24/04/2026
(Parte 2/2)
Uma parte substancial do dia foi dedicada às mulheres e meninas com perturbações hemorrágicas. Foram apresentadas atualizações sobre terminologia, orientações clínicas e reconhecimento da necessidade de olhar para estas pacientes de forma mais rigorosa e inclusiva. Não faz sentido manter abordagens antigas que minimizam sintomas e/ou tratam estas pacientes como “portadoras” sem impacto clínico.
Foi reforçado que mulheres com níveis de fator baixos ou mesmo aparentemente normais podem ter hemorragias relevantes, precisar de acompanhamento especializado e de tratamento.
Foram também apresentados dados que sugerem presença de alterações articulares, limitação funcional e sintomas mesmo em mulheres que durante muito tempo foram consideradas assintomáticas ou pouco afetadas. Houve também uma sessão sobre dor pélvica crónica e disfunção do pavimento pélvico, sublinhando que estas queixas podem ter grande impacto na mobilidade, função urinária, vida sexual, bem-estar emocional e participação social, mas continuam pouco reconhecidas e raramente integradas nos cuidados habituais.
Um dos momentos mais marcantes foi o testemunho de uma paciente que descreveu o impacto das hemorragias, do medo, do estigma, da falta de compreensão e do atraso no apoio adequado. O relato mostrou como o desconhecimento e a invisibilidade podem afetar a escola, a saúde mental, a autonomia, a vida familiar e a autoestima.
Referimos para terminar uma sessão dedicada ao impacto da inteligência artificial na comunidade das coagulopatias congénitas. Foi destacado que a IA pode vir a ter um papel importante na educação, no acesso à informação, na análise de dados, na previsão de risco, no apoio à decisão clínica, na criação de chatbots especializados e até no desenvolvimento de novas terapêuticas. Ao mesmo tempo, foi dado o alerta que o seu valor depende da qualidade dos dados, da validação rigorosa, da proteção da privacidade, de regras éticas claras e de supervisão humana constante.