O idadismo não vive apenas na linguagem depreciativa ou na imagem do “velho no banco de jardim”.
Vive também na linguagem que glorifica em excesso.
Na imagem do “velho herói” ou do “eternamente jovem”.
A Associação Cabelos Brancos tem vindo, há 10 anos, a alertar para a armadilha de falarmos de “envelhecimento activo” como sinónimo de “envelhecimento bem-sucedido”.
E deixa no ar uma pergunta essencial:
o que é envelhecer bem, se não pudermos envelhecer como queremos?
Será Portugal um país onde isso é, de facto, possível?
A Eu Consigo tem tido o privilégio de trabalhar com a Associação Cabelos Brancos, levando ao público o Curso de Capacitação sobre Idadismo — uma ferramenta de empoderamento individual e institucional para olhar estes desafios com maior consciência e responsabilidade.
👉 Saiba mais aqui:
https://projectoeuconsigo.pt/formacoes/curso-de-capacitacao-sobre-idadismo/
Parabéns pelas vossas interessantíssimas intervenções no evento e pelo trabalho tão necessário que desenvolvem nesta área:
• Sofia Valério — Diretora Coordenadora Técnica, Santa Casa da Misericórdia de Almada
• Maria João Valente Rosa — Professora e investigadora, FCSH–NOVA
• Joana Aroso — Advogada, JPAB; Coordenadora do Desk Longevidade+
• Susana Schmitz — Psicóloga social e organizacional; coautora do estudo Compreender o Idadismo no Local de Trabalho (FFMS)
• Luísa Pinheiro — Cofundadora e Presidente Executiva da Cabelos Brancos
• Stella Bettencourt da Câmara — Professora e investigadora, ISCSP–ULisboa
• Isabel Araújo — Diretora do Centro Intergeracional Ferreira Borges, SCML
• João Jaime Pires — Presidente da Junta de Freguesia de Arroios
• Rita Redshoes — Cantora e compositora
Vozes diferentes, mas complementares, que ajudam a tornar visível um preconceito ainda demasiado silencioso.
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