11/04/2026
🌿 Reflexões de Psicologia com a Dr.ª Helena Noémia Morais
🖤 Nem todas as perdas são visíveis
Quando pensamos em perda, pensamos quase sempre em morte.
Mas, na realidade, perdemos muitas coisas ao longo da vida —
e nem sempre nos damos conta disso.
Perdemos relações.
Perdemos fases da vida.
Perdemos expectativas, sonhos, versões de nós próprios.
E, ainda assim, dizemos a nós mesmos:
“Não tenho motivo para estar triste.”
Mas a verdade é que temos.
A dor não surge apenas quando alguém morre.
Ela surge sempre que algo com signif**ado para nós deixa de existir.
Pode ser um divórcio.
A perda de um emprego.
Uma mudança de vida.
Ou até algo aparentemente positivo… como crescer, evoluir ou assumir novos papéis.
Porque, muitas vezes, crescer também implica perder.
E quando essas perdas não são reconhecidas, algo importante acontece:
a dor não desaparece — f**a silenciosa.
Transforma-se em cansaço emocional, irritabilidade, vazio ou até sintomas físicos.
Na psicologia, sabemos que a dor é uma reacção natural à perda.
Não é fraqueza.
Não é exagero.
É um processo humano, necessário e adaptativo.
Cada pessoa sente de forma diferente.
E nem todas as perdas são visíveis aos outros — mas são reais para quem as vive.
Por isso, é importante permitir-se sentir.
Dar nome ao que perdeu.
Reconhecer o impacto.
E dar tempo ao seu próprio processo.
Nem tudo o que dói precisa de ser “justif**ado” aos outros.
Mas precisa de ser acolhido por si.
Porque só quando reconhecemos as nossas perdas,
conseguimos verdadeiramente começar a integrar e a seguir em frente.
— Drª Helena Noémia Morais